Entrevista

"Eu não tenho conchave com político nenhum", diz Dr. Marcos Adriano

Yuri Pastori / Bnews
Dr. Marcos Adriano é candidato a prefeito pela primeira vez em Vitória da Conquista  |   Bnews - Divulgação Yuri Pastori / Bnews


Advogado e contador, Dr. Marcos Adriano (Avante) faz parte de uma chapa "puro sangue" com a assistente social, psicóloga e bacharel em Direito, Ariana Mota (Avante), para disputar a prefeitura de Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. O candidato se apresenta nas redes sociais como cristão e se autodenomina outsider

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Em entrevista exclusiva ao Bnews, ele promete zerar as filas nos postos de saúde e dar maior transparência quanto ao uso dos recursos públicos nos portais da Prefeitura de Vitória da Conquista. Confira a conversa na íntegra abaixo: 

Candidato, a parceria com o governo do estado e com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) é fundamental para o município se desenvolver. Como será sua relação com o governo estadual caso seja eleito?

Eu acredito que vai ser uma relação institucional. Vitória da Conquista paga impostos, a gente precisa receber benefícios. Os programas que tiverem no Governo Federal e no Governo Estadual, é claro, é óbvio que a gente tem interesse de recebê-los aqui no município.Então a gente vai sentar como Prefeito, como Governador, como Prefeito, como Presidente da República, e vamos discutir o que Vitória da Conquista precisa, e discutir institucionalmente.

Por que o senhor se considera a melhor opção para os conquistenses e o que te diferencia dos seus concorrentes?

Olha, é difícil falar sobre si mesmo, mas assim, eu sou procurador de municípios há 20 anos, então eu conheço as leis municipais, eu sou contador, técnico contábil de municípios há 10 anos. A gente presta contas, então, o que acontece? Eu conheço, exatamente, quais são todos os programas municipais, quais são todos os recursos, todas as rubricas.E eu sou conquistense, então, eu tenho a sensibilidade do meu povo e tenho o conhecimento necessário para fazer Conquista prosperar.

Por que que o partido Avante resolveu adotar uma candidatura "puro sangue"?A sua vice também é do mesmo partido, não houve uma coligação.

É porque nós somos os candidatos, eu vou falar por mim e por minha vice, não pelo partido. Nós somos candidatos chamados outsiders, aqueles que estão fora da política. Eu não tenho conchave com político nenhum, eu não tenho acerto, ajuste com político nenhum, com ninguém da cidade que vive de política. Eu tenho minha profissão, minha vice tem a profissão dela. Somos pessoas que estamos querendo entrar para ajudar o povo. A velha política sempre vai se amarrar naqueles grupos antigos. Nós estamos vindo para fazer a diferença de verdade para a nossa cidade e nem queremos ter esses acordos com antigos políticos. Então, é por isso que a gente tem uma chapa nossa, para poder levar as nossas propostas para o povo, sem interferência nenhuma de coronéis.

Na sua opinião, qual o principal problema da cidade e como o senhor irá enfrentá-lo?

A cidade enfrenta diversos problemas, o principal, sem sombra de dúvida, é a saúde.
Nós temos filas aqui de mais de ano, as pessoas aguardando, sem saber sequer quando é que vão ser atendidas. Nós estamos com diversas propostas na saúde, uma delas, zerar as filas, outra, dar transparência através de um aplicativo e comodidade para que as pessoas não fiquem aguardando debaixo de sol e chuva para poder serem atendidos ou conseguir fazer a marcação de um exame.Nós iremos adquirir aqui centenas de ambulâncias para poder atender. O território de Vitória da Conquista é muito grande, então vai ter um atendimento específico, sobretudo na zona rural. Nós iremos construir dois hospitais, um para poder fazer a regulação das 81 cidades e colocar especialidades para atender e desafogar o sistema de saúde de Vitória da Conquista e outro específico para atendimento da mulher com pronto-socorro infantil. Vitória da Conquista tem 32 anos que não inaugura um novo hospital.A população já praticamente dobrou nesse período e as autoridades não fazem basicamente nada para estar revendo esses problemas.

Quais as políticas o senhor pretende implantar para ter maior transparência no uso dos recursos públicos? E aí eu cito uma investigação da Polícia Federal no município em 2020 em relação ao período da pandemia de compra de testes que há suspeitas de superfaturamento. Então quais são as políticas que o senhor vem implantar para impedir esse tipo de situação?

