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Tragédia em Mar Grande: "Quando abri os olhos, eu vi as pessoas sumindo na água", relembra sobrevivente

Adenilson Nunes/BNews

Nesta sexta-feira (24), dia em que a tragédia com a lancha Cavalo Martinho I, em Mar Grande, completa um ano, o BNews traz uma matéria especial sobre o caso

Publicado em 24/08/2018, às 14h40    Adenilson Nunes/BNews    Diego Vieira

Nesta sexta-feira (24), dia em que a tragédia com a lancha Cavalo Martinho I, em Mar Grande, completa um ano, o BNews traz uma matéria especial sobre o caso. Em conversa com a reportagem, familiares das vítimas e sobreviventes relembraram os momentos de pânico durante o naufrágio e desabafaram sobre a espera de Justiça. Assista ao relato de umas das sobreviventes da tragédia:

Joisy Elem Silva, 21 anos 

Estudante do curso de direito em uma faculdade de Salvador, Joisy Elem Silva precisa fazer a travessia todos os dias. No dia da tragédia, ela conta que, por pouco, não embarcou na lancha Cavalo Marinho I.

“O dia anterior ao acidente, eu passei a noite em claro. Quando deu o meu horário e o celular despertou, eu pensei: ‘não vou pegar essa lancha de 6h30, vou deixar para pegar a de 7h’, mas como eu já estava acordada, eu decidi me arrumar e sair".

Habituada com os constantes balanços da embarcação, Joisy diz que demorou a perceber que a lancha estava virando. “Aquilo ali era algo natural e eu já estava acostumada com a viagem, então não era algo que me assustasse. Eu estava com os olhos fechados e lembro que, quando abri, eu vi as pessoas do lado esquerdo sumindo na água. Aí, quando a lancha virou, eu desci junto com todo mundo”.

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Já debaixo d’água, a estudante relata que conseguiu dar um “impulso com os pés em uma das partes da lancha e consegui subir”. Após entrar em um dos botes, onde estavam as vítimas, Joisy ainda salvou a irmã de Davi, filha de Ana Paula. “Eu lembro que antes do acidente, ela estava sentada em minha frente entre duas senhoras. A irmãzinha de Davi estava boiando e eu consegui pegá-la. Quando eu vi as pessoas gritando, chorando, eu custava a acreditar naquilo. Foi muito triste. Nunca imaginei passar por aquilo”, lembra.

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Ainda com traumas, ela chegou a embarcar nas lanchas após o acidente, mas desistiu depois que passou por um susto. A estudante estava na lancha Costa do Sol 2, que foi atingida por um princípio de incêndio, quase dois meses após a tragédia com a Cavalo Marinho. “Foi a primeira vez depois do acidente que peguei a lancha. Nesse dia, eu tinha perdido o ferry e tinha prova na faculdade e o tempo estava bom. Me preparei psicologicamente para pegar a lancha e passei por mais esses momentos de pânico”, contou. 

Assim como os demais sobreviventes e familiares de vítimas, a estudante cobra mudanças no sistema de transporte. 

“Espero que o serviço seja prestado de acordo com a necessidade do povo. Eles estão levando vidas, estão transportando sonhos. São famílias, adolescentes, jovens que estão indo estudar em Salvador. Por conta da negligência humana, da ganância de querer dinheiro e não investir na prestação de serviços, acabou matando 19 pessoas e deixando dezenas de pessoas vivas, mas com sequelas”. 

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