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Relembre carreira de Ney Latorraca; ator morreu nesta quinta-feira (26)

Ney Latorraca em 'Vamp' — Foto: Acervo TV Globo
Ator e diretor tinha 80 anos e estava internado na Clínica São Vicente em função do agravamento de um câncer de próstata.  |   Bnews - Divulgação Ney Latorraca em 'Vamp' — Foto: Acervo TV Globo
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 26/12/2024, às 08h14



O ator e diretor Ney Latorraca, nome que se tornou sinônimo de talento e versatilidade na dramaturgia brasileira, morreu nesta quinta-feira (26), aos 80 anos, no Rio de Janeiro. Internado desde 20 de dezembro na Clínica São Vicente, na Gávea, devido a complicações de um câncer de próstata, o artista não resistiu a uma sepse pulmonar.

Quando recebeu o diagnóstico do câncer, Ney chegou a ser operado para a remoção da próstata e não apresentou mais sinais da doença até agosto deste ano, quando o câncer voltou em metástase – espalhado por diferentes regiões do corpo. O artista chegou a passar por um tratamento inicial, mas não obteve sucesso.

O ator construiu uma carreira sólida e marcante ao longo de décadas. Com uma presença cênica inconfundível e uma capacidade de transitar por diversos gêneros, o ator deixou sua marca em diversas produções, conquistando o público com seus personagens inesquecíveis.

Ney Latorraca estreou na Rede Globo em 1975 na novela Escalada. Entre seus personagens mais icônicos estão Quequé, em Rabo de Saia (1984), o vampiro Vlad, em Vamp (1991), e Barbosa, em TV Pirata (1988).

Ator já nasce ator. Aprendi desde pequeno que precisava representar para sobreviver. Sempre fui uma criança diferente das outras: às vezes, eu tinha que dormir cedo porque não havia o que comer em casa. Então, até hoje, para mim, estou no lucro”, afirmou o ator em depoimento ao Memória Globo.

Infância e o início de uma trajetória brilhante

Nascido em Santos (SP) em 25 de julho de 1944, Ney era filho de artistas: o pai, Alfredo, era crooner de boates, e a mãe, Tomaza, era corista. Desde cedo, o talento artístico floresceu. Após se destacar no teatro estudantil com Pluft, o Fantasminha, Latorraca ingressou em peças como Reportagem de um Tempo Mau, dirigida por Plínio Marcos, censurada pela ditadura militar.

Sua estreia na televisão veio em 1969, com Super Plá, na TV Tupi. Já nos anos 1970, ele consolidou sua carreira com participações em emissoras como TV Cultura e TV Record, até chegar à Globo.

Ney brilhou ao interpretar diferentes papéis, mostrando sua capacidade de transformar-se para a tela e o palco. Em Um Sonho a Mais (1985), desempenhou seis personagens distintos, experiência que, segundo ele, quase o levou à exaustão.

Pensei que fosse enlouquecer. Virei o versátil da Globo. Comecei a fazer de tudo: sapatear, plantar bananeira, fazer árvore, jacaré, vampiro. Mas é bom ser versátil. Você não fica carimbado”, relembrou.

Outro destaque foi Mederiquis, de Estúpido Cupido (1976-1977), onde sua interpretação irreverente marcou uma geração.

Além das novelas, Ney atuou em 23 filmes e 13 peças. Ao lado de Marco Nanini, protagonizou a peça O Mistério de Irma Vap, dirigida por Marília Pêra, que ficou 11 anos em cartaz e se tornou um marco do teatro brasileiro.

Com 18 novelas, seis minisséries e oito seriados no currículo, Ney Latorraca deixa uma contribuição inestimável para a cultura brasileira. Sua última participação na TV foi em 2011, no seriado A Grande Família.

Classificação Indicativa: Livre

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