Entrevista
A Comissão Eleitoral da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS) divulgou na última quinta-feira (25) as candidaturas habilitadas para a eleição do cargo de Diretor Geral, que definirá quem estará à frente da instituição no triênio 2025/2028.
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Bruno Guimarães de Almeida e João Batista dos Santos Militão concorrerão ao cargo. A escolha será realizada em reunião do Conselho Curador no dia 30 de setembro. Será exigido quórum mínimo de nove dos 14 conselheiros aptos a votar. O BNews entrevistou o enfermeiro, sanitarista e professor Bruno Guimarães.
BNews: Como sua trajetória profissional o prepara para liderar a Fesf-SUS e qual é o papel atual da Fundação?
Sou Bruno Guimarães de Almeida, enfermeiro, sanitarista, professor e pesquisador. Possuo múltiplas especializações em saúde coletiva, saúde da família e gestão do trabalho em saúde (ENSP, ISC/UFBA, Escola de Enfermagem/UFBA), além de mestrado em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde (ISC/UFBA) e doutorado em andamento em Saúde Coletiva (ISC/UFBA).
Atuei em diferentes níveis do SUS, acumulando experiências que vão do âmbito municipal ao federal. Trabalhei em funções gestoras em municípios da Bahia, exercendo a função de diretor de Atenção à Saúde, conduzindo políticas voltadas ao fortalecimento da rede local. Em Salvador, trabalhei com a pauta do planejamento do SUS municipal. Na esfera estadual, tive destaque como diretor de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde da Sesab, liderando iniciativas estratégicas para valorização dos profissionais. No Ministério da Saúde, entre 2023 e 2025, assumi o cargo de diretor de Gestão e Regulação do Trabalho na Saúde, posição de relevância nacional, onde contribui para aprimorar diretrizes e fortalecer a política de gestão do trabalho e educação na saúde do SUS. A experiência na docência e na pesquisa reforçam minha capacidade de articular teoria e prática, com visão crítica e inovadora. Esse percurso me preparou de forma consistente para liderar a FESF-SUS, unindo conhecimento técnico, experiência de gestão e compromisso com o fortalecimento do SUS.
Sobre a FESF-SUS, ela é uma fundação pública, de natureza estatal, sem fins lucrativos, de interesse coletivo e dotado de personalidade jurídica de direito privado, formada por 69 municípios baianos e baseada em princípios de gestão compartilhada, democrática e participativa. Atualmente, a Fundação administra cinco unidades do Governo da Bahia: as policlínicas de Escada e Narandiba (em Salvador), o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Salvador e Região Metropolitana, a Maternidade Regional de Camaçari e o Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, em Ilhéus. Além da gestão direta, também fornece equipes multiprofissionais para hospitais como o Ana Nery (Salvador) e o Dantas Bião (Alagoinhas), e atua em projetos estratégicos como o Projeto Primeiro Emprego, que garante oportunidades a jovens oriundos da rede pública. É importante destacar que a FESF foi criada com o intuito de inovar e avançar no fortalecimento do SUS e no desenvolvimento de um modelo de gestão interfederativa, para apoiar municípios e estados na gestão e execução de ações e serviços de saúde no âmbito do SUS. Costumo dizer que a FESF é um “mundo de possibilidades”, e minha missão é qualificá-las e ampliá-las cada vez mais.
BNews: Quais medidas concretas pretende adotar para garantir a sustentabilidade financeira da Fesf-SUS, considerando atrasos recentes a fornecedores?
Nossa prioridade será o diálogo permanente, não apenas com o Governo do Estado e os 69 municípios pactuados, mas também ampliando a interlocução com os 417 municípios baianos. É importante lembrar que a FESF já está presente em todos eles, seja pelo Telessaúde, seja pelo Projeto Primeiro Emprego. O fortalecimento dessa relação é essencial para consolidar a sustentabilidade financeira e garantir previsibilidade nos repasses e contratos.
Além disso, será importante analisar a situação atual e adotar medidas para ajustar possíveis inconformidades. Considerando o potencial da fundação, ampliar os horizontes da instituição será outra iniciativa para que a instituição siga diversificando sua atuação e contribuindo para qualificar e fortalecer o SUS nos diversos níveis de atenção para garantir que as necessidades de saúde e o direito à saúde seja assegurado para a população baiana e brasileira.
BNews: Como planeja implementar um plano de cargos, salários e desenvolvimento profissional que retenha talentos e motive os colaboradores?
O primeiro passo é o diálogo contínuo com os sindicatos de todas as categorias, algo que já vem sendo construído pela FESF e que pretendo ampliar. Revisitar Plano de Empregos, Carreiras e Salários na Fundação Estatal Saúde da Família da Bahia – FESFSUS (PECS), é outra medida importante, tendo em vista que esse plano, no momento de sua criação foi referência nacional.
Hoje, a Fundação conta com mais de cinco mil trabalhadores, e investir em sua valorização é central para o nosso futuro. Vamos investir, além do plano estruturado de empregos, carreiras e salários, em ações que contribuam para o desenvolvimento profissional, reconhecendo o mérito, fortalecendo a motivação e retendo talentos. Penso em ampliar os investimentos no Núcleo Integrado de Saúde do Trabalhador – NIST, a fim de prevenir o adoecimento e proteger física e mentalmente as(os) trabalhadoras(es) da fundação; investir em ações para prevenir o assédio, as discriminações e violências relacionadas ao trabalho; consolidar o planejamento e dimensionamento da força de trabalho da fundação; estabelecer um canal de diálogo com a classe trabalhadora, por meio de uma instancia de negociação e pactuação; implementar o EnconTrabs–FESF, iniciativa voltada para ampliar as ações de qualificação e educação permanente das(os) trabalhadoras(es) da instituição, dentre outras ações. Pretendo que a FESF-SUS seja uma instituição modelo para o país na área de gestão do trabalho.
BNews: Quais projetos estratégicos estão em andamento e quais iniciativas estão sendo planejadas para fortalecer a Fundação nos próximos anos?
A FESF atua em áreas que vão além da assistência direta e essa diversidade é um dos nossos grandes diferenciais. No âmbito da prestação de serviços para a população, pretendo ampliar o escopo de unidades vinculadas a instituição, de forma alinhada com os parceiros institucionais, para assegurar uma atenção resolutiva e humanizada. Firmar e fortalecer parcerias estaduais, assim como ampliar o diálogo com instancias nacionais e internacionais, considerando a articulação que fiz na minha passagem pelo Ministério da Saúde. Importante implantar um Observatório da FESF-SUS, para apoiar a produção de evidências e pesquisas para a saúde baiana. Entre os projetos estratégicos que estão em andamento e que queremos ampliar estão o Programa de Residências Integradas, que tem formado profissionais altamente qualificados para o SUS, e o Projeto Primeiro Emprego, que abre portas para jovens e adultos recém-formados da rede pública. Nosso desafio é expandir ainda mais essa gama de serviços, sempre tendo como base os princípios do SUS e o compromisso de entregar resultados concretos à população do nosso estado.
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