Esporte

OUTRO CASO: Vitória obrigou jornalista a pagar R$ 1.500 para evitar processo por venda de colete junino

Divulgação / @lacosdeflor
Artesã Naama Rodrigues fez acordo extrajudicial com empresa do clube para não ser processada  |   Bnews - Divulgação Divulgação / @lacosdeflor
Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 16/08/2024, às 19h11 - Atualizado às 19h28



O BNews não parou de receber apelos de artesãos desesperados desde que revelou postura do Esporte Clube Vitória a respeito de proteção de marcas. Agora, a reportagem recebeu um relato da jornalista Naama Rodrigues, dona do Ateliê Laços de Flor (@lacosdeflor). Ela foi notificada extrajudicialmente pela NoFake, empresa que representa o clube, e obrigada a pagar uma taxa de R$ 1500 para não ser processada por confecionar um colete junino.

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Segundo Naama, o acordo foi que ela pagasse o montante em parcelas de R$ 250. "Inclusive a desse mês está em atraso e eles meteram uma multa surreal. Eles disseram que eu tinha que pagar imediatamente R$ 1500. Ou negociar para não ser processada", revela.

Segundo ela, os coletes custavam R$ 120 e foram confeccionados apenas para o São João. O escudo do Vitória, segundo ela, foi comprado em um armarinho de bairro. Ela alega ainda que só vendeu seis peças.

"Mesmo eu falando que tinha vendido muito pouco. Que inclusive esse valor da multa nem era o que eu tinha ganho. Eles dizem que foi notificado depois de número significativo de vendas o que não foi o meu caso, inclusive sobrou aqui pronto", declarou.

A trabalhadora independente, que atua há 11 anos no ramo, também confeccionou peças com o escudo do Esporte Clube Bahia. Contudo, o tricolor não a processou. "A minha empresa é virtual, não tenho loja física só vendo pelo Instagram", conta.

"Inclusive os filhos do presidente da Imbatíveis foram presenteados por mim com os coletes e usaram, postaram. Ficou super feliz com a novidade. Como te disse, era apenas um produto para o São João e eu não tinha interesse algum em licenciar algo que eu não vendo normalmente", lamenta.

Naama Rodrigues conta que perdeu a conta no Facebook por causa da divulgação do produto. "Só perdi o Facebook porque eu tinha retirado do Instagram. Porque quando eu postava, automaticamente ia para lá. E eu esqueci de tirar. Aí eles tiraram do ar", ressaltou.

"Não tenho mais nada do Vitória pra vender, trabalho com Coleções, acabou São João, já faço folclore, Halloween então não tinha cabimento eu licenciar entende? Foi um pedido de uma cliente. Inclusive eu tenho um relação com o clube extra campo. Fui apresentadora anos do programa de TV do Clube, liguei pra eles pra tentar ver se tinha como resolver e o que disseram foi que não tinha", finaliza.

Mais cedo, após as denúncias sobre casos semelhantes serem publicadas pelo BNews, o Vitória divulgou uma nota informando que irá alterar a sua política de vendas.

"As recentes notificações da NoFake que tem sido feitas são para empresas, não pessoas físicas, após criteriosa pesquisa, constatando vendas com números significativos e todas elas têm um direcionamento para o clube para se tornar um licenciado oficial, sendo uma opção da empresa", diz o clube.

"Diante de toda a repercussão do fato, há um novo alinhamento entre o Clube e a No Fake, de direcionar as forças para grandes empresas, as pequenas, como o caso em questão, serão notificadas, sem a cobrança inicial de multa, que acontecerá caso a empresa permaneça comercializando a marca", emendou o comunicado.

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