Geral
Uma obra exposta no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, está mexendo com os nervos – e não só os olhos. Criada pelo artista mexicano Gabriel de la Mora, a peça chama atenção e gera polêmica por usar fezes humanas como matéria-prima, gerando debates quanto ao conceito de obra de arte.
De acordo com a ficha técnica, a pintura inclui ingredientes nada convencionais: bolinhos de camarão, arroz frito misto, rolinho primavera de legumes, frango, "ave fênix", neve de limão e água mineral. A receita, escreveu o artista, deve "digerir por 12 horas no intestino" antes de virar arte.
A obra faz parte da série "Originalmentefalso", um experimento de de la Mora — que transformou um desenho atribuído falsamente ao lendário pintor Diego Rivera em algo inteiramente novo: "Do falso para o original", nas palavras do artista.
Além de de la Mora, a mostra reúne obras com materiais tão inusitados quanto: asas de borboleta, poeira de ateliê, unhas, pedaços de espelho, palitos de dente — uma provocação deliberada aos conceitos tradicionais de arte. Na curadoria da exposição Veemente, o curador Marcello Dantas defende a obra. Para ele, essa polêmica é parte essencial da mensagem.
Arte é para inquietar. Quando o público pergunta 'isso é arte?', a obra já cumpriu seu papel. [...] Muitos gostam, muitos odeiam ou sentem repulsa, outros riem, se surpreendem, não acreditam, alguns ficam constrangidos, outros se irritam", afirmou Marcello Dantas.
Conforme o artista, