Esporte

Fábio Mota revela consequências drásticas para o Vitória após proibição das bets: “O rombo é muito maior”

Reprodução / Victor Ferreira / EC Vitória
O presidente do Vitória, Fábio Mota também revelou que o clube poderá ter de vender jogadores para compensar a perda de receitas  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Victor Ferreira / EC Vitória

Publicado em 28/09/2026, às 20h55   Por Leonardo Oliveira, Tácio Caldas e Marcello Góis



O presidente do Vitória, Fábio Mota, revelou, em entrevista ao Arena BNews, nesta segunda-feira (28), que o clube poderá ter de vender jogadores para compensar a perda de receitas após a rescisão do contrato com uma bet. Segundo o dirigente, o acordo com a 7K fazia parte do planejamento financeiro rubro-negro e iria até dezembro de 2027.

“Em cima desse contrato e do valor a receber, o Vitória fez seu planejamento financeiro. O Vitória foi à Justiça do Trabalho, fez o acordo global para pagar as parcelas por mês. O Vitória foi à CNRD, fez o acordo para pagar as prestações da CNRD. Foi ao Governo Federal, parcelou o imposto para pagar o PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). Isso tudo calçado no contrato que ele tem com a bet, que ele recebe por mês para poder pagar”, disse o mandatário.

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Mota criticou a forma como ocorreu a interrupção do contrato e a falta de uma transição justa e adaptação após a medida do Governo. “De uma hora para outra, você acorda no outro dia e esse contrato foi extinto. E, da forma que foi feito pelo Governo Federal, não permite que você receba nem a multa, nem a rescisão do contrato da bet. Então, eu acho que faltou uma transição. Isso foi feito na Premier League, eles deram um ano para adaptação. Não estou defendendo as bets, repito. Eu acho que a forma como foi feita foi equivocada e virou terra arrasada para os clubes brasileiros, para o Vitória, que tinha esse contrato”, disse.

Impacto no orçamento 

De acordo com Mota, a perda de receita vai além do patrocínio na camisa e inclui valores relacionados às placas de publicidade no estádio. Ele estimou que o Vitória deixará de receber R$ 2,5 milhões por mês neste fim de ano e apontou um rombo de R$ 45 milhões no próximo. 

“O rombo é muito maior do que o patrocínio da camisa. Os clubes brasileiros têm contratos de patrocínio das camisas e têm dinheiro das placas de estádio, aquelas placas que fazem as propagandas ao redor do jogo”, explicou.

“Como não recebemos o mês passado, são R$ 10 milhões. E, no ano que vem, um rombo de R$ 45 milhões, quando nós já tínhamos um contrato e esse dinheiro já estava computado”, acrescentou.

O dirigente explica que a falta dos repasses pode comprometer o pagamento de acordos firmados pelo clube e consequências drásticas. “Você agora não tem dinheiro para pagar a CNRD, vai tomar transfer ban. Não tem dinheiro para pagar a Justiça do Trabalho, vai ter as contas bloqueadas. Não tem dinheiro para pagar o PERSE, vai perder o PERSE”, alertou. 

“O PERSE foi uma conquista que a gente conseguiu. A gente diminuiu pela metade a dívida do clube para conseguir fazer o PERSE. Quando você deixa de pagar o PERSE, a dívida do clube volta para o valor original e você perde. Então, as consequências são muito graves, muito grandes. Repito e digo: a forma não foi adequada. Teria que se ter uma transição. Você dizer: “Tudo bem, o contrato acabou, certo? Vocês têm três meses para procurar novos patrocinadores”, e por aí vai. Ou uma MP que dissesse: ‘O contrato acabou, mas as bets vão ser obrigadas, por tudo que já ganharam nesse país, a honrar pelo menos até o fim do ano com quem tem contrato’. Poderia ter feito dessa forma, entendeu? Mas nada disso foi feito. Então, caiu e estourou para os clubes. E clube que tem dificuldade financeira, como o Vitória, pior ainda”, disse.

Venda de ativos 

Ao ser questionado sobre como o Vitória pretende fechar as contas, Mota apontou a negociação de atletas como uma das saídas para enfrentar a perda de receita. 

“Só resta para a gente agora vender ativo, vender jogador para tentar fechar o rombo e o buraco que ficou. Não tem outra alternativa. Vamos ter que vender atleta. Nós já temos aí R$ 15 milhões com R$ 10 milhões: R$ 25 milhões este ano, e R$ 45 milhões no ano que vem. Então, só vai nos restar tentar vender atleta para fechar essa bomba. É uma medida provisória, que vai levar 45 dias. Então, a partir de agora, o Vitória já recebeu a rescisão ontem mesmo. A bet mandou a rescisão com o Vitória ontem mesmo. O contrato já está cancelado, tá? E a gente já começou a segunda-feira sem esse dinheiro para poder provisionar” afirmou.

Segundo o mandatário rubro-negro, há várias propostas de atletas do Vitória. "Quando eu assumi o Vitória, o Vitória nem time tinha para botar em campo. Hoje o Vitória tem ativos importantes, tem jogadores que valem muito dinheiro e são do Vitória, né? Eu podia citar aqui vários exemplos. A gente não tem dificuldade de vender jogadores. Por exemplo, o Vitória não tem dificuldade de vender Renê. O Vitória não tem dificuldade de vender Lucas Arcanjo. O Vitória não tem dificuldade de vender Ramon. Todos esses jogadores já tiveram propostas e o Vitória se negou até a sentar para negociar", disse.

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Renegociação com o Governo

Mota também comentou as conversas com o Governo Federal sobre as dívidas dos clubes. Segundo ele, a discussão envolve uma renegociação fiscal, no qual a maior dívida é de imposto. "A carga tributária no país é muito alta e, no futebol, é mais alta ainda, porque os salários são muito altos", disse.

"É um absurdo um jogador que ganha R$ 1 milhão por mês, você ter que pagar FGTS e INSS dele. FGTS e INSS ficaram para o cara que é assalariado, não para o cara que ganha R$ 1 milhão. Ou seja, você teria que ser terceirizado, teria que ser pessoa jurídica, mas aqui no Brasil é assim: você é obrigado a pagar", explicou. Segundo ele, a folha cresce fortemente e clubes acabam sem poder pagar, vão renegociando. 

"Então, era uma linha. Era disso que a gente estava discutindo. E o empréstimo, que na verdade não entrava dinheiro para o clube, para você pagar a dívida trabalhista e civil, saía direto para lá. Mas isso está caminhando, está tocando. Vamos aguardar o desfecho disso aí para ver o que vai acontecer. Mas não vai resolver a questão emergencial que a gente tem hoje, que é a bomba que ficou no orçamento dos clubes", afirmou.

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