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Centro Histórico passa por “cirurgia plástica”

Centro Histórico  passa por “cirurgia plástica”

O investimento estimado em R$ 15 milhões deve deixar o cartão postal como novo

Publicado em 01/10/2011, às 14h38    Centro Histórico passa por “cirurgia plástica”    Alessandro Isabel


Os turistas e soteropolitanos que chegam para visitar, ou até mesmo que estão de passagem, pelo Centro Histórico de Salvador, observam curiosos as máquinas e operários que trabalham para deixar o cartão postal mais belo do que nunca.

A obra é mais uma estratégia que está sendo aplicada na tentativa de estimular a revitalização da região, que tem a imagem manchada pelos pedintes, usuários de drogas e a insegurança. O investimento do governo do estado está estimado em R$ 15 milhões, para fazer manutenção em 800 imóveis do século XVIII e XIX, restaurados entre 1992 e 2010. A “operação faxina” está a cargo da Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder), que é a responsável pela conservação desses prédios.



Duas empresas de engenharia realizam trabalho de pintura das fachadas de casarões - parte pertencente ao próprio governo-, e também haverá troca de lâmpadas e limpeza de telhados, dentre outros serviços que visam estimular a circulação de pessoas no local.

Para o artesão Luciano Silva, que trabalha há mais de 20 anos na Rua das Portas do Carmo – antiga Alfredo de Brito –, o trabalho que vem sendo realizado vai trazer retorno em breve. “Dessa vez eles estão trabalhando direito. Em outros anos eles só faziam pintar as fachadas dos casarões e a parte de reboco não era feito. Agora sim deve ficar um trabalho correto.

Mesmo assim ele lamenta a queda no movimento de turistas no Pelourinho. “Aqui já foi muito mais movimentado, e culpo o governo do estado e a prefeitura que não trazem nenhum atrativo para o local. Não tem shows, nem algo que atraia as pessoas para passear. Os governantes devem voltar os olhos para esse pedaço da cidade que é magnífico”.

O também artesão Armando Silva, famoso “Fidelão”, diz que um ponto que deve ser elogiado é a segurança. “Eles estão conseguindo tirar os pedintes das ruas, isso é um ponto positivo. Ao contrário do que pensam o Pelourinho um local seguro de se andar e deve ser dito isso. O único problema que enfrentamos é o assédio dos moradores de rua e vendedores ambulantes, que a polícia está trabalhando para sanar”, concluiu.

Discurso semelhante ao do artesão teve o empresário José Iglesias, diretor do Sindicato das Empresas de Turismo no Estado da Bahia (Sindetur) e proprietário da Tours Bahia. “O Pelourinho não tem problema, e nunca teve relacionado à falta de segurança. O problema refere-se à insegurança”.

Para Iglesias o fraco movimento nas ruas do bairro é explicado por diversos fatores. “A crise que tem abalado a economia de todo o mundo, a imagem do Pelô que tem sido arranhada, sobretudo nos últimos três anos, a falta de atrativos, fazem com que o local, que é de uma beleza única, venha perdendo espaço”, disse o empresário.

Obras - Os equipamentos para pintura das fachadas estão espalhados principalmente pelo Terreiro de Jesus e Largo do Cruzeiro de São Francisco, onde instituições que fazem parte da história da Bahia e do Brasil estão localizadas. O trabalho vem se estendendo por quase todos os imóveis e já melhorou o aspecto de vários. Segundo informações da Conder a ação não envolve o interior dos imóveis.

Fotos: Paulo Macêdo
/Bocão News

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