Esporte

OPINIÃO: Kylian Mbappé é para França o que Neymar deveria ser para o Brasil

Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @k.mbappe - Raul Baretta / Santos
Após vitória do Real Madrid, Mbappé se posiciona contra racismo e defende VinI Jr. em gesto de liderança  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @k.mbappe - Raul Baretta / Santos
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 18/02/2026, às 17h00



Infelizmente, o contraste é inevitável. De um lado, o francês Kylian Mbappé, campeão do mundo aos 19 anos, protagonista dentro de campo e voz ativa fora dele. Do outro, o brasileiro Neymar Jr, talento geracional, mas frequentemente associado mais às polêmicas do que ao protagonismo esportivo no interior das quatro linhas.

📲 Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Após a vitória do Real Madrid sobre o Benfica por 1 a 0, na última terça-feira (17), pela Champions League, Mbappé voltou a demonstrar a dimensão de sua liderança. O francês saiu publicamente em defesa de Vinícius Júnior, ao denunciar que o brasileiro teria sido chamado de “macaco” cinco vezes pelo atacante argentino Gianluca Prestianni.

Mais do que um gesto protocolar, foi um posicionamento firme, ainda mais que o francês detalhou o ocorrido, criticou o comportamento racista e ainda usou as redes sociais para encorajar Vini Jr. Em campo, o camisa 10 do Real é decisivo. Fora dele, é consciente do peso que carrega.

Dança, Vini, e por favor nunca pare. Eles nunca dirão a nós o que devemos fazer ou não!”, afirmou Kyllian.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2021, defendeu o próprio Neymar quando o brasileiro foi alvo de ataques. Na França, também se posicionou contra o avanço da extrema-direita, ao convocar jovens a votar e a defender valores democráticos. Mbappé entende que ser ídolo nacional é mais do que marcar gols, é assumir responsabilidade pública.

É nesse ponto que a comparação com Neymar se torna incômoda.

Neymar sempre foi tratado como herdeiro natural do trono deixado por Pelé e Ronaldo. Tinha talento para isso. Mas, ao longo dos anos, acumulou lesões em momentos decisivos, ausências em períodos cruciais e episódios extracampo que desgastaram sua imagem. Nunca chegou a uma Copa do Mundo em plenitude física e, apesar de lampejos geniais, não conseguiu conduzir o Brasil ao título.

Fora das quatro linhas, suas escolhas também dividiram o país. O apoio declarado a Jair Bolsonaro em 2018 marcou um posicionamento político que gerou críticas intensas. Posteriormente, Bolsonaro foi preso por envolvimento em trama golpista, fato que reforçou o peso simbólico das alianças públicas feitas por figuras do esporte.

Por sua vez, Mbappé escolheu outro caminho a ser traçado. Tornou-se campeão do mundo ainda jovem, assumiu a braçadeira da seleção francesa e se consolidou como referência social. Representa uma França combativa contra o racismo, dentro e fora do estádio.

No Brasil, muitos torcedores sintetizaram a situação por meio de comentários nas redes sociais: “Mbappé é o que todo mundo queria que Neymar fosse. Principalmente na seleção”, destaco um usuárioMourinho culpa Vini Jr após caso de racismo: “Acontece sempre com o mesmo”.

Talvez a frase seja dura demais com o Adulto Ney, mas revela uma frustração coletiva. O Brasil esperava de Neymar não apenas o diferencial técnico, mas liderança, compromisso físico e postura de estadista do esporte. 

Esperava alguém que defendesse companheiros com a mesma veemência que brilhasse em campo. Mbappé entendeu cedo o tamanho do papel que ocupa. O brasileiro, apesar do talento indiscutível, jamais pareceu disposto, ou preparado, para assumir essa mesma dimensão.

Até o momento, o atual camisa 10 do Santos não se posicionou acerca do caso de racismo com Vini e, para piorar, os fãs de Neymar invadiram o post de apoio da CBF a Vinícius para ‘cobrar’ a instituição por não ter parabenizado o craque do Peixe em seu aniversário.

Enquanto isso, atletas internacionais como Thierry Henry, Wayne Rooney, o atacante brasileiro ídolo do Benfica, Luisão, e o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton prestaram apoio ao camisa 7 do Real. E você, Ney?

Confira:

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)