Esporte

Ex-controlador da SAF do Vasco, Josh Wander admite fraude milionária na Justiça dos EUA

Daniel Carvalho/CRVG
Cofundador da extinta 777 Partners confessou ter falsificado balanços com softwares básicos e empenhado garantias fictícias para bancar rede de futebol e despesas de luxo.  |   Bnews - Divulgação Daniel Carvalho/CRVG

Publicado em 16/10/2026, às 11h31 - Atualizado às 12h16   Gabriel Dinis



O empresário norte-americano Josh Wander, cofundador da 777 Partners e ex-controlador da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Vasco da Gama, declarou-se formalmente culpado perante a Justiça Federal dos Estados Unidos por liderar um esquema criminoso de fraude financeira estimado em cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,54 bilhões).

A confissão foi homologada na Corte Distrital de Manhattan, em Nova York, perante o juiz distrital J. Paul Oetken. Wander admitiu a prática de dois crimes federais: fraude eletrônica e fraude contra o sistema de valores mobiliários.

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Cada uma das duas acusações prevê pena máxima de até 20 anos de prisão. Em tese, caso o magistrado decida aplicar as punições de forma consecutiva (somadas), a pena teórica máxima pode atingir 40 anos, embora no sistema federal norte-americano a praxe seja o cumprimento concorrente (simultâneo) ou a redução por força do acordo de admissão de culpa.

A dosimetria final da sentença foi agendada para o dia 1º de março de 2027.

Balanços no Paint e ativos duplicados

De acordo com o comunicado oficial dos promotores federais, Wander comandou durante anos uma engenharia fraudulenta para viabilizar empréstimos astronômicos sem dispor de lastro financeiro real. Entre as práticas admitidas pelo próprio empresário estavam:

Documentos adulterados: Manipulação de balanços, relatórios contábeis e extratos bancários com editores de imagem simples (como Microsoft Paint).

Garantias duplas e fictícias: Apresentação dos mesmos bens como garantia simultânea para credores distintos, além da inclusão de patrimônios que sequer pertenciam ao grupo.

Maquiagem temporária de contas: Movimentações de saldos para contas corporativas nas datas exatas de vistorias de auditoria, simulando reservas financeiras que eram sacadas imediatamente após as inspeções.

As investigações do Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) comprovaram que o dinheiro obtido ilegalmente tinha dois destinos primordiais: alimentar as operações deficitárias da rede global de clubes montada pela 777 Partners e bancar gastos particulares de Wander, como faturas de cartões de crédito e aportes diretos em sua carteira individual de corretagem.

A queda de Wander ocorreu após a delação de Damien Alfalla, ex-diretor financeiro da 777, que já havia confessado sua participação e passou a cooperar integralmente com as autoridades norte-americanas.

A denúncia que implodiu a 777

O declínio público do conglomerado teve início em maio de 2024, quando a dona da SAF foi processada nos Estados Unidos por fraude financeira. A acusação, movida pela gestora britânica Leadenhall Capital Partners, cobrava uma dívida de R$ 1,7 bilhão e alegava que o sócio-fundador Josh Wander deu em garantia ativos inexistentes ou já alienados em outros empréstimos. A crise se alastrou rapidamente pelos investimentos do grupo, resultando na falência da empresa aérea australiana Bonza e no veto da Premier League à compra do Everton, na Inglaterra.

Blindagem em São Januário

Os reflexos da crise chegaram imediatamente ao futebol brasileiro. Diante do risco iminente de insolvência da parceira americana, o Vasco da Gama ingressou com uma medida cautelar de urgência.

Em maio de 2024, a Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido do Vasco e retirou o controle da SAF das mãos da 777 Partners. Na decisão liminar, o juiz Paulo Assed Estefan, da 4º Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), invocou o artigo 477 do Código Civil para suspender os efeitos dos contratos de investimentos e acordos de acionistas com a 777 Carioca LLC.

A ordem judicial destituiu os cinco conselheiros indicados pela companhia, incluindo Josh Wander e seu sócio Steven Pasko.

Desde a decisão da Justiça, o departamento de futebol do Vasco permanece gerido pela diretoria associativa.

Classificação Indicativa: Livre

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