Entretenimento
por Cauan Borges e Gabriel Santana
Publicado em 06/01/2026, às 14h57 - Atualizado às 16h02
Alexander David Turner, conhecido como Alex Turner, vocalista, guitarrista e principal compositor do Arctic Monkeys, completa 40 anos nesta terça-feira (6) como um dos nomes mais inventivos da música contemporânea. Com uma carreira de quase 20 anos, Turner ajudou a moldar o cenário do rock do século 21 com abordagens que atravessam estilos, linguagens e gerações.
Conexão inesperada com o Brasil
Além de ter aparecido na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, bebendo uma 'latinha' de cerveja com fãs, durante turnê em território nacional em 2014, um dos episódios mais curiosos da carreira de Alex foi a relação com a música brasileira, em especial com o cantor e compositor mineiro Lô Borges.
Durante a criação de "Tranquility Base Hotel & Casino", Turner incluiu na lista de músicas que o inspiraram para o disco a faixa Aos Barões, do álbum solo de Borges de 1972, o famoso “Disco do Tênis”, entre outros nomes internacionais.
Turner chegou a dizer que a sonoridade daquela canção estava em sua cabeça enquanto compunha o novo trabalho, especialmente por causa dos timbres de piano e guitarras menos convencionais que buscava para o som da banda.
alex turner na praia de calça e sapato tomando brahma pic.twitter.com/Ihj88E40Bk
— acervo arctic monkeys (@acervoarctic) June 14, 2023
A conexão surpreendeu Lô Borges, que faleceu em novembro de 2025, que afirmou inicialmente que não conhecia profundamente o Arctic Monkeys, mas destacou ter ficado lisonjeado e passou a ouvir a obra da banda, elogiando o álbum que o mencionou.
“Quando vi a notícia, fiquei muito lisonjeado e feliz. Mas eu tinha pouco conhecimento da música do Arctic Monkeys e do Alex Turner. Ouvia mais de tabela, em encontros e festas da parte adolescente da minha família. Cheguei à conclusão de que eu tenho que prestar mais atenção no que os adolescentes estão ouvindo”, disse ao Uol.
No Brasil, Alex e sua banda conquistaram uma base de fãs sólida em todo o país. Com mais de 50 milhões de ouvintes mensais na plataforma de música Spotify, a banda já se apresentou em grandes palcos do país, incluindo shows esgotados em festivais e turnês por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
Assista:
Em 2018, Alex Turner se inspirou na música brasileira descobrindo “Aos Barões” e o “Clube da Esquina” de Lô Borges, que inspiraram “Tranquility Base Hotel + Casino” do Arctic Monkeys
— acervo arctic monkeys (@acervoarctic) November 3, 2025
Hoje Lô Borges infelizmente nos deixou 💔
pic.twitter.com/9cgedYbqeU
Carreira do ‘frontman’
Nascido em Sheffield, na Inglaterra, o cantor ganhou projeção internacional ainda adolescente, quando o Arctic Monkeys surgiu como fenômeno nas redes e começou a atrair atenção no país com seu álbum de estreia "Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not" (2006).
O disco, com letras afiadas sobre a vida jovem e uma energia crua, tornou-se o lançamento de rock mais vendido no Reino Unido em sua primeira semana, colocando o grupo no centro da cena musical rapidamente.
📲 Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!
Desde então, Alex e sua banda, composta pelos amigos de infância, Matt Helders (bateria), Jamie Cook (guitarra) e Nick O'Malley (contrabaixo), lançaram uma sequência de álbuns que mostram sua evolução artística.
"Favourite Worst Nightmare" (2007) consolidou a energia inicial, enquanto "Humbug" (2009) explorou tons mais psicodélicos, muito influenciados pelo vocalista do Queens of The Stone Age, Josh Homme, que produziu sete canções do disco e ajudou na estética sombria do som.
O álbum seguinte intitulado "Suck It and See" (2011) trouxe uma veia romântica, acústica e evidenciando ainda mais a versatilidade do som do grupo junto com a criatividade lírica de Alex Turner. O “cabeça” da banda seguiu mostrando toda a sua qualidade para a escrita das letras com a suas metáforas, como a de comparar o céu noturno com um melaço de cana em Black Treacle.
Mesmo com a nova abordagem mais acústica, a banda mostrou com músicas como a “Library Pictures”, que os riffs de guitarra ainda estavam plugados na caixa, mesmo que baixinhos. Deixando à mostra que o trabalho seguinte poderia ser um retorno às origens, mas com uma roupagem mais moderna.
Nos Estados Unidos, o nome do álbum Suck In And See (em tradução literal “Chupe e Veja”) foi coberto com uma etiqueta em alguns pontos de venda. Sobre o caso, em entrevista para a rádio britânica XFM, Alex Turner disse que a censura aconteceu pois o nome dos disco nos EUA tinha teor sexual, mas o artista explica que na Inglaterra era diferente e como um símbolo daquela nova era vivida pela banda, o significava “tentar algo novo”.
O baterista Matt Helders relatou que sabia que o nome poderia ter alguma má interpretação, mas que o grupo optou pela manutenção do título do álbum mesmo assim.
“Acredite no Hype”
Contradizendo a frase que Alex dizia ao início dos primeiros shows “Don’t believe the hype”, em tradução livre sendo para não acreditar no que está em alta, veio o 'estrondo' com o disco "AM" (2013), quando o grupo alcançou enorme sucesso com hits como Do I Wanna Know? e R U Mine?, somando bilhões de reproduções nas plataformas de streaming e consolidando seu impacto global como uma das principais bandas de rock moderno e com uma legião de fãs obcecados pelo mundo inteiro, principalmente no Brasil.
The new album 'The Car', out now. https://t.co/s0JlfVeD2o pic.twitter.com/o65WEEWHD8
— Arctic Monkeys (@ArcticMonkeys) October 21, 2022
Turner e seus 'comparsas' têm se destacado por sua capacidade de transformação ao longo dos anos. Em Tranquility Base Hotel & Casino (2018), o Arctic Monkeys apresentou um som radicalmente diferente com menos guitarras e mais piano, com temática espacial e texturas que mesclam pop lounge, psicodelia e referências ao cineasta americano Stanley Kubrick e a estética de décadas passadas.
Mudança que dividiu e segue dividindo os fãs, mas foi amplamente comentada pela crítica especializada. O álbum mais recente, The Car (2022), continua essa jornada de experimentação, combinando elementos orquestrais com uma abordagem mais cinematográfica e refinada ao rock.
Além do Arctic Monkeys, Turner também lidera o projeto The Last Shadow Puppets, ao lado de Miles Kane. Os discos "The Age of the Understatement" (2008) e "Everything You’ve Come to Expect" (2016) exploram arranjos orquestrais e um diálogo claro com o pop e o rock clássico britânico, mostrando outra faceta do compositor.
Classificação Indicativa: Livre
Cupom de lançamento
Qualidade Stanley
Imperdível
Super desconto
Café perfeito