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Promotor afirma que investigação sobre PCC no futebol é nova 'Máfia das Apostas'; entenda

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Autoridades obtiveram provas que ligam integrante do PCC ao mercado do futebol  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Marcelo Ramos

por Marcelo Ramos

marcelo.ramos@bnews.com.br

Publicado em 28/08/2024, às 08h01



Uma investigação que aponta indícios de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em transferências de jogadores está sendo conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP). As informações foram divulgadas pelo Uol, nesta quarta-feira (28).

Em entrevista ao portal, Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável por investigar o PCC há mais de 20 anos, afirmou que o caso pode ser ainda maior do que o da 'Máfia das Apostas'.

“Eu tenho certeza que é maior. Eu acho que isso é a ponta de um iceberg. Nós vamos analisar toda a regularidade desse negócio, mas empresários do futebol já fizeram contato comigo apontando a presença do PCC no mundo do futebol, nessa parte de agenciar jogadores. Eu ainda estava um pouco em dúvida, mas hoje eu não tenho dúvida nenhuma. Já é um negócio que está estruturado. Tem até empresas um pouco mais famosas que a gente desconfia”, afirmou ao Uol.

A possibilidade surgiu após uma delação premiada realizada em março deste ano. Pouco tempo depois, o MPE-SP obteve provas que ligavam o integrante do PCC a esse nicho de mercado.

“Eu perguntei a um réu colaborador, que era ligado à cúpula [do PCC], qual o interesse pelo futebol, né? Ele me disse: 'Isso aí é igual obra de arte, você coloca o valor que quiser, entendeu?'. Para lavar dinheiro é ótimo. E tem a perspectiva de você ganhar dinheiro também. E é um meio, me parece, em que não é muito cristalino como as negociações ocorrem, com essas comissões”, declarou Gakiya.

O empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach apontou a atuação de Rafael Maeda Pires, o Japa, da cúpula do PCC, com a FFP Agency Ltda.

Segundo provas do Gaeco, Japa participou de negociações com Corinthians, em 2021. Ele foi encontrado morto em 14 de maio do ano passado com dois ferimentos na cabeça.

“Uma coisa é você ouvir falar, outra coisa agora é você ter um depoimento e ter provas. Eu acredito que vão surgir mais nomes, de atletas, de clubes. A princípio não há envolvimento interno com nenhum clube de futebol, nem com o Corinthians, porque, como eu disse, é uma empresa de futebol ligada a criminosos”, disse.

“Inclusive, ouvi empresários, que saíram do país porque estavam sendo ameaçados pelo PCC ou por integrantes do PCC. Os integrantes também entraram nesse nicho de negócio e ameaçavam: 'Ou você vai lá e compra o sujeito [jogador] que é promissor, por livre e espontânea vontade, ou você toma o jogador”, continuou o promotor ao Uol.

À reportagem, Gakiya afirmou ainda que os atletas envolvidos são vítimas de todo o esquema.

“Quem tinha essa relação [com o crime organizado] eram as pessoas que estavam ligadas aos empresários, ou seja, quem montou a empresa não é procurado, não é bandido. Com certeza, eles [jogadores] nem sabem exatamente quem está cuidando da carreira deles. Mas os atletas acabam sendo negociados, o sujeito vai lá, compra do outro empresário, eles vão comercializando, e esse atleta não tem nada a ver com isso”, concluiu.

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