Esporte
por Analu Teixeira
Publicado em 03/12/2025, às 18h28
A polêmica envolvendo a fala homofóbica de Abel Braga em sua apresentação no Internacional reacendeu um debate antigo, e ainda longe de acabar, no futebol brasileiro. Em pleno 2025, o número 24, historicamente associado ao animal “veado” no jogo do bicho, continua sendo evitado por grande parte dos clubes da elite nacional.
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E os números escancaram o tamanho do problema. Segundo o UOL, apenas seis dos 20 times da Série A utilizam a camisa 24, todos com um detalhe em comum: ela está nas mãos de goleiros.
Aranha (Palmeiras), Fernando Costa (Bragantino), Gustavo Felix (Fluminense), Leo Linck (Botafogo), Anthoni (Internacional) e Thiago Beltrame (Grêmio) são os únicos atletas da divisão que carregam o número. Entre eles, somente Leo Linck é titular.
Corinthians, São Paulo, Santos, Mirassol, Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Cruzeiro, Juventude, Bahia, Vitória, Sport, Ceará e Fortaleza formam o grupo dos 14 clubes que não utilizam a camisa 24 em seus elencos profissionais. A ausência é tão naturalizada que, em muitos casos, sequer há justificativa oficial.
O tabu chega até à Seleção Brasileira. Na Copa América de 2021, o Brasil foi a única seleção sem um camisa 24 na competição. Ederson vestiu a 23, e Douglas Luiz foi diretamente para a 25, apesar de o elenco ter convocado 24 atletas.
A decisão gerou uma ação judicial movida pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, que cobrou explicações da CBF. O processo foi arquivado, e a entidade alegou que o volante se encaixava melhor no número 25.
O Corinthians viveu o episódio mais emblemático. Em 2020, o meia colombiano Victor Cantillo, acostumado a usar a 24 no Junior Barranquilla, foi apresentado no Timão com a camisa 8. Na ocasião, o então diretor Duílio Monteiro Alves brincou, e repercutiu mal: “24? Aqui não.”
A frase viralizou, gerou críticas, e o dirigente precisou se desculpar publicamente. Cantillo, posteriormente, passou a atuar com o número 24.
Para o Grupo Arco-Íris, o futebol brasileiro ainda evita discutir abertamente a homofobia estrutural que perpassa o esporte. Segundo Claudio Nascimento, coordenador executivo da organização, o tabu do número 24 simboliza o atraso no enfrentamento ao preconceito.
“Reconhecer e aceitar o 24 como um número qualquer mostra o quanto ainda temos de avançar no combate ao preconceito à comunidade LGBTQIA+ no futebol. Há três anos entramos com uma ação contra a CBF, que resultou em mudanças nos regulamentos, mas a resistência ainda é enorme. A rejeição ao número mostra que o futebol precisa de ações afirmativas e de um debate sério sobre respeito e diversidade."
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