Bem, inicialmente a gente, Vitória da Conquista, eu acho que a gente pode institular assim, nos últimos anos, foi a cidade da dispensa, ou seja, não se fazia licitação. A gente vai iniciar um governo, probo, promovendo a licitação em todas as aquisições, quer seja de serviço, quer seja de bens do município. Nós iremos também dar maior transparência nos portais do município, dizendo quanto o recurso está chegando e aonde ele está sendo investido. Eu tenho esse conhecimento por ser técnico contábil, mas eu sei que a população não tem. Eu percebi em reuniões com o sindicato que a administração maqueia os números para poder apresentar. Então a gente vai fazer aquela apresentação a toda a sociedade de tudo que é gasto, de tudo que é recebido, para que a sociedade tenha ciência do quão pujante é a economia do nosso município e que com os recursos próprios que a gente aqui tem, a gente consegue avançar e avançar bastante.

Uma reclamação constante dos conquistenses é a falta de água, sobretudo na zona rural. Como será a relação do eventual governo com a Embasa e o que fazer para melhorar a situação do abastecimento?

A relação do nosso governo com a Embasa será da forma que a Embasa pautar.
O município tem um contrato com a Embasa que ela precisa fornecer em todo o território municipal a quantidade fixa de litros de água potável para a população e ela não vem cumprindo. O que a gente vai fazer? A gente vai trabalhar em três passos. Primeiro, a gente vai obrigar a Embasa que ela cumpra o contrato sob pena de aplicar as multas que próprio contrato prevê. Segundo, caso a Embasa não faça isso iremos revogar, utilizar da cláusula contratual para revogar o contrato com a Embasa e abrir uma licitação para distribuição de água e saneamento aqui no nosso município. Caso não acudam interessados, a gente irá num terceiro passo constituir uma autarquia municipal, um SAAE, para que o próprio município tome conta e gerência da sua água. O que não pode acontecer é a população vim sofrendo com o péssimo serviço que a Embasa presta para os nossos cidadãos.

Quantos vereadores o Avante pretende eleger aqui na cidade?

Eu acredito que a gente deva fazer, tranquilamente, dois vereadores e existe a possibilidade da gente fazer três vereadores aqui. 

A prefeitura tomou um empréstimo de um total de R$ 160 milhões. Segundo a prefeita Sheila Lemos (União Brasil), os recursos estão sendo aplicados na cidade com asfaltamento , dentre outras obras. Como o senhor viu a questão desse empréstimo? O senhor acha que pode comprometer as finanças do município?

Olha, aumentou muito a receita corrente líquida, ou seja, o município está mais endividado com ele, mas o que acontece o grande caso dessa tomada de empréstimo é que o banco, ele cobra os juros, né. E aí, o que acontece esses R$ 160 milhões vai custar para os cofres do município R$ 333 milhões, R$ 173 milhões vão ser pagos somente de juros. A coisa é tão assuntosa que o contrato foi celebrado pra poder pagar em 10 anos, mas, somente, nos primeiros quatro anos a gente já vai pagar mais do que R$ 160 milhões para a Caixa Econômica e aí tem mais seis anos para poder efetuar o pagamento e amortização da dívida. O município, ele endividou e de forma desnecessária. Trata-se de uma obra, as obras que estão sendo feitas em Conquista, com esses empréstimos, tratam-se de obras eleitorais, ou seja, chega no último ano e toma o dinheiro emprestado para poder pagar mais do que o dobro, simplesmente para mostrar para a população, que algo está sendo feito. Dentro dos próximos quatro anos, a gente irá assumir o governo municipal e teremos além de todas as dificuldades municipais que pagar mais do que o que foi tomado nesse período eleitoral para a Caixa Econômica e provavelmente os próximos prefeitos também irão estar pagando, ou seja, um absurdo utilizar o recurso dessa forma e manobrar a opinião pública dessa maneira.

Recentemente, a gente viu um debate na TV Cultura, onde o candidato Datena (PSDB) deu uma cadeirada no Pablo Marçal (PRTB). Como o senhor vê? Quais os caminhos que os debates políticos vão tomar a partir desse fato?

Olha, eu tenho esperança que os caminhos dos debates aqui em Vitória da Conquista sejam caminhos propositivos. Nós, nesse momento, somos o único candidato que estamos apresentando propostas mesmo concretas. O que a gente vai fazer, quando a gente vai fazer, onde a gente vai aplicar aquilo ali e quais vão ser as  vantagens para o município para essa proposta nossa. Aqui em Vitória da Conquista, infelizmente, a gente está vivendo uma discussão no campo ideológico, né, então um ataca o outro e vira aquela baixaria dentro da TV e ,infelizmente, a cidade não está conseguindo discutir as propostas. Eu espero que nos debates eles compareçam, porque já teve um debate aqui que não foi ninguém somente eu. Caso eles compareçam que a gente possa discutir as propostas que vão levar o município de Vitória da Conquista adiante para avançar.

Classificação Indicativa: Livre

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