Esporte

Wesley cortado e Neymar não? Médico explica diferenças nas lesões dos atletas e possíveis contusões na Copa do Mundo; confira

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O médico explicou as diferenças das lesões e as consequências de possíveis contusões durante a Copa do Mundo  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Instagram / Nelson Terme / CBF
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 11/06/2026, às 05h30



O corte do lateral-direito Wesley, da Seleção Brasileira, gerou discussões sobre as questões médicas envolvendo contusões dos jogadores. Um debate surgiu por conta de Neymar, convocado e lesionado, não ser cortado, mas com relação ao defensor, a sua saída ocorreu de forma imediata.

O Bnews entrevistou o Dr. Marcelo Midlej Reis, médico ortopedista e traumatologista que atua no Departamento de Saúde e Performance do Esporte Clube Vitória, para entender as diferenças das lesões e as consequências de possíveis contusões durante a Copa do Mundo, devido às condições climáticas.

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O médico explicou que a decisão de cortar ou manter um atleta em uma competição depende do tempo estimado para retorno seguro ao jogo. Marcelo afirmou que, no caso de Wesley, com lesão no músculo adutor da coxa, há limitação importante para ações típicas do futebol. Segundo ele, a sua recuperação pode levar mais tempo, a depender da gravidade do quadro. 

“A decisão de cortar ou manter um atleta em uma competição depende de diversos fatores médicos e esportivos, não apenas do nome da lesão. O principal critério costuma ser o tempo estimado para retorno seguro às atividades em comparação com a duração restante da competição. No caso de uma lesão do músculo adutor da coxa, como a atribuída ao lateral Wesley, é comum que haja importante limitação funcional para gestos fundamentais do futebol, como arrancadas, mudanças bruscas de direção, acelerações, desacelerações e chutes”, afirma.

“Dependendo da extensão da lesão muscular identificada nos exames de imagem, o período de recuperação pode variar de duas a seis semanas, ou até mais em casos mais graves. Se a equipe médica entende que o atleta não terá condições de atuar durante a competição ou que retornaria apenas em sua fase final, o corte costuma ser a conduta mais lógica para liberar uma vaga para outro jogador apto”, complementa.

Sobre Neymar, que está em tratamento de uma lesão muscular grau 2 na panturrilha, a manutenção no elenco pode estar relacionada à expectativa de recuperação dentro do calendário da competição.

“As lesões grau 2 representam uma ruptura parcial das fibras musculares e geralmente demandam algumas semanas de tratamento. Entretanto, a decisão depende de fatores como a localização exata da lesão, o tamanho da área acometida, a evolução clínica diária, a resposta ao tratamento fisioterápico e os resultados dos exames de controle. Se a comissão médica acredita que existe possibilidade real de retorno ainda durante o torneio, a tendência é manter o atleta no grupo”, explica.

O médico salientou que não é possível afirmar que uma lesão seja necessariamente mais grave do que a outra apenas pela nomenclatura. Muitas vezes, o fator decisivo é a projeção de disponibilidade do jogador para os jogos que restam na competição. “Uma lesão aparentemente menor pode resultar em corte se o tempo de recuperação ultrapassar o período útil do torneio, enquanto uma lesão teoricamente mais relevante pode permitir a permanência do atleta caso haja perspectiva concreta de retorno”, afirmou.

Lesão e clima adverso na Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 também será um grande desafio físico para os jogadores por conta das condições climáticas. A expectativa é de calor extremo e longos deslocamentos entre as três sedes (Estados Unidos, Canadá e México) além de um número maior de jogos por se tratar de uma competição com 48 seleções.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o calor extremo será uma característica marcante desta edição, com riscos tanto para os atletas quanto para os torcedores. Um estudo da Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais (Fifpro) indica que 26 das 104 partidas da competição serão disputadas em condições de risco. Na busca por aliviar os efeitos do calor, a Fifa determinou duas pausas de três minutos no meio de cada tempo das partidas. 

De acordo com Marcelo, esse cenário também gera preocupação de contusões para os atletas deivo ao desgaste fisiológico e maior fadiga muscular. “Em relação às condições climáticas, o calor excessivo e a alta umidade aumentam significativamente o desgaste fisiológico dos atletas. Nessas condições, ocorre maior perda de líquidos e eletrólitos pelo suor, aumento da fadiga muscular e redução da capacidade de recuperação entre os esforços. Esse cenário pode favorecer o aparecimento de cãibras, fadiga precoce e também elevar o risco de lesões musculares, especialmente em momentos de alta intensidade”, explica.

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Além disso, o médico explica que temperaturas elevadas podem comprometer a capacidade de dissipação de calor pelo organismo, aumentando o estresse cardiovascular e metabólico durante as partidas. “Quando o atleta atua próximo do limite físico, há piora da coordenação neuromuscular e da eficiência dos movimentos, fatores que também contribuem para o aumento do risco de lesões musculares e tendíneas”, finaliza.

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