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A Polícia Federal revelou novos detalhes de um esquema que transformou o fornecimento de internet em uma fonte milionária de recursos para o Comando Vermelho, principal facção criminosa no Rio de Janeiro.
Batizada de Operação Backbone, a ação deflagrada nesta segunda-feira (19/10) mira o monopólio imposto pelo grupo nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Ao todo, 19 pessoas foram presas, entre elas Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam.

Segundo a PF, a estrutura investigada utilizava armas e ameaças para obrigar moradores e comerciantes a contratar serviços de internet autorizados pela facção. O grupo também é suspeito de recorrer a empresas provedoras, produtoras de eventos e negócios de fachada para lavar dinheiro obtido com a atividade criminosa.
O alcance financeiro da operação chama atenção. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas.
De acordo com as investigações, criminosos armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes. A ação dificultava a atuação das empresas e impedia a realização de reparos, criando obstáculos para que os moradores continuassem utilizando serviços de outros provedores.
Nesse cenário, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar a chamada “internet do tráfico”. Já os provedores autorizados a operar nos territórios dominados pela facção teriam de pagar uma espécie de tarifa mensal para manter os serviços.
A investigação aponta que a exploração do mercado de telecomunicações se tornou uma importante fonte de receita para o grupo criminoso. O controle territorial, nesse modelo, também permitiria manter uma base de clientes sem liberdade real de escolha.
Um dos dados destacados pela Polícia Federal dimensiona a importância do negócio para a organização criminosa. Registros contábeis atribuídos à própria facção indicam que, em apenas um mês, as cobranças relacionadas ao fornecimento de internet responderam por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha.
Para os investigadores, o controle desse mercado não representa apenas uma forma de obter dinheiro, mas também um fator que pode alimentar disputas pelo domínio de comunidades. Cada território controlado passa a funcionar como uma base de consumidores submetidos às regras impostas pelo grupo.
A Operação Backbone mobilizou policiais federais para cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorreram nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
Parte das ordens de prisão foi direcionada a pessoas que já estão no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.
Além do bloqueio patrimonial, a decisão determinou a suspensão das atividades das empresas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas apontadas pela investigação como de fachada.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados pelas empresas alcançadas pelas medidas. A PF informou que deverão ser adotadas providências para garantir a continuidade do serviço aos moradores das regiões afetadas.
Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, estão entre os 19 presos na operação. A ação busca desarticular a estrutura que, segundo a investigação, combina coerção armada, controle territorial e utilização de empresas para explorar o fornecimento de internet e movimentar recursos.

A Polícia Federal também apura a utilização de empresas para lavar o dinheiro obtido com o esquema. O bloqueio de até R$ 558 milhões e a suspensão das atividades empresariais integram as medidas adotadas para atingir a estrutura financeira investigada.
As suspeitas e responsabilidades individuais deverão ser apuradas no curso do procedimento. A inclusão de pessoas na operação não representa, por si só, uma condenação.
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