Com quase duas décadas de experiência na Rede Record, Carlos Alves chegou a Salvador para assumir a diretoria da Record Bahia, em substituição a Paulo Droppa. Nesta entrevista ao site Bocão News, a primeira nessa nova empreitada profissional, Alves conta um pouco de sua trajetória na rede, fala sobre projetos e tece comentários sobre a nova casa, a Record Bahia. O novo diretor falou sobre o que acha dos programas populares e profetizou: “na hora certa a gente vai assumir o primeiro lugar”. Confira a entrevista abaixo:
Bocão News: Eu queria que você começasse falando sobre esse novo desafio de assumir a direção da Record Bahia? Carlos Alves: Para mim é uma grande satisfação e tenho como um grande desafio estar aqui em Salvador assumindo uma emissora do porte da Record Bahia. A expectativa é muito grande e a gente espera que durante o período que ficarmos aqui, que não há uma definição, possamos realizar um bom trabalho e fazer com que a Record Bahia cada vez cresça mais, desenvolva mais não só aqui na região, mas em todo o Brasil.
BN: Qual sua trajetória profissional até assumir a direção da emissora na Bahia?
CA: Estou há quase 18 anos no grupo. Já assumi algumas empresas como administrador e diretor executivo, e tive a oportunidade de passar pela Record Santos, logo quando a Rede Record tinha acabado de assumir a emissora. Em seguida fui para Belo Horizonte, onde realizamos trabalho bacana, contratamos a miss Brasil Natália Guimarães, que teve um resultado muito positivo e importante na região. Estive também no RecNov, o nosso centro de teledramaturgia. Lá aprendemos muito a respeito de televisão fazendo novelas e produção de minisséries. Tudo que envolvia a produção, do figurino a maquiagem, tudo estava ligado à diretoria de produção, que foi uma experiência muito positiva. Depois voltei para Belo Horizonte e fui para a Record de Belém do Pará, onde fizemos um trabalho muito positivo. Posteriormente fui para São Paulo, onde assumi a superintendência da Record News e a diretoria de Rede da Record São Paulo, onde conseguimos montar um projeto de qualidade, aperfeiçoamento e criação de identidade visual nas emissoras filiadas da Record. Então, viajávamos pelo Brasil para trabalhar a programação local de cada emissora. Tudo que estava ligado ao vídeo nos atualizávamos, dávamos sugestões de melhorias. Era um trabalho de padronização de identidade visual para que toda a rede tivesse a mesma linha da Record São Paulo.
BN: Carlos, nesse pouco tempo que tem aqui, qual o grande desafio que você detectou na Record Bahia?
CA: O nosso grande desafio na Record Bahia é fazer com que o brasileiro conheça o que de bom essa terra tem. Quando a gente está fora, a gente ouve falar da Bahia, do carnaval, das praias. Mas a Bahia, pelo pouco tempo que estou aqui, é um estado de uma cultura espetacular, de uma culinária sem igual e de um povo encantador. Então, são algumas características que precisamos levar para o Brasil. Quando conseguimos mostrar bem o nosso estado para o restante do Brasil, o brasileiro passa a ter uma visão diferente. É isso que vamos tentar fazer, levar o que há de bom na Bahia e o estilo único do baiano. Temos que fazer a emissora crescer junto com a cabeça de rede, e para isso é preciso ter um destaque em rede nacional. Esse é o nosso desafio.
BN: Queria que você comentasse como a programação da Record Bahia é vista em outros estados. CA: Hoje a Record Bahia já tem uma visibilidade nos telejornais em Rede Nacional. Isso acontece em algumas emissoras pelo Brasil, não em todas. Esse é um processo normal. O que vamos buscar é ampliar a visibilidade e o destaque na programação nacional. Naturalmente, não podemos esquecer de que o mais importante para Record Bahia é valorizar a nossa programação local. Aliás, a nossa é a emissora com maior tempo de programação local em sua grade. Não tem outra emissora que tenha tempo de programação local maior que a Record Bahia. A nossa preocupação em investir na programação local é de não perder esse regionalismo, que é o mais importante. Vamos fazer um trabalho ligado com a rede para ter mais exposição nacional, mas sem perder a identidade, sem perder esse regionalismo. Esse é o trabalho que pretendemos desenvolver ao longo do ano.
BC: Aqui na Bahia a gente percebe que a Record procura se aproximar muito do povo através de programas populares como o Se Liga Bocão e o Balanço Geral. Você pretende intensificar isso e qual o objetivo? CA: Na verdade, a Rede Record adotou uma linha de fazer alguns programas mais populares, que fazem com que a emissora se aproxime mais do telespectador. Eu tenho dito nesses poucos dias que estou na Record Bahia que esse é o papel da televisão. O telespectador não tem por obrigação assistir a Record Bahia. Para ele assistir, a Record Bahia é que precisa conquistá-lo. E só vamos conseguir atrair se nós estivermos inseridos no dia-a-dia dos baianos. Nós precisamos entender como o baiano vive, o que ele gosta, quais os problemas e dificuldades. E quando a gente pega um canal de TV e coloca para participar desse processo, desse dia-a-dia, naturalmente as pessoas tendem a se aproximar mais da emissora; passam a ter admiração. A nossa ideia é manter esse estilo popular. Aliás, ampliar isso para a programação nacional. Para isso vamos pegar apresentadores como Rodrigo Faro, Paulo Henrique Amorim, Gugu e Edu Guedes e fazer o que eu chamo de chamadas de envolvimento com a população local. Então, vamos colocar um falando dos pontos turísticos da Bahia, outro falando de locais que certamente conhece, colocar Edu Guedes para falar da culinária baiana, pegar artistas para falar da cultura, da música. Esse trabalho de envolvimento para nós é muito importante. Eu me importo quando alguém fala positivamente do lugar onde moro, onde vivo, da minha terra. Por isso esse trabalho de aproximação vai continuar e será ampliado.
