Esporte

Estádio histórico vira impasse e gigante europeu busca financiamento de R$1,7 bilhão para terminar reforma

Divulgação / FC Barcelona
Clube espanhol negocia 300 milhões de euros para finalizar obras do estádio histórico, com apoio do Goldman Sachs na estruturação.  |   Bnews - Divulgação Divulgação / FC Barcelona
Cauan Borges

por Cauan Borges

borgesjornalismo2023@gmail.com

Publicado em 24/09/2026, às 17h46



Invicto na atual temporada do futebol europeu, o Barcelona está em busca de novos recursos para concluir as obras do Spotify Camp Nou, estádio histórico do clube catalão inaugurado em 24 de setembro de 1957, e completa 69 anos nesta quinta-feira (24).

A diretoria dos 'Culés' negocia com investidores a emissão de 300 milhões de euros em títulos de dívida, valor equivalente a aproximadamente R$1,7 bilhão, para financiar a etapa final do projeto, que acumula atrasos e custos adicionais.

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A operação prevê três séries de títulos, com vencimentos que podem chegar a 30 anos. O Goldman Sachs é responsável pela estruturação da negociação, segundo pessoas próximas às tratativas ouvidas sob condição de anonimato.

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A nova captação integra um pacote financeiro de 510 milhões de euros aprovado recentemente por representantes do clube. Além de bancar a continuidade das obras do Camp Nou, o dinheiro deverá ser utilizado para cobrir despesas provocadas pelo prolongamento do cronograma e alterações feitas no projeto original.

Entre as modificações estão a criação de novos espaços VIP e de hospitalidade, a ampliação das áreas destinadas ao museu do clube e investimentos na infraestrutura de conectividade 5G.

A expectativa é de que a nova emissão seja realizada entre outubro e novembro. Durante um Investor Day promovido na semana passada, o Barcelona teria identificado interesse de investidores atuais e de novos interessados nos títulos.

O clube e o Goldman Sachs não comentaram oficialmente as informações sobre a operação. A reforma do Camp Nou também tem provocado impactos financeiros no Barcelona. Nas últimas três temporadas, o clube precisou mandar seus jogos longe de sua casa tradicional devido às obras.

Durante parte do período, a equipe atuou no Estadi Olímpic Lluís Companys, em Montjuïc, que possui aproximadamente metade da capacidade do Camp Nou. Em outro momento, o Barcelona passou a utilizar uma versão ainda limitada do próprio Spotify Camp Nou, com capacidade para cerca de 63 mil torcedores. O planejamento prevê que o time volte a jogar em Montjuïc no primeiro semestre da temporada 2027/28, enquanto as intervenções no estádio não forem concluídas.

O projeto Espai Barça foi inicialmente financiado com € 1,45 bilhão em dívida. A reformulação prevê elevar a capacidade do estádio para aproximadamente 105 mil espectadores, além da construção ou ampliação de áreas destinadas a diferentes modalidades esportivas, museu, loja e outros espaços.

Novos títulos terão juros maiores

Outro ponto aprovado pelos representantes do Barcelona foi a emissão de 210 milhões de euros em títulos de renda fixa vinculados a receitas futuras provenientes dos direitos de transmissão da La Liga e da UEFA. Esse tipo de operação é conhecido como media notes. Metade desse montante já havia sido comercializada em julho.

Os títulos possuem prazo de até dez anos e seguem uma estrutura na qual o valor principal é pago apenas no vencimento. Os novos 300 milhões de euros destinados ao estádio serão incorporados ao mecanismo de securitização utilizado para financiar o Espai Barça. Os credores da dívida original haviam concordado em suspender a cobrança de juros até 2026, período em que a conclusão das obras era inicialmente esperada.

Com a elevação das taxas de juros, a nova dívida deverá ter um custo maior para o clube. As media notes negociadas em julho tiveram juros próximos de 5,14%. Para os novos títulos, a estimativa é de uma taxa entre 5,75% e 6%, com os papéis ligados ao estádio próximos ao limite superior dessa faixa.

A conclusão do Espai Barça é considerada pelo clube uma peça importante para a expansão das receitas nos próximos anos. Com o retorno definitivo ao Camp Nou reformado, o Barcelona projeta uma receita superior a 1,45 bilhão de euros, cerca de R$8,5 bilhões, na temporada 2030/31.

A expectativa do clube é de que o Ebitda, indicador que representa o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ultrapasse € 370 milhões, aproximadamente R$2,17 bilhões. Para a temporada 2025/26, a projeção é de uma receita de 1,06 bilhão de euros, equivalente a cerca de R$6,21 bilhões, e Ebitda de 184 milhões de euros, aproximadamente R$1,08 bilhão.

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