
A operação “Ordem na Casa”, promovida pela Prefeitura de Salvador, continua a todo vapor. Neste fim de semana as atividades dos fiscais começaram cedo pelo Porto da Barra, seguindo para o Farol da Barra, passando pelo Jardim de Alah e Placafor.
“Vamos tentar chegar até Stella Mares”, afirmou Paulo Viana, responsável pelas atividades da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp). Ele explica que os trabalhos são organizados por equipes de diversas secretarias e que cada uma tem o seu representante.
Quando a reportagem do Bocão News chegou ao local onde os fiscais atuavam, praia de Placafor, por volta das 13h, os agentes da Superintendência de Controle e Ordenamento do Solo do Município (Sucom) derrubavam um “puxadinho”, que há mais de uma década servia como banheiro e depósito de um antigo permissionário de barraca de praia.
O vendedor não quis ter o nome divulgado, mas estava visivelmente indignado. “Sei que estou errado, por isso não posso fazer nada. Mas é um absurdo o que este prefeito (João Henrique) está fazendo com a gente. Ele é responsável sim por isso, pois foi a prefeitura que retirou a liminar que impedia a derrubada das barracas aqui de Salvador. Se estivéssemos em Lauro de Freitas isto não estaria acontecendo”, acusou.
A pessoa apontada como supervisora da Sucom não quis se identificar e tampouco falar com a reportagem do Bocão News. Disse apenas que o responsável pelas atividades da Superintendência chegaria, no entanto, não quis revelar o seu nome. Durante os 30 minutos em que acompanhamos as ações, ninguém da Sucom chegou para esclarecer as razões da derrubada do “puxadinho”
Segurança
Mais de 15 viaturas da guarda municipal acompanhavam a operação. Segundo um dos agentes, eles estão ali apenas para garantir a segurança dos fiscais. Contudo, Ângela Rodrigues, que estava na praia e acompanhava toda a ação, considera que os guardas cumprem um papel de repressão.
“Eles ficam olhando como se as pessoas que tentam sobreviver vendendo bebidas ou alugando cadeiras fossem criminosas. Na verdade, eles ficam ai para intimidar os trabalhadores”.
O antigo permissionário que acompanhava a sua estrutura ser posta abaixo concordou com Ângela. Quando questionado sobre o que achava desta operação, respondeu que não tinha o que fazer. “Rapaz, a gente fica olhando o que eles estão fazendo, sabemos que a culpa não é dessas pessoas, que eles estão apenas cumprindo ordens, mas é difícil. Tenho que continuar lutando, não posso deixar de batalhar. Vou juntar um dinheiro comprar um isopor, eles me tiram daqui, vou ali para o outro lado. Não posso ficar sem renda e não tenho talento para ser nem ladrão nem traficante”, disse.
Apreensões
Dois caminhões baús e outro aberto acompanham os fiscais. De acordo com Viana, até as 14h, a operação já havia apreendido materiais que completavam um caminhão e meio. “Não tenho o controle de quanto material foi confiscados. Isto é feito quando chegamos ao depósito”, explicou.
Ainda segundo o supervisor, as pessoas podem recuperar todo o material. “O prazo para retirar o material não perecível é de 60 dias. Já os perecíveis ficam à disposição por 24 horas. A multa mínima é de R$ 85”, afirma.