Esporte

Demissão de Jair Ventura mantém tabu de duas décadas no Vitória

Reprodução / Victor Ferreira / EC Vitória
A demissão de Jair Ventura, nesta segunda-feira (2), mantém vivo um tabu histórico que acompanha o Vitória desde 2006 e que parece não terminar tão cedo  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Victor Ferreira / EC Vitória
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 02/11/2026, às 16h38



A demissão de Jair Ventura nesta segunda-feira (2) não apenas reflete o momento de tensão na Toca do Leão, mas mantém vivo um tabu histórico que acompanha o Vitória desde 2006. Com a queda do treinador, o Rubro-Negro completará a 21ª temporada consecutiva sem que um mesmo técnico inicie e termine o calendário esportivo de forma efetiva.

A última vez que o Vitória disputou uma temporada inteira comandado por um único treinador foi em 2005, com Renê Simões. Contratado no final de 2004, ele seguiu no cargo até o encerramento do ano. Apesar da conquista do Campeonato Baiano, a temporada terminou de forma trágica com o 16º lugar na Série B e o primeiro rebaixamento do clube à Série C. Desde 2006, a rotatividade no banco de reservas virou regra, com ao menos uma alteração no comando por ano.

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Queda e alerta na tabela

O desligamento de Ventura acontece apenas dois dias após a derrota por 2 a 0 para o Coritiba, pela 33ª rodada da Série A. O tropeço intensificou a pressão no Vitória, que atualmente está na 14ª colocação com 38 pontos, perigosamente a apenas dois pontos da zona de rebaixamento. A equipe não vence há quatro partidas e segue sem vencer como visitante na atual edição. No ano, o time faturou a Copa do Nordeste, foi vice-campeão baiano e chegou às quartas da Copa do Brasil.

O mais perto de quebrar o ciclo vicioso

Quem chegou mais perto de quebrar a maldição de não ser demitido ao longo desses anos foi Vagner Mancini. O profissional teve passagens que duraram mais de um ano (de junho de 2015 a setembro de 2016, e de julho de 2017 a julho de 2018). No entanto, como assumiu a equipe com as temporadas já em andamento, também não conseguiu iniciar e encerrar o mesmo ano à frente do time. O extremo oposto foi vivido em 2019 e 2020, quando o clube chegou a utilizar cinco técnicos efetivos em cada ano.

Em 2025, por exemplo, o Leão teve quatro técnicos. O clube iniciou com Thiago Carpini, passou por Fábio Carille e Rodrigo Chagas, até chegar ao próprio Jair Ventura em setembro. Sob o comando de Ventura, a equipe escapou do rebaixamento de forma heroica na última rodada, batendo o São Paulo no Barradão.

Se levarmos em consideração apenas a atual década, iniciada em 2021, Jair Ventura teve o terceiro trabalho que mais durou à frente do comando técnico do Leão. O treinador completou 404 dias no cargo, com 70 partidas, 31 vitórias, 12 empates e 27 derrotas. Jair só fica atrás de Carpini, que ficou 421 dias, e Léo Condé, com 459 dias no comando do rubro-negro baiano na década.

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Decisões e a guilhotina do Brasileirão 

Sem tempo a perder, o novo substituto encontrará o Vitória com cinco finais pela frente para garantir a permanência na elite. O primeiro desafio será nesta sexta-feira (6), às 20h, em um duelo decisivo contra o Fluminense, no Barradão. Na sequência, a tabela reserva confrontos contra Red Bull Bragantino, Internacional, Santos e Vasco.

Jair Ventura é o 21º técnico demitido no Brasileirão. Apenas cinco clubes não mudaram de comando neste ano, sendo o Mirassol o único a brigar contra o rebaixamento sem trocar sua comissão.

  • Palmeiras (Abel Ferreira)
  • Bahia (Rogério Ceni)
  • Athletico-PR (Odair Hellmann)
  • Red Bull Bragantino (Vagner Mancini)
  • Mirassol (Rafael Guanaes)

Na contramão, equipes como Vasco, Remo, São Paulo, Botafogo, Chapecoense e Corinthians já realizaram mais de uma demissão ao longo da atual edição da Série A.

Classificação Indicativa: Livre

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