Esporte
A decisão da Fatal Fans de investir R$22 milhões para estampar sua marca na camisa do Corinthians até 2027 faz parte de uma estratégia que vai além do retorno financeiro imediato. Além do 'Coringão', a marca estampa clubes como Operário e Vila Nova.
A empresa, que pertence à Atlas Technologies e já esteve presente no uniforme do Vitória por meio da Fatal Models, afirma que o objetivo é aproximar o mercado de conteúdo adulto do público em geral e reduzir o estigma em torno do segmento.
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Em entrevista à Folha de S.Paulo, o cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que a associação com um dos maiores clubes do país busca transmitir credibilidade à plataforma. Segundo o executivo, o investimento não se sustenta apenas pelos números.
Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose. É por isso que a gente fez esse investimento no Corinthians. Porque, se fizermos um cálculo do retorno deste investimento, não há conta que o justifique", afirmou Samuel.
O Corinthians entende que a Fatal Fans não é uma plataforma de conteúdo adulto, e sim uma plataforma de conteúdo exclusivo.
— Gols do Brasileirão ⚽️🇧🇷 (@golsdobrasil1) July 21, 2026
— UOL
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A Fatal Fans funciona por meio de assinaturas para acesso a conteúdos produzidos por criadores adultos, enquanto a Fatal Models reúne perfis de acompanhantes. A primeira conta, segundo a empresa, com cerca de 30 mil criadores e aproximadamente 7 milhões de acessos mensais. Já a Fatal Models, que patrocinou o Vitória, registra cerca de 30 milhões de visitas por mês e projeta faturamento de R$180 milhões em 2026.
O acordo com o Corinthians foi fechado em meio à grave crise financeira vivida pelo clube paulista, cuja dívida gira entre R$2,4 bilhões e R$2,7 bilhões. Apesar do alívio financeiro proporcionado pelo contrato, o patrocínio desencadeou discussões sobre os limites da publicidade ligada ao mercado adulto no esporte, principalmente em relação à exposição de crianças e adolescentes.
Para Ongaratto, o receio em volta do patrocínio tende a ser exagerado. O empresário também minimizou o impacto da publicidade para o público infantil e, na avaliação do empreendedor, a discussão é válida, mas frequentemente cercada por preconceitos.
Pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por medo de que ele colocasse um vírus no seu computador, tenham tranquilidade para acessá-lo. Eu me preocuparia mais com uma criança no estádio de futebol vendo o tiozão do lado xingando a mãe do juiz do que com uma propaganda sobre a qual eu acho improvável que ela pergunte alguma coisa," destacou Samuel.
O patrocínio motivou representações no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e inspirou projetos de lei que propõem restringir a publicidade de plataformas de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos.
Durante a entrevista, Ongaratto também comentou sobre os mecanismos de controle de idade. Segundo Samuel, a Fatal Models foi a primeira empresa do setor a implementar um sistema de verificação após mudanças na legislação, mas o recurso acabou sendo suspenso temporariamente.
Fomos a primeira empresa a implementar esse sistema, em março, quando a lei entrou em vigor. Mas a ANPD informou que a fiscalização dos sites adultos só começaria em janeiro do próximo ano. Ficamos sozinhos no mercado operando com aferição de idade", comentou.
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