Especial

Guilherme Bellintani fala sobre Carnaval, projetos e projeções para a secretaria

Imagem Guilherme Bellintani fala sobre Carnaval, projetos e projeções para a secretaria
O secretário municipal de Desenvolvimento Turismo e Cultura conversou exclusivamente com o Bocão News e explicou como pretende multiplicar o orçamento da pasta nos próximos anos, além de adiantar pontos do futuro calendário cultural de Salvador. No Carnaval, Bellintani revelou uma série de novidades, entre elas a continuidade do Afródromo e também o novo local onde o circuito  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 19/07/2013, às 00h00   Lucas Esteves



O secretário municipal de Desenvolvimento Turismo e Cultura conversou exclusivamente com o Bocão News e explicou como pretende multiplicar o orçamento da pasta nos próximos anos, além de adiantar pontos do futuro calendário cultural de Salvador. No Carnaval, Bellintani revelou uma série de novidades, entre elas a continuidade do Afródromo e também o novo local onde o circuito exclusivo dos blocos afro acontecerá ano que vem. O empresário também refletiu sobre a possibilidade de um dia separar as três atribuições da secretaria e disse que o prefeito não jogará para a plateia e que tem a atribuição de fazer um governo responsável na capital baiana.


O secretário municipal de Desenvolvimento Turismo e Cultura conversou exclusivamente com o Bocão News esta semana e explicou como pretende multiplicar o orçamento da pasta nos próximos anos, além de adiantar pontos do futuro calendário cultural de Salvador. No Carnaval, Bellintani revelou uma série de novidades, entre elas a continuidade do Afródromo e também o novo local onde o circuito exclusivo dos blocos afro acontecerá ano que vem.

O empresário também refletiu sobre a possibilidade de um dia separar as três atribuições da secretaria e disse que o prefeito não jogará para a plateia e que tem a atribuição de fazer um governo responsável na capital baiana. Estes assuntos e diversos outros relacionado à pasta que Guilherme Bellintani coordena na prefeitura foram desenvolvidos na entrevista que você confere logo abaixo. Não perca!


(Fotos: Roberto Viana/Bocão News)

Bocão News
- Por que o prefeito desistiu de inverter o circuito do Campo Grande?  Por que antes a ideia era possível e agora não mais?
Guilherme Bellintani – Na verdade não foi uma desistência. É porque nunca chegou a haver a escolha. Foi colocado como uma das opções e como naturalmente era a opção mais diferente, foi a que foi mais falada, mas ela não foi escolhida, digamos assim, como a nova determinação do Carnaval. A gente fez dois testes na subida do trio [no final da Avenida Sete] e o fator primordial na decisão basicamente foi de excesso de zelo. Eu diria que essa expressão é a que mais pode explicar a não inversão do circuito já que os testes foram bem sucedidos. Acontece que a gente fez teste em equipamentos novos e com uma potencia razoável. Não quer dizer que esta seja a média do carnaval. Ainda que fosse a média, a gente tem que contar com quem está abaixo da média.
BNews - Foi uma média sonora?
GB – Média de capacidade do equipamento, pelo ponto de vista da máquina, mesmo. A potência da máquina, idade, peso, uma série de coisas. Então, para fazer essa inversão, a gente teria de excluir, naturalmente, uma série de equipamentos que hoje talvez não tivessem a capacidade de subir. E aí o “não subir” poderia significar um atraso dos trios atrás porque simplesmente o da frente travou no meio da ladeira ou até, em uma hipótese mais extrema, uma fatalidade. E para que a gente não precisasse fazer todos esses mecanismos de suposições, achamos melhor não subir.
BNews – Então o problema foi mesmo a subida da Avenida Sete?
GB – Não é um problema. A subida não se mostrou um problema. Mas ela poderia, algum dia, vir a ser um problema, se a gente tivesse, por exemplo, a utilização de máquinas com uma idade maior, uma potência menor no motor. Então, considerando a diversidade que é o Carnaval, a gente decidiu por excesso de zelo não inverter o circuito.
BNews – E a ideia de manter a Carlos Gomes como um Corredor Cultural permanece?
