Esporte

Ex-Bahia troca futebol por YouTube após prisão e deportação na Europa

Rafael Rodrigues/EC Bahia
Maxvaldo, que já atuou no Bahia, agora vive na Europa e usa sua experiência para conectar-se com brasileiros que sonham em viver fora do país  |   Bnews - Divulgação Rafael Rodrigues/EC Bahia
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 12/04/2026, às 10h35



A história de Maxvaldo de Jesus Lisboa parece roteiro de filme. Com passagem pelas categorias de base do Bahia, o brasileiro trocou os gramados pela vida na Europa e acabou encontrando um novo caminho: virou criador de conteúdo e hoje compartilha sua rotina na Suíça para milhares de seguidores.

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 Ao lado da esposa, Pâmela, ele comanda o canal “Pâmela e Max na Suíça”, que já ultrapassa a marca de 60 mil inscritos. A ideia surgiu de forma inesperada, após receber um youtuber brasileiro em casa, na cidade de Rorbas.

Instagram
Reprodução/Instagram

“Eu sempre fui muito reservado, nunca gostei de me expor. Mas gostava de assistir conteúdos. Um dia, convidei um criador para ficar aqui em casa e, quando fui buscá-lo no aeroporto, ele começou a gravar. Disse que eu precisava criar um canal. A partir dali, o pessoal começou a pedir”, contou.

O início foi imediato e surpreendente. Antes mesmo de postar vídeos, o canal já havia alcançado cerca de 20 mil inscritos. O primeiro conteúdo, contando a história do casal, bateu dezenas de milhares de visualizações em poucos dias.

O crescimento nas redes acabou ultrapassando o alcance digital. Em uma visita ao Brasil, Max organizou um encontro com seguidores em São Paulo e se impressionou com a repercussão.

“Eu não tinha dimensão. Em duas horas, marquei um encontro em um shopping e apareceram 45 pessoas. Isso não é normal. Eu quero manter essa conexão e mostrar como é viver fora do Brasil”, disse.

A trajetória até esse momento, porém, passou longe de ser simples. Há cerca de 25 anos na Suíça, o brasileiro chegou a ser preso e deportado após ultrapassar o tempo permitido de permanência no país.

“Eu estava há seis meses no país e poderia ficar apenas mais três. Resolvi arriscar e ficar ilegal. A polícia descobriu, fui preso e deportado. Fiquei quatro dias detido. Nunca tinha passado por isso”, relembrou.

Após cumprir o período de quatro anos impedido de retornar, Max conseguiu regularizar a situação e hoje possui autorização permanente para viver no país. Fluente em quatro idiomas, alemão, italiano, espanhol e francês, ele construiu uma nova vida fora do futebol.

Durante a carreira, além de atuar em clubes locais, precisou conciliar o esporte com outros trabalhos para se manter. Chegou a trabalhar como pintor e, atualmente, atua em uma empresa do setor industrial, ligada à produção de materiais metálicos utilizados em tecnologia.

Mesmo com a estabilidade, a adaptação à cultura europeia não foi fácil. Segundo ele, o comportamento mais distante dos suíços foi um dos maiores desafios.

“As pessoas são muito frias. Morei cinco anos em um prédio e não conhecia nenhum vizinho. No primeiro mês, eu queria voltar, mas tinha prometido que não retornaria ao Brasil sem conquistar algo”, afirmou.

Hoje, longe dos gramados, Max encontrou na internet uma forma de se reconectar com o público, e transformar uma trajetória marcada por dificuldades em conteúdo que inspira brasileiros interessados em viver fora do país.

Classificação Indicativa: Livre

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