
Em entervista no Programa do Bocão, na rádio Sociedade, o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, minimizou a paralisação dos médicos e servidores estaduais da saúde, afirmando que “a greve só está na cabeça do José Caires, presidente do Sindmed, e do editor do jornal A Tarde”.
Com isso, o secretário tentou minimizar e desacreditar o movimento grevista iniciado nesta terça-feira (3) e anunciada na manchete do jornal.
As declarações de Solla foram lamentadas pelo presidente do Sindmed. “É lamentável que o secretário tenha dito isso. Estivemos reunidos ontem e não chegamos a um acordo. É incompreensível e não acho justo, nem digno, pelo posto que ele ocupa”, retrucou José Caires.
Conforme o presidente do Sindimed, o movimento grevista está acontecendo, pois “há protesto na frente dos principais hospitais públicos da cidade, como o Hospital Geral do Estado (HGE), Roberto Santos, Hospital do Subúrbio, entre outros”, enumerou Caires.
O atendimento na rede pública de saúde do estado está suspenso a partir desta terça-feira (3). A greve, por tempo indeterminado, uniu os Sindicato dos Médicos (Sindmed) e o dos Trabalhadores em Saúde (Sindsaúde) numa ação conjunta que bsuca fortalecer a mobilização.
A greve deve atingir os 41 hospitais do estado, deixando sem atendimento mais de 98 mil pessoas por dia. Como alternativa a população deve recorer ao SUS, em unidades municipais, particulares e filantrópicas. Veja a lista no fim da matéria.
Para os médicos, a relação de trabalho é tida como insustentável. Eles reclamam dos baixos salários pagos pelo governo estadual, que a categoria classifica como “deboche”. “Lá se vão quatro anos, e a proposta de renovação, de atualização e de resgate da dignidade médica que ajudou a eleger o governo Wagner não se concretizou”, afirmam os médicos na pessoa do presidente do sindicato, José Caires.
No caso dos trabalhadores da saúde, o “objetivo é de pressionar o governo estadual a reabrir as negociações sobre a pauta de reivindicações”, que inclui a regulamentação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), pagamento da URV e melhores condições de assistência à população, informaram em carta à imprensa. Segundo os sindicalistas, o movimento abrange todos os profissionais da Sesab, incluindo técnicos e auxiliares administrativos.
Segundo os manifestantes, “faltam médicos nas emergências, faltam leitos hospitalares. Unidades de saúde estão desestruturadas: faltam medicamentos, faltam equipamentos. A população não sabe para onde ir quando adoece”.
Sesab – Na tarde da segunda-feira (2), o secretário Jorge Solla, participou de mais uma rodada de negociação, com os representantes do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), da Associação Médica da Bahia (AMB) e do Sindicato dos Médicos (Sindimed), com o objetivo de tentar impedir o início da greve dos profissionais de saúde que atuam nas unidades sob gestão estadual. Não houve acordo.
Solla listou os pontos da pauta atendidos pela Sesab, a exemplo da incorporação da insalubridade para mais de 16 mil trabalhadores, a contratação aproximadamente 5.500 novos trabalhadores aprovados em concurso, a aceleração dos pedidos de aposentadoria por tempo de serviço, as melhorias das condições de trabalho nas unidades de saúde e os investimentos feitos na formação, capacitação e qualificação dos servidores.
O secretário apelou para o bom senso da categoria, comentando esperar das lideranças do movimento dos trabalhadores a sinalização para a suspensão da greve. “Tenho certeza de que os trabalhadores saberão entender que as diferenças existentes não justificam este nível de radicalização. A população não pode ser penalizada por divergências que podem ser resolvidas através do diálogo”, avaliou Jorge Solla.