Esporte

Entre a rotina exaustiva e o triatlo: Conheça o Jhon Lenon baiano que encontra no esporte sua chance de transformação

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John conta que sua história no esporte começou cedo, aos 15 anos  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Arquivo Pessoal
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 10/12/2025, às 05h00



Um jovem soteropolitano, de 23 anos, chamado Jhon Lenon, mas que não empunha guitarras nem pisa em palcos musicais, vem construindo sua própria história em outro tipo de cenário: o esporte.

Jhon Lenon Conceição dos Santos recebeu o nome em homenagem aos Beatles, mas hoje é funcionário de serviços gerais em um condomínio e transforma a rotina puxada de trabalho em combustível para se tornar triatleta.

Discreto, determinado e humilde, ele treina todos os dias depois do expediente, sem pedir nada a ninguém, movido pela fé, pela família e pela certeza de que o esporte é seu caminho.

Jhon conta que sua relação com o esporte começou cedo, aos 15 anos, quando entrou para as corridas de rua. “Eu venho da corrida desde os 15 anos, cresci competindo em várias provas. O triatlo só entrou na minha vida agora”, afirma. A vontade de se desafiar o levou a abraçar a nova modalidade.

“Eu sempre admirei o triatlo. Senti que era hora de me desafiar de um jeito diferente, um jeito novo. O meu professor Rafael Peralva e sua assessoria me abraçaram de um jeito diferente e estão me apoiando até hoje”, relata.

Trabalho e treinos
Conciliar a rotina pesada com os treinos é hoje seu maior desafio. Ele trabalha em horário comercial no condomínio e usa o tempo livre para correr e nadar. “Meu maior desafio é encontrar tempo. Como estou começando no triatlo, tenho que dividir treinos e trabalho. Tem dia que é puxado, mas organizando bem e mantendo o foco, dá para resolver tudo”, diz.

Sua rotina é “simples, mas disciplinada”: “Encaixo o treino cedo ou à tarde, dependendo do meu horário. Já venho de uma base forte da corrida. Agora estou incluindo a natação. A bike ainda não, porque no momento não tenho. Mas em breve vou colocar no meu dia a dia”.

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Sem condições financeiras para investir no esporte, Jhon se vira como pode para continuar. A maior motivação, diz ele, vem de casa e da fé. “Minha maior motivação foi minha família, que sempre acreditou em mim, e principalmente minha fé em Deus, que sempre me coloca de volta ao caminho quando bate o cansaço ou o desânimo.”

Ele tenta manter uma alimentação equilibrada: “Procuro comer coisas que me deem energia para treinar bem. Não é perfeito, mas busco fazer boas escolhas”.

Apoio e sonhos
Mesmo no início da trajetória no triatlo, Jhon já começou a colher frutos. Recentemente, disputou uma prova de corrida e ficou em segundo lugar. Para competir, contou com a solidariedade de amigos, que organizaram uma arrecadação e compraram uma bicicleta usada de R$ 2.500.

“Foi uma prova especial para mim, porque o trabalho que venho fazendo na corrida continua dando frutos. Cada pódio é um incentivo para continuar no triatlo”, comemora.

Ele guarda com carinho as lembranças do início: “O mais marcante foi quando comecei lá atrás, com 15 anos, e percebi que o esporte fazia parte de quem eu sou. Desde então, cada corrida e cada treino fazem parte da história que estou construindo agora”.

John competindo em prova de corrida
Reprodução / Arquivo Pessoal

No caminho, aprendeu lições que leva para a vida. “Aprendi que a disciplina vale mais que o talento. Não adianta ter talento se você não tem disciplina diária. Também aprendi que a jornada vale mais do que qualquer medalha”, reflete.

A rede de apoio, enfatiza, é essencial. “O apoio da minha família e amigos tem sido fundamental. Quando alguém manda mensagem dizendo que torce por mim ou que começou no esporte por minha causa, isso muda meu dia”, conta. Ele faz questão de agradecer: “Minha amiga Aureci tem me ajudado muito e me incentivado sempre. E minha assessoria tem me dado suporte desde o início”.

Com poucos recursos, o triatleta ainda precisa de itens básicos para treinar e competir com segurança. “Como estou começando no triatlo, além da bicicleta, preciso do básico: capacete, sapatilha e macaquinho. O resto a gente resolve depois”, diz.

Para o próximo ano, já há um objetivo definido: “Quero fazer minha primeira prova de triatlo, viver essa experiência, continuar evoluindo, conquistar novos pódios e, quem sabe, representar minha cidade em competições maiores, como o Ironman. Mas, acima de tudo, quero viver o esporte com alegria e leveza”.

Assim como o famoso John Lennon eternizou canções sobre paz e sonhos, o baiano mostra que sonhar também é um ato de coragem, e o esporte, um caminho de transformação. Ele deixa um recado para quem deseja começar:

“O que eu digo é: não espere o momento certo. O momento perfeito começa com o que você tem. O importante é dar o primeiro passo e não desistir. Com disciplina, humildade e coragem, qualquer pessoa pode transformar a própria vida através do esporte. E como sempre falo: ‘meta as caras’”, afirma, rindo.

No fim, ele volta à sua base: “Minha fé em Deus, minha família, minha esposa principalmente e a certeza de que estou construindo algo importante. Lembrar de onde comecei e ver o quanto já evoluí”.

Classificação Indicativa: Livre

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