GB – Permanece. Na verdade isso está bem avançado no estudo técnico não só de corredor cultural, mas também ponto de apoio de serviços complementares à festa. Quer dizer: banheiros de melhor qualidade, vilas-gourmet, zonas de alimentação e também passagem de alguns blocos que vão continuar usando a Carlos Gomes. Aqueles blocos que vêm da Praça Castro Alves descendo a Rua Chile que quiserem continuar nessa direção vão poder continuar. Ela apenas deixa de ser retorno para os blocos que vão para a Castro Alves. Então a Carlos Gomes ganha uma perspectiva múltipla aí nesta história. 
BNews – Pouco depois do Carnaval uma série de reuniões foram feitas para debater a questão dos blocos afro, em especial a maneira de viabilizar financeiramente os blocos para que não precisem mais correr o pires para fazer seus desfiles no Carnaval. Como estão as discussões da secretaria, da organização da festa, com estes blocos?
GB – na verdade, hoje existe um programa, que é o “Ouro Negro”, que é muito bem consolidado de estruturação financeira dos blocos afro. Então os afro hoje não têm uma vida financeira digamos assim “folgada”, mas também têm uma condição melhor do que tinham alguns anos atrás. E o programa é estruturado também com a presença da Prefeitura junto com a Petrobras e o Governo do Estado – na verdade são várias frentes de atuação – e que aproxima muito os blocos afro de uma situação financeira que eu não diria “folgada”, mas que viabiliza a realização do desfile. Então, no meu entendimento, já é um recurso bem razoável. O que o afro precisa hoje, na minha opinião, é muito mais um espaço qualificado no Carnaval.
BNews - Diante disso, essa declaração significa que o Afródromo continua no ano que vem?
GB – Continua. O Afródromo, eu acho, veio pra ficar. Ele é, digamos assim, uma nova concepção de carnaval que foi muito bem-sucedida na primeira experiência e eu tenho dito que qualquer coisa que beneficie os afros a gente vai estudar com muito carinho, com muita empolgação. 
BNews – Já existe uma articulação direta entre a prefeitura e os organizadores do Afródromo? Já tem passos definidos para daqui em frente?
GB – Já, já temos muitas coisas muito avançadas. Os quatro meses e meio que sucederam o Carnaval foram meses de muito trabalho no GT do Carnaval. Eu vim agora de uma reunião com os representantes de blocos afro para detalhar mais e estamos na fase de últimos detalhes do desfile, de quantidade de blocos, que dia que determinado bloco está no Afródromo, que dia está isolado em outro lugar, outro horário. Este estudo está bem avançado. 
BNews – Então não vai ser só um dia de Afródromo? É quase como um carnaval alternativo?
GB – Na verdade são três dias: Domingo, Segunda e Terça. O local também não é mais o mesmo. Ele sai da região do Comércio e agora vai partir da frente do antigo Hotel da Bahia e seguirá pela Carlos Gomes, usando também a área do Passeio Público.
BNews – A prefeitura vai manter o Carnaval do meio do ano que vem, durante a Copa do Mundo? As manifestações deste ano se concentraram na época da Copa das Confederações e causaram muitos transtornos para as autoridades. Existe algum receio de que haja manifestações a tal ponto que haja a possibilidade de desistir da ideia por conta de protestos? As manifestações certamente serão muito maiores porque haverá muito mais países por aqui.
GB – A ideia está mantida. Primeiro, a gente já tinha uma premissa que o movimento nos últimos meses no país só fez confirmar: no caso especificamente do Carnaval que vai acontecer na Copa do Mundo é um Carnaval absolutamente viável e com nenhum investimento público. A premissa dele é que ele vai acontecer se for viável financeiramente do ponto de vista do equilíbrio entre a arrecadação – com patrocinadores e comercialização de espaços e ativos públicos – com os custos públicos da festa. Então este é um desafio que não é dos maiores que eu tenho, na minha opinião. Acho que não teremos nenhum grande problema em relação a isso.
BNews – Mas há algum medo de que as manifestações rumem para o espaço em que a festa do meio do ano acontecerá? Acha que a manifestação pode querer chegar até lá.
