Esporte

MP descarta fim da torcida única em Ba-Vis por "alto risco", mas inicia diálogo com Bamor e Imbatíveis

Letícia Martins/EC Bahia e Victor Ferreira/EC Vitória
Durante reunião, MP-BA reforça que a segurança deve ser uma responsabilidade, mas abriu diálogo com Bamor e Imbatíveis  |   Bnews - Divulgação Letícia Martins/EC Bahia e Victor Ferreira/EC Vitória
Thiago Teixeira e Gabriel Bacelar

por Thiago Teixeira e Gabriel Bacelar

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 05/03/2026, às 13h45 - Atualizado às 13h55



"Ainda não temos elementos completos que nos autorizem a isso, porque não temos como garantir a segurança". A promotora de Justiça Thelma Leal, do Ministério Público da Bahia (MP-BA), afirmou nesta quinta-feira (5) que ainda não há condições para o retorno da torcida visitante nos clássicos Ba-Vi.

A declaração foi feita durante reunião preparatória realizada no auditório do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (Bepe) para discutir o esquema de segurança do jogo entre Bahia e Vitória, marcado para sábado (7), às 17h, na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Segundo a promotora, o Ministério Público mantém o posicionamento de não autorizar a presença de torcidas visitantes nos clássicos, mesmo após questionamentos recentes levantados pelo presidente do Vitória, Fábio Mota.

A imprensa bateu muito nessa questão do retorno da torcida por conta de declarações do presidente do Vitória, mas o Ministério Público mantém a sua posição de não autorizar a volta da torcida visitante em clássicos. Ainda não temos elementos completos que nos autorizem a isso, porque não temos como garantir a segurança", afirmou.

Durante a reunião, Thelma Leal destacou que a classificação do clássico como evento de alto risco justifica o grande efetivo policial mobilizado para a partida. A promotora elogiou o planejamento da Polícia Militar, mas reforçou que a responsabilidade pela segurança não deve ficar restrita apenas ao policiamento.

Segundo ela, diversos órgãos públicos precisam atuar de forma integrada para garantir que o evento ocorra sem incidentes. "A Polícia Militar faz um trabalho brilhante, com um efetivo que cobre não só o estádio, mas também grande parte da cidade. Mas é necessário que essa classificação de risco seja adotada de forma efetiva por todos os outros atores envolvidos", pontuou.

Entre os órgãos citados estão Transalvador, Secretaria de Mobilidade (Semob), Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e Guarda Municipal, além de serviços como coleta de lixo e organização do entorno da Arena Fonte Nova.

Para o Ministério Público, partidas classificadas como de alto risco precisam ter parâmetros claros de atuação para todos os órgãos envolvidos, evitando decisões baseadas apenas em avaliações subjetivas.

A promotora afirmou ainda que o MP pretende implementar na Bahia um sistema de monitoramento de riscos em partidas de futebol, com uma planilha que estabeleça previamente as responsabilidades e medidas necessárias para cada nível de risco.

Diálogo com Bamor e TUI

Apesar de manter a proibição por enquanto, o Ministério Público informou que o tema segue em discussão dentro de um procedimento de mediação conduzido pelo órgão, que reúne representantes de clubes, federação, autoridades públicas e torcidas organizadas. Segundo Thelma Leal, o processo inclui audiências e construção de soluções conjuntas para viabilizar, no futuro, a retomada da presença de torcedores visitantes.

As torcidas organizadas também serão ouvidas, como a Bamor e os Imbatíveis. Os termos de ajustamento de conduta serão atualizados. É um tema extremamente complexo e sensível, que depende da colaboração de todos", disse.

A reunião preparatória contou com a participação de representantes do Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Poder Judiciário, clubes, torcidas organizadas e órgãos municipais e estaduais, responsáveis pela organização do esquema de segurança para o clássico.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)