Esporte

Bicampeão brasileiro que recebeu proposta de R$ 1 bilhão por SAF acumula salários atrasados e fracassos em campo

Divulgação | Guarani FC
Bicampeão brasileiro enfrenta salários atrasados, eliminações e instabilidade na gestão enquanto negocia venda da SAF  |   Bnews - Divulgação Divulgação | Guarani FC
Alex Torres

por Alex Torres

Publicado em 13/10/2026, às 19h13 - Atualizado às 19h38



O Guarani Futebol Clube atravessa uma grave crise financeira e esportiva. Mesmo após receber uma proposta superior a R$ 1 bilhão pela venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF), o Bugre acumula salários atrasados, eliminações precoces e dificuldades para retornar à Série B do Campeonato Brasileiro.

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A fase delicada coincide com os dois anos de Rômulo Amaro na presidência do clube. O dirigente assumiu em outubro de 2024, quando o Guarani ainda disputava a Série B do Brasileirão. Semanas depois, o alviverde campineiro foi rebaixado à Série C e não conseguiu sair nas duas temporadas seguintes.

Nesta temporada de 2026, o Bugre fez uma campanha muito abaixo das expectativas, sendo eliminado na primeira fase da competição, apesar de contar com uma das maiores folhas salariais do campeonato. Em 2025, a equipe teve um rendimento melhor, quando chegou a disputar a segunda fase, mas falhou no objetivo. 

Vale destacar que os fracassos não se restringiram ao Brasileirão. Em 2025 e 2026, o Guarani foi eliminado na primeira fase do Campeonato Paulista e, neste ano, caiu diante do Castanhal na segunda fase da Copa do Brasil.

No período de Amaro no clube, a equipe campineira passou pelas mãos de seis treinadores: Allan Aal, Maurício Souza, Marcelo Fernandes, Matheus Costa, Élio Sizenando e Umberto Louzer. Além disso, três executivos de futebol ocuparam o cargo durante a gestão: Rodrigo Pastana, Farnei Coelho e Carlos Frontini.

Raphael Silvestre | Guarani FC
Rômulo Amaro, presidente do Guarani - Foto: Raphael Silvestre | Guarani FC

ATRASOS SALARIAIS

Com relação ao momento financeiro do clube,  uma matéria publicada pelo GE revelou que o Guarani acumula débitos referentes aos salários em carteira de julho, agosto e setembro, além dos direitos de imagem de junho a setembro. Funcionários também foram afetados, e não há previsão para regularização.

A crise já chegou à Justiça do Trabalho, onde o lateral-direito Ynaiã acionou o clube e cobra aproximadamente R$ 299 mil, além de pedir a rescisão indireta do contrato. Outros jogadores também recorreram à Justiça por pendências financeiras.

SAF DO GUARANI

Em meio à crise, o Guarani tenta avançar nas negociações com o empresário Roberto Graziano, interessado em adquirir 90% das ações da SAF. A primeira versão da proposta previa investimentos de R$ 1,075 bilhão, distribuídos entre o futebol, a construção de um novo estádio, um centro de treinamento e o pagamento de dívidas.

No dia 2 de outubro, os associados aprovaram a constituição da SAF com 95,1% dos votos válidos. A decisão, entretanto, não representa a conclusão da venda. O contrato de investimento passou por novas alterações e ainda depende da análise do Conselho Deliberativo e de votação dos sócios.

Enquanto aguarda uma definição sobre a operação bilionária, o Guarani precisa solucionar os atrasos salariais e iniciar o planejamento para 2027. O objetivo será tentar, mais uma vez, conquistar o acesso à Série B e interromper a sequência de resultados negativos.

BICAMPEÃO BRASILEIRO

Um dos clubes mais tradicionais do futebol paulista, o Guarani possui dois títulos nacionais em sua história. O Bugre conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978, tornando-se o primeiro e, até hoje, único clube do interior do país a levantar o principal título do futebol nacional.

Três anos depois, em 1981, o clube de Campinas voltou a conquistar uma competição nacional ao ficar com o título da Série B do Campeonato Brasileiro. As duas conquistas fazem com que o Guarani seja considerado bicampeão brasileiro.

Além dos títulos, o Bugre também ficou conhecido pela formação de grandes jogadores ao longo de sua história. As categorias de base do Alviverde revelaram nomes como Careca, Neto, Evair, Amoroso, Luizão e Elano, que defenderam grandes clubes do futebol brasileiro e mundial, além de também chegarem à Seleção Brasileira.

Classificação Indicativa: Livre

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