Entretenimento
Vídeos gerados por Inteligência Artificial (IA), com falas convincentes e expressões naturais, estão cada vez mais virais. Entre os que se destacaram recentemente está a personagem Marisa Maiô, criação do roteirista Raony Phillips via IA, que satiriza programas de auditório comuns na televisão brasileira.
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Como apresentadora fictícia, ela já soma milhões de views e se tornou garota-propaganda de marcas como Magazine Luiza, OLX e inDrive, mas provoca questionamentos sobre a real e a falsa identidade no cenário digital.
Para descontrair, o humorista baiano Will Forlan viralizou ao reproduzir os próprios vídeos de IA com total espontaneidade, imitando inconsistências físicas e gestuais típicas dessas criações digitais. Em gravações que já somam quase 10 milhões de visualizações, ele demonstra que “o brasileiro é criativo demais e humilha até a IA”.
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De acordo com Leandro Fernandes, professor do curso de Sistemas de Informação da UNINASSAU Salvador, esse avanço se tornou acessível por dois principais motivos: facilidade de utilização e custo zero.
“Essas ferramentas de criação de vídeos ficaram muito fáceis de manipular, mesmo para quem não é da área. Isso aumenta o risco de uso irresponsável, já que não há barreiras técnicas para acessar esse tipo de tecnologia”, esclarece.
Nos últimos meses, vídeos falsos atribuídos a celebridades, políticos e influenciadores têm viralizado e confundido o público. Para Fernandes, o maior risco é enganar as pessoas ao simular falas que nunca existiram.
“Os perigos são essas falas irreais, pois a sociedade acaba acreditando na autenticidade do conteúdo. Isso pode gerar mal-entendidos e até calúnias graves contra quem está presente nas imagens, mesmo não tendo qualquer relação com aquilo”, alerta.
“Nem tudo que se vê na internet deve ser levado como verdade”, ressalta o especialista. Apesar da qualidade cada vez mais realista desses vídeos, alguns detalhes ainda ajudam a identificá-los. “Uma das formas é observar pequenos atrasos entre a voz e os gestos da pessoa. Existem ferramentas específicas para detectar vídeos gerados por IA, mas, infelizmente, a maioria é paga”, explica.
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Com a possibilidade de danos sérios à reputação de pessoas públicas e anônimas, o professor defende a necessidade de legislação específica sobre o tema. “Pelo transtorno causado por esse tipo de conteúdo e todo o enredo que está se formando, é urgente a existência de leis para controlar esse tipo de produção e disseminação”, afirma.
De acordo com ele, as plataformas e a sociedade ainda não estão prontas para encarar os efeitos legais desse novo tipo de conteúdo digital. “Ainda falta preparo para lidar com processos de pessoas que se sentirem atingidas ou expostas por vídeos falsos. Isso mostra o quanto estamos vulneráveis diante dessa nova tecnologia”, copncluiu.
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