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Sucesso entre celebridades e nas redes sociais, os medicamentos injetáveis para perda de peso continuam despertando o interesse da ciência — e não apenas pelos resultados na balança. Ozempic, Wegovy e Mounjaro têm sido foco de novas pesquisas que revelam não só sua eficácia na redução de peso, mas também potenciais efeitos colaterais e impactos em outras áreas da saúde. As informações são do portal O Globo.
Durante o Congresso Europeu de Obesidade (ECO), realizado recentemente, uma série de estudos chamou a atenção para a comparação entre os princípios ativos desses medicamentos: a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro).
Quem perde mais peso?
Segundo os dados do estudo SURMOUNT-5, publicado no New England Journal of Medicine, a tirzepatida apresentou melhores resultados. Em média, os pacientes que usaram Mounjaro perderam 22,8 kg em 72 semanas — o equivalente a 20,2% do peso corporal. Já os que utilizaram semaglutida eliminaram cerca de 15 kg, o que representa 13,7% do peso.
Essa diferença mostra que o Mounjaro teve um desempenho cerca de 47% superior na perda de peso, inclusive na redução da circunferência abdominal, que chegou a 18,4 cm, contra 13 cm com o uso de semaglutida.
E os efeitos colaterais?
Apesar dos resultados positivos, os medicamentos não estão isentos de reações adversas. Os efeitos mais frequentes foram náuseas, vômitos e diarreia — considerados leves a moderados. No grupo que usou tirzepatida, 6,1% dos participantes desistiram do tratamento devido a eventos adversos. No grupo da semaglutida, esse índice foi de 8%.
Como funcionam essas medicações?
Ambos os medicamentos pertencem à classe dos análogos do GLP-1, um hormônio que regula a saciedade e a liberação de insulina. A tirzepatida, no entanto, age também como agonista do GIP, outro hormônio intestinal que potencializa o controle do apetite.
Essa ação combinada contribui para uma maior redução na ingestão calórica e maior sensação de saciedade, impactando diretamente na perda de peso.
Mais que emagrecimento: os efeitos no coração e no álcool
Um dos estudos mais surpreendentes apresentados no ECO mostrou que a semaglutida, na dose usada no Wegovy, pode reduzir em até 50% o risco de morte por doenças cardiovasculares em pacientes com sobrepeso e histórico de problemas cardíacos. A análise é parte do estudo SELECT, que acompanhou mais de 17 mil adultos em 41 países.
Outro dado curioso veio de uma pesquisa da University College Dublin, que identificou uma queda de até 68% no consumo de álcool entre pacientes tratados com semaglutida ou liraglutida. Os pesquisadores sugerem que esses medicamentos podem reduzir a vontade de beber, afetando áreas do cérebro ligadas ao prazer e ao impulso.
“O mecanismo exato pelo qual os análogos do GLP-1 reduzem o consumo de álcool ainda está sendo investigado, mas acredita-se que envolva a redução da vontade de beber que surge em áreas subcorticais do cérebro que não estão sob controle consciente. Assim, os pacientes relatam que os efeitos são ‘sem esforço’”, explica o líder do estudo, Carel le Roux, professor da Universidade College Dublin, em comunicado.
O peso volta?
Sim, e esse é um dos grandes alertas. Uma revisão da Universidade de Oxford mostrou que, após interromper o uso das medicações, os pacientes tendem a recuperar o peso perdido. Em média, quem perdeu 16 kg com as canetas pode recuperar cerca de 10 kg em um ano após parar o tratamento.
“Esses medicamentos são muito eficazes, mas quando você os interrompe, o ganho de peso é muito mais rápido do que com as dietas”, explicou a professora Susan Jebb, uma das autoras da análise e professora de Oxford.
Vale a pena?
Apesar dos riscos e da necessidade de uso contínuo, as canetas emagrecedoras representam uma alternativa terapêutica eficaz, especialmente para pessoas com obesidade e outras condições associadas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A orientação médica é indispensável, tanto para o início quanto para a manutenção ou interrupção do tratamento.
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