GB – Eu acho que pode. Acho que tudo pode. Mas a gente deve entender que aquela é uma política pública que tem fundamento. A gente entende que sim. É uma política pública que não vai usar dinheiro público e, por mais que ela use, o dinheiro é reposto por meio do investimento dos patrocinadores. Quer dizer, a conta pública é, no mínimo, no zero a zero. Portanto, ele é um elemento capaz de atrair um numero de turistas e qualificar a relação dos soteropolitanos com a cidade. Portanto, é um atrativo a mais. Se fosse a utilização de dinheiro público, um evento que tivesse um investimento público e que a gente fosse fazê-lo em detrimento e outra política pública, poderia se questionar. Mas não é o caso. Agora, lógico que manifestação é espontânea, mas temos que fazer de acordo com a nossa consciência. Eu estou absolutamente tranquilo que é possível fazer um carnaval fora de época sem dinheiro público. É algo absolutamente real e viável dentro da política que a gente pretende.
BNews – Há um calendário cultural municipal já preparado, mas ainda não revelado publicamente. Este lançamento já deveria inclusive ter acontecido. Quando é a nova data?
GB – A gente concluiu esse projeto agora e passa a ter um calendário de evento que divulgamos agora no final do mês. O calendário está absolutamente pronto há mais de um mês. O que a gente está fechando agora e só o que falta fechar é a questão de patrocinadores. Nós estamos fechando alguns patrocinadores do carnaval e inserindo nesse pacote o patrocínio de outros eventos. Portanto, por uma questão de estratégia econômica a gente preferiu não anunciar os eventos, mas foi uma estratégia bem sucedida. Acho que nos próximos dias já há eventos que a gente divulga com uma viabilidade financeira interessante.
BNews – E o que já pode ser adiantado para que os moradores possam se agendar para assistir na cidade. A agenda já começa este ano ou é só para o ano que vem?
GB – Ele já vale agora. Já vale a partir deste ano. A gente tem uma abertura do verão em dezembro que casa com festas populares com um evento de fogos de artifício que já aconteceu historicamente na cidade. São os “Fogos Musicais”. Vamos ter um fortalecimento de Natal e Ano Novo em um evento que acontece entre o dia 25 de dezembro e 1º de janeiro. Um evento de quase uma semana com uma alta comemoração de Natal e Réveillon.  Agente vem de um Réveillon forte e um fortalecimento absoluto de festas populares. Nos últimos seis ou sete anos a gente teve nas festas mais relevantes da cidade um investimento que não passou de R$ 200 mil conjuntamente. E eu tenho tranquilidade de dizer que este ano este orçamento vai ser pelo menos oito vezes mais. As festas populares ganham uma nova dimensão. Elas têm a volta de um evento de decoração onde há a saída de um cortejo, uma série de coisas. Só que a gente precisava de recurso para isso e aí eu dou um exemplo do porquê de ter atrasado isso. Estamos condicionando o patrocinador do carnaval a também venha a apoiar festas populares, que é um produto menos midiático. Então isso favorece muito a lógica de viabilização da festa.
BNews - Para depois do carnaval o que há de pronto no calendário?
GB - Em março nós teremos o Festival da Cidade com sua segunda edição, mas em uma edição muito maior. O orçamento deste ano ele teve logicamente já algum investimento público, mas para o ano que vem isso vai ser multiplicado pelo menos por três. A gente tem, no primeiro semestre, um evento forte, de maior sustentabilidade, volume do semestre, que é a “Festa da Cultura Latina”. Esse é um evento que a gente pretende deixar como marca da gestão. A gente tem visto o sucesso dos festivais literários no Brasil inteiro, norteado sobretudo pela Festa Literária de Paraty (Flip), que mudou a cara de Paraty e mostrou a cidade para o mundo. A gente vai fazer um festival equivalente à Flip no que se refere a público, mas com outras linguagens artísticas para além da literatura, mas também como música, dança, artes plásticas. Será no Pelourinho focado na cultura latino-americana. Então isto é um evento internacional que a gente de certa forma aposta muito como o novo evento da cidade. Em julho a gente vai ter o fortalecimento do 2 de Julho com uma semana inteira, inclusive muito focado em evento de rua. Ainda em julho nós vamos ter o “Festival Boca de Brasa”, que é um festival que ocupa a cidade com as bandas e grupos artísticos que durante o ano se destacaram. Ele é o projeto maior que a gente vai ter no pilar cultural da cidade. Isso se aflora com o “Festival Boca de Brasa”. Em outubro temos a “Semana da Música”. É um evento que a gente está chamando provisoriamente de “Musicália”, que vai focar durante uma semana também em atividade de música de variados estilos. Então vai ter apresentações de jazz em determinado lugar da cidade, apresentação de rock em outro ponto e isso aí a gente faz ao mesmo tempo em quatro ou cinco dias na cidade. Este projeto já está quase concluído e também viabilizado economicamente. A lógica é criar eventos que a gente posa deixar um legado pra cidade, que possam crescer com o tempo e ter uma sustentabilidade econômica, que não requeiram tanto investimento público mas tenham a capacidade de faze com que o baiano passe a se envolver mais com sua cidade, mas que o turista também possa vir à cidade para ocupar os hotéis e gerar uma economia importante.