BN: Falando em programas populares, muitos comunicólogos afirmam que há uma linha tênue entre o popular e o popularesco. Como você pretende trabalhar isso aqui na Record Bahia, que tem vários programas populares?
CA: infelizmente nós não conseguimos agradar a todos. Isso é fato. Os números e a nossa audiência mostram que o telespectador aprova o estilo de programa que é apresentado hoje. Quando eu assisto, vejo como um programa popular, que atende as necessidades da população, que mostra a realidade e presta serviços. Nosso programa tem a linha editorial voltada para a necessidade do telespectador, da sociedade baiana. Quando nós falamos de programa popularesco, é um programa que não atende a necessidade do telespectador. O nosso programa mostra a realidade, o problema, mas mostra as soluções. Essa semana tivemos aqui o governador falando dos recursos que está trazendo para a Bahia, dos recursos para o metrô, da situação da seca, das soluções que ele traz para a greve dos professores. A gente dá uma satisfação para a população. Hoje os nossos programas atendem a necessidade do telespectador.
BN: Agora falando no âmbito nacional, como você avalia o crescimento da Record nos últimos tempos, quebrando a predominância da Rede Globo, e qual a estratégia para assumir a liderança?
CA: há cerca de dez anos alguém dentro da Rede Record disse que seríamos líderes na televisão brasileira. Nesse momento, alguns que estavam na conversa sorriram e disseram que isso seria impossível. A partir daquele momento começou a ser feito um trabalho de qualidade na Rede Record. Nesse caso, qualidade na mão de obra, dos atores, dos apresentadores, dos equipamentos, de tudo o que você mostra para o telespectador. Se tudo o que você mostra para o telespectador você faz com qualidade, a tendência é que o publico fique fidelizado. Com isso a Record montou o RecNov, que é o centro de teledramaturgia e contratou vários artistas que já eram conhecidos da concorrente. Nossos telejornais não perdem em nada para os da nossa concorrente. Você assiste a Record e percebe que não deixamos a desejar na programação. Tudo o que você assiste na Record tem qualidade, consegue agradar. Isso tudo consequentemente fez com que a emissora viesse paulatinamente crescendo a audiência e assumisse o segundo lugar, que hoje está consolidado. Trabalhamos para chegar ao primeiro lugar? Trabalhamos. Mas não dá para dizer se vai ser daqui a um ou dois anos. É um caminho que começamos a percorrer e que não tem mais volta. Eu acho que a decisão de assumir o primeiro lugar está mais por conta do telespectador, que passa ater possibilidade de através do controle remoto assiste ao programa que mais agrada. Esse trabalho de qualidade e valorização da programação é que vai conquistar o telespectador. Creio que na hora certa a gente vai assumir o primeiro lugar.
BN: Tem também os grandes eventos como as Olimpíadas, não é?
CA: Estamos investindo milhões de reais na transmissão das Olimpíadas de Londres, o que antigamente era uma exclusividade da concorrente que transmitia apenas algumas horas, alguns trechos do evento. A Record está se dedicando ao projeto. Vamos ter uma transmissão espetacular, a exemplo do que foi o Pan-americano do ano passado.
BN: Como foi o contato inicial com a equipe da Record Bahia?
CA: Eu estava conversando com minha esposa e com amigos que me telefonaram assim que souberam que eu viria para Salvador e disse que não poderia ter sido recebido de forma melhor. Todos sendo muito hospitaleiro e com muito entusiasmo. É complicado chegar em uma cidade, um estado onde você não conhece ninguém. Você tem que conquistar as pessoas. Não são os baianos que precisam me conquistar e sim eu que preciso conquistar os baianos. Como a gente não é político, não podemos fazer promessas. Não é o meu perfil. Mas a forma como as pessoas recebem a gente define como será a nossa passagem pela emissora. Aqui as pessoas me receberam sorrindo, com boas vibrações de coração. A emissora tem profissionais de altíssima qualidade, uma equipe muito disposta e querendo vencer, fazer o melhor, fazer a televisão que o baiano gosta. Estou muito feliz e acredito que a emissora também tem esse mesmo entendimento. Acho que vai ser uma passagem positiva para todo mundo.
BN: Como a Record Bahia está se preparando para a cobertura do São João no interiro do estado?
CA: Já estou por dentro da situação. Os projetos de cobertura continuam. Faremos a transmissão dessa grande festa e o baiano pode esperar o melhor da Record.
BN: Queria que você finalizasse a entrevista dizendo o que espera dos baianos e o que pretende agregar na Record Bahia.
CA: Espero que o baiano, com esse jeito sem igual, continue ligado na programação da Record. O sucesso, sendo da Record e do telespectador, vai fazer com que a Bahia cresça cada vez mais. Desejo sucesso para você, sucesso para os internautas e para a Record Bahia.