Esporte
por Leonardo Oliveira
Publicado em 27/08/2026, às 19h27
Os fortes bastidores na Fifa ganharam um novo capítulo com a preparação da Uefa de uma denúncia criminal na Suíça contra o presidente da entidade, Gianni Infantino. De acordo com informações divulgadas pelo Financial Times, baseado em documentos apresentados em um tribunal dos Estados Unidos, a ação ocorre devido ao plano frustrado do dirigente no projeto Fifa Forward Enterprise, que consistia na venda de uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados.
O objetivo da Uefa é garantir documentos relacionados a Joshua Kushner, fundador da gestora Thrive Capital, e à unidade da Fifa para as Américas. A Thrive Eternal, veículo ligado ao grupo, tinha sido escolhida para liderar o investimento em uma nova companhia que armazenaria os ativos comerciais da entidade.
O presidente da entidade máxima do futebol planejava levantar cerca de 4 bilhões de doláres (R$ 20,6 bilhões) na venda de 20% dos direitos comerciais da Fifa. Isso concederia à nova empresa um valor implícito de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 103 bilhões). Nos documentos judiciais, a Uefa classificou essa avaliação como “absurdamente baixa” e afirmou estar preparando acusações contra Infantino e, eventualmente, outros dirigentes, assessores e envolvidos por suposta gestão fraudulenta.
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Entre os pontos citados na ação da Uefa, está o conflito de interesses pois Infantino supostamente pretendia receber um salário de US$ 30 milhões anuais (R$ 155 milhões). Esse valor é o quíntuplo do que ele atualmente ganha na Fifa. A entidade precisou desistir do plano depois de uma forte pressão de confederações internacionais e deu início para uma briga política entre Infantino e Uefa.
"O mais imediato envolvido é o próprio Infantino. Reportagens recentes dizem que Infantino considerava um cargo de comissário no novo veículo comercial com uma remuneração de US$ 30 milhões, valor muito acima dos ganhos como presidente da Fifa (que, segundo consta, são de aproximadamente US$ 6 milhões no total de remunerações). A Fifa não revelou esse arranjo para nenhuma de suas confederações-membro, e nenhum mecanismo foi estabelecido para assegurar que o interesse financeiro de Infantino na transação não influenciaria seu papel no desenvolvimento do projeto", diz a ação.
Infantino reconheceu que a condução das negociações foi inadequada e prometeu revisar o processo. Ele pretende disputar novamente a presidência da Fifa em março. Até agora, seus opositores não divulgaram um concorrente.
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