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Cortejo marca história, tradição e lutas sociais

Imagem Cortejo marca história, tradição e lutas sociais
Desfile 2 de Julho mostra a diversidade da Bahia  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 02/07/2011, às 14h04   Tanara Régis




Relembrar a história da cidade, encontrar amigos, reunir a família, mas, principalmente, conhecer mais de perto os movimentos sociais e as suas lutas na Bahia. É isso que o desfile comemorativo do 2 de Julho representa para Rosa Carina Abib, 38, moradora do Centro Histórico de Salvador.

“Quase todo ano reúno a família e os amigos para assistir ao desfile. Acho lindo, mas o que realmente me chama mais atenção são os protestos, muitas vezes esquecidos no dia a dia”, fala Rosa.

A história da luta da independência da Bahia é narrada no desfile, que parte do Largo da Lapinha e encerra no Pelourinho, com a marcante passagem do carro dos Caboclos, dos vaqueiros representados pelo Encorados de Pedrão, das fanfarras das escolas públicas e todo o cortejo rico de homenagens e tradição.

“Estou realizando um sonho. Sou de Senhor do Bonfim e pela primeira vez venho a Lapinha presenciar o desfile. Acho linda a parte histórica de Salvador, pena que não está sendo preservada como deveria”,diz dona Gislene Oliveira Serafim, 65.

Mas, muitas pessoas também ficam atentas e curiosas com a presença dos representantes políticos e com eles, é claro, dos sindicatos, ONG´s e entidade sociais que aproveitam o momento para mostrar o que a Bahia, após anos de independência, ainda precisa avançar na concretização dos direitos sociais.

“Acredito que essa é uma das festas mais democráticas na Bahia. O desfile é heterogêneo e representativo dos diversos seguimentos sociais”, falou Luiz Barros, representante do Grupo de Interferência Ambiental (GIA), que há 5 anos marca presença na comemoração.

Reivindicações – O Sindicato dos trabalhadores em Saúde da Bahia (Sindsaúde/BA) aproveitou a ocasião para destacar a problemática proposta de acordo do pagamento da URV (Unidade Real de Valor, índice de variação devido mudança da moeda corrente no Brasil, do Cruzeiro para o Real).

Segundo o Sindsaúde, o governo estadual estaria “enrolando” o acordo de pagamento da URV, direito garantido pela Justiça após 7 anos de luta da classe.

Já na área da saúde municipal, os agentes de combate as endemias em Salvador, em greve desde 8 de junho, também alertaram para a gravidade dos problemas da categoria.

“Nosso salário, R$ 510, está abaixo do salário – mínimo constitucional. Já vamos completar um mês de paralisação e mesmo com as oito mortes por leptospirose e a alta incidência de dengue hemorrágica em Salvador, a prefeitura se nega a cumprir a lei”, disse  Paulo Roberto Souza, um dos dirigentes da Associação dos Agentes de Controle de Endemias de Salvador (AACES).

No âmbito da educação, a APLB (Sindicato dos Professores em Educação da Bahia) levantou na bandeira a urgência da nomeação dos professores concursados, da realização de novos concursos públicos e da implementação do piso salarial para os professores da rede municipal.

O Meio Ambiente não foi esquecido durante o desfile. O movimento ativista, que "bombou" na rede social Facebook, "Não a Usina Nuclear de Belo Monte", marcou presença organizada do grupo em prol da energia limpa e sustentável em Salvador.

Diante de todo esse cenário de informação, também não pode se ausentar o grupo dos jornalistas do A Tarde, em representação a luta de toda a categoria pela valorização profissional e expansão do mercado de trabalho da área na Bahia.

"O mercado reduzido acaba criando barreiras na reinvidicação pelo medo do desemprego. As empresas têm se aproveitado disso para explorar a carga horária de trabalho com baixos salários. A queda da exigência do diploma para exercício da profissão só agravou o cenário", explicou a jornalista Carolina Mendonça.

Fotos: Gilberto Júnior // Bocão News

Classificação Indicativa: Livre

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