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Produção do filme sobre Bolsonaro é alvo de graves denúncias; saiba quais

Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Figurantes e técnicos denunciam agressões e condições precárias durante gravações do filme sobre Bolsonaro em São Paulo.  |   Bnews - Divulgação Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 04/12/2025, às 11h49 - Atualizado às 11h50



A produção do filme norte-americano Dark Horse, que reconta o atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta denúncias de trabalhadores brasileiros que participaram das gravações em São Paulo entre outubro e novembro de 2025. Segundo relatos, figurantes e técnicos enfrentaram agressões, atrasos no pagamento e comida estragada. As informações foram divulgadas pela revista Fórum. 

O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem Jim Caviezel como protagonista. Mário Frias interpreta o personagem Dr. Álvaro. O roteiro inclui cenas de ação na Amazônia, com confrontos contra cartéis de droga e participação de indígenas e xamãs. 

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Acusações de agressão 

O ator Bruno Henrique disse ter sido agredido por um segurança no Memorial da América Latina, em 21 de novembro. Segundo ele, a produção proibiu celulares no set, mas não ofereceu um lugar seguro para guardá-los. Bruno entrou com o celular e, ao ser abordado, afirma que foi arrastado e empurrado. 

Ele relatou: 

“Esse americano que tomou a blusa em que o celular estava da minha mão veio, grudou no meu braço, me jogou para fora do local onde estava sendo feita a revista. O segurança deu um tapa na minha mão e veio para cima de mim para me dar um soco. Quase que eu caio lá de cima. Ele me deu um soco e, inclusive, eu fiz corpo de delito. Eu estava de óculos e, quando desci para pegar, ele me deu uma rasteira.” 

Bruno também disse que figurantes receberam comida estragada, tiveram atrasos no pagamento e, em alguns casos, não puderam sair do set, chegando a fazer necessidades na roupa. 

Contratos e pagamentos 

O sindicato dos artistas e técnicos de São Paulo recebeu denúncias sobre pagamentos abaixo do padrão do setor. Um áudio obtido pela revista mostra orientações para figurantes pagarem R$ 10 pelo transporte, descontados do cachê ou pagos antecipadamente. Cachês variaram entre R$ 100 e R$ 170. A empresa responsável pelo recrutamento disse que pagaria entre R$ 150 e R$ 250 e negou irregularidades. 

Posição dos sindicatos 

Segundo o Sindcine, produções estrangeiras devem apresentar contratos, obedecer às regras trabalhistas e registrar todos os profissionais, nacionais e internacionais, incluindo o recolhimento de 10% destinado ao fundo social do sindicato. A presidenta Sonia Santana declarou: 

“O dinheiro é gringo, mandamos nós, é do nosso jeito” não são aceitáveis no Brasil.” 

Rita Teles, presidenta do Sated-SP, reforçou: 

“É inadmissível a gente lidar com esse volume de denúncias de uma produção que vem de fora do país, não cumpre a legislação local, não apresenta os contratos de trabalho para o sindicato de artistas e de técnicos, e isso gera uma insegurança muito grande.” 

Empresas envolvidas 

Procurada, a GoUp Entertainment, responsável pela produção no Brasil, não respondeu. A J&D Produções, encarregada do elenco, afirmou: 

“Por questões contratuais, estamos impedidos de comentar sobre os trabalhos em andamento. Com relação às demais questões, estamos à disposição, reafirmando que sempre trabalhamos dentro das melhores práticas do mercado e de acordo com toda a legislação pertinente.” 

Classificação Indicativa: Livre

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