BNews – Havia uma previsão de que os artistas que tocarão no Festival da Cidade seriam escolhidos já a partir do ano que vem a partir de editais de seleção. Estes editais já estão prontos?
GB – O primeiro bloco de editais será publicado agora no final do mês de julho na Conferência Municipal de Cultura. A gente está destinando R$ 1 milhão para os editais depois de eu não sei nem dizer quantos anos que a cidade de Salvador não publica editais e cultura. Mas estamos publicando o primeiro edital. Par ao ano que vem a gente tem no mínimo o dobro disso em editais incluindo os do Festival da Cidade. Então a dimensão é muito positiva. Na verdade, a gente chegou em um momento da secretaria que a gente começou a casar os projetos com a viabilidade econômica e eles passam a acontecer. Eu sou muito atirado e, digamos assim, ousado em um lado, mas eu sou conservador no que diz respeito à executabilidade daquele projeto. Eu só estou falando de coisas que são exequíveis, que tenham uma dimensão real. Portanto, enquanto ela não ganhava uma dimensão real a gente preferia não divulgar. Mas agora a situação está chegando num dominador de equação econômica e da pra dizer que nós vamos ter uma secretaria seguramente com um orçamento dez vezes maior do que as políticas de cultura e turismo tiveram nos últimos anos.
BNews – A estratégia agora é basear tudo na questão de investimento financeiro dos patrocinadores? 
GB - Absolutamente dentro do investimento privado. Para você ter uma ideia, todo o orçamento de cultura e turismo da cidade ele gerava para projetos em torno de R$ 3,5 milhões por ano. Eu tenho segurança absoluta de que a partir de 2014 a gente vai ter entre R$ 40 e R$ 50 milhões por ano para os projetos. 
BNews – Então a recente Reforma tributária não fará muita diferença no que diz respeito à formação do Orçamento da pasta no futuro?
GB – Em 1º de janeiro eu assumi a pasta dizendo assim: “eu quero uma pasta que independa do orçamento público”. Esse é o meu compromisso com o prefeito. O prefeito me chamou pra desatar estes nós. Como fazer uma política de cultura e turismo sem orçamento? Lógico que se vier recurso do tesouro municipal vai ser muito bem-vindo. Mas eu tenho segurança absoluta de que o orçamento da secretaria vai multiplicar por 10 já em 2014 simplesmente com estes ajustes de patrocínio e de renegociações que a gente tá fazendo de eventos, calendário como um todo, o próprio Carnaval. Estou falando de coisas já factíveis. 
BNews – Como está sendo este processo de convencimento dos patrocinadores de investir em outras manifestações em Salvador que não só o carnaval? Que espécie de resistência existe neles e que argumentos são usados para convencê-los? Eles não enxergam nenhuma espécie de possibilidade de faturamento?
GB – Existe uma percepção de que determinadas festas não têm um modelo de comercialização que seja factível. Eu vou dar um exemplo quando eu fui discutir a comercialização do 2 de fevereiro. A reação imediata do patrocinador foi “eu patrocino desde que eu coloque nas velas dos barcos de iemanjá a logomarca da minha empresa”. Eu disse “de jeito nenhum”. É inconcebível uma comercialização desse tipo. Então a gente até cedeu comercialmente a utilização de espaços públicos, algumas circunstâncias de exposição de marcas, mas a gente precisou ser muito criativo no modelo de comercialização de marca para não usar simplesmente a festa do 2 de Fevereiro. A gente criou isso com outra concepção que se tem de um equipamento público, como o Mercado Modelo, por exemplo, e como o próprio Carnaval. Então toda esta circunstância desenvolvida conjuntamente acrescida de uma estratégia que a cidade não usava, que é a utilização de leis de incentivo, isso vai favorecer muito a gente.
BNews – Então Salvador vai passar a captar dinheiro nos editais nacionais?
GB - Existe um projeto no Ministério da Cultura da cidade inscrever projetos próprios, que se chama “projetos de cidade”, de até R$ 50 milhões por ano por meio da Lei Rouanet. A cidade de Salvador nunca fez isso. Então nós estamos já agora inscrevendo uma série de projetos. A gente vai chegar no teto máximo de R$ 50 milhões de inscrição. Não quer dizer que vamos conseguir a captação, mas pelo menos a inscrição. Por meio da Fundação Gregório de Matos nós montamos um grupo só para inscrever esses projetos que vão fazer com que a cidade tenha uma possibilidade maior de captar patrocínio. Quer dizer, tudo isso que eu estou falando que é factível eu não estou contando com a Lei Rouanet. Mas a gente tem hoje, claro, uma possibilidade de portas mais abertas que a gente chega com um projeto aprovado pela Lei Rouanet. Isso vai dar uma possibilidade de dar uma alavancada na questão de patrocínio que hoje vão para outras cidades. Salvador, entre as capitais, foi a penúltima em captação de Lei Rouanet no último ano. É uma vergonha para uma cidade culturalmente rica como a nossa. Portanto, esta história a gente está começando a mudar agora.
BNews – Falando nisso, o Ministério do Turismo enviou uma verba para Salvador investir na reforma do Centro Histórico. O processo de revitalização da área se divide como entre prefeitura e Governo do Estado? Onde está o limite das atuações dos dois poderes neste trabalho?
GB – O nosso alinhamento é absoluto. Por determinação do prefeito, a nossa secretaria passou os últimos dias a reconfigurar a gestão do Pelourinho e definir qual é a atuação do Município para o Pelourinho. Então a nossa relação com o Escritório de Referência do Centro Antigo do governo estadual, responsável pela revitalização do Centro Histórico, é uma relação melhor possível. A gente está fazendo uma reunião por semana e esta semana temos mais uma para pensar qual é o papel do governo e qual o papel da prefeitura e os primeiros efeitos começam a surgir. A gente tem agora começado com este plano de reordenamento com esta verba que você falou. O governo ouviu muito a Prefeitura e o debate foi muito positivo para a cidade de forma que a prefeitura cedeu alguns projetos que já tinha na Fundação Mário Leal Ferreira que puderam ser usados para captação de recursos. Logicamente que a verba e a liderança do projeto são do Governo do Estado, mas a prefeitura fez um papel-acessório muito importante para viabilizar esse projeto.
BNews – E qual é a prioridade da prefeitura no planejamento e execução da revitalização?
GB – A nossa missão no Centro Histórico é muito clara. Ela é de que nenhuma política de curto prazo vai funcionar. Então, ontem (segunda, dia 15) a gente conseguiu interditar um estacionamento que cobrava R$ 12 a hora linear – ou seja, não baixava depois disso. Se fosse cinco horas de estacionamento seria R$ 60 – e isso foi uma atuação focada, que deu resultado. Acabamos de fazer um TAC com o proprietário e ele baixou já de R$ 12 para R$ 8. Ou seja, foi uma medida bem-sucedida, mas não são essas medidas isoladas que vão fazer a reconstrução do Centro. O Centro tem um sério problema de imóveis inutilizados que sequer o dono reconhece como seu. A gente tem casos na secretaria da Fazenda em que o órgão notifica determinada instituição para pagar o IPTU e a instituição diz que aquele imóvel não é dela. Ou imóveis que estão há 20, 30 anos abandonados e ninguém sabe de quem é. Ele pode ser de herança, de espólio, uma série de coisas, e a gente vai para uma política de desapropriação desses imóveis. Esta é uma política muito clara que a gente vai fazer para fazer com que estes imóveis voltem a ter uma importância social. Essa é a base que a gente pensa que, sobre ela, entrando dinheiro do PAC das Cidades Históricas que vão começar a mudar a cara. Eu acredito muito nestes projetos em que o poder público interfere para tentar mudar a cara e, a partir daí, o setor privado para continuar esse projeto. Então temos que criar um projeto que seja interessante para a iniciativa privada chegar lá. E isso daí só vai acontecer por meio dos imóveis.
BNews - Que setor privado se interessaria mais por isso? Somente o da Construção Civil?
GB - Não só o setor imobiliário, mas como o de comércio como um todo. Ele vai fazer, por exemplo, com que a Rua Chile volte a acontecer como rua de comércio. Porque hoje a gente só tem alternativa praticamente nos shoppings da cidade. A gente tem poucas ruas de comércio. E o que eu estou falando é totalmente factível. Estou falando de algo que não é uma especulação para daqui a 10 anos. A gente está falando de um projeto que pode dar uma sustentabilidade a partir de que o poder público faça as intervenções iniciais. Vou dar um exemplo no entorno no mercado Modelo. A gente está com um projeto ali que deve custar entre R$ 7 e R$ 8 milhões no entono do mercado e que vai fazer com que o comércio como um todo ganhe uma nova configuração. A partir de um investimento publique que não é enorme a própria economia gira ao redor porque a gente qualifica aquele espaço urbano. 
BNews – É parecido com o projeto da Barra?
GB - É um projeto parecido com o que vai acontecer na Barra. A cidade agora tem uma orientação urbanística. Ela é a de priorizar o pedestre. Entendemos que a cidade precisa de espaço pra carros, mas isso não é a prioridade. Os projetos da Barra, Rio Vermelho e o do Mercado Modelo, que começou a ser feito agora, seguem essa orientação. Então estamos falando de intervenções urbanísticas que têm um valor financeiro grande para o que a prefeitura atravessa atualmente, mas um valor pequeno para a dimensão que ele pode trazer. Na Barra, entre R$ 40 e R$ 50 milhões de investimento, no Rio Vermelho já assegurados R$ 10 milhões e podem vir outros, e no mercado Modelo cerca de R$ 8 mi vão fazer com que as pessoas voltem a se sentir bem andando pela rua, coisa que não é normal em Salvador. Portanto o nosso otimismo Vem daí. Agora, logicamente que a gente sabe que são políticas de médio prazo. O prefeito determinou claramente que não queria hora nenhuma fazer o jogo para a plateia aplaudir. Seria muito fácil para ele pegar toda a possibilidade de investimento que ele tenha e apostar imediatamente em um ganho de espaço político. Ele está apostando no médio prazo. Sabe que gastar um dinheiro grande é uma irresponsabilidade fiscal, porque é gastar um dinheiro que não se tem. Então a gente está trabalhando com criatividade. Eu tenho certeza que na nossa secretaria a gente tem uma dimensão muito clara de que se tem um recurso, a gente está buscando alternativas e é por isso que eu digo com firmeza que a gente vai conseguir apresentar a primeira PPP de fato do governo municipal que é a relação com os patrocinadores do carnaval e dos patrocínios como um todo.
BNews – Existe o plano de separar no futuro as secretarias de Desenvolvimento, Cultura e Turismo na Prefeitura de Salvador?
GB – Eu acho que isso é sempre um desejo sob o ponto de vista conceitual. Quando a gente fala da dimensão da secretaria –e eu vivo a dimensão da secretaria – em desenvolvimento, turismo e cultura, eu fico brincando que a depender do lugar onde eu chego eu ligo um chip e ligo outro (risos). Amanhã (quarta, 17) eu faço uma participação no fórum de empresários da AV. Tancredo Neves sobre a questão do desenvolvimento da região. Eu vim agora de uma reunião sobre o circuito do Carnaval e o Afródromo. Hoje (terça, 16) de noite eu apresento ao prefeito o estudo dos quiosques de praia, da Orla Marítima. Ontem eu cuidei de uma intervenção em um estacionamento do Pelourinho. Quer dizer, o tipo de atribuição que a secretaria tem é muito vasto e isso pode ser uma armadilha. Porque se a gente desconcentra o resultado não acontece. Mas, ao mesmo tempo, isso beneficia uma atuação conjunta. Então eu tenho certeza hoje que a presença da política cultural dentro da secretaria vai faze com que o orçamento da Cultura cresça. Se a cultura estivesse hoje dentro da Secretaria de Educação, certamente ela não teria a dimensão que ela vai ter a partir deste segundo semestre. Mas o sonho da gente sempre é, naturalmente, que determinados eixos que são fundamentais para o desenvolvimento da cidade tenham autonomia e ganhem um orçamento maior. Por isso, eu diria que o sonho de ter uma secretaria de Cultura de um lado, de Desenvolvimento de outro e de Turismo de outro existe, mas a gente tem que saber, por enquanto, aproveitar o benefício deles estarem juntos

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp

Tags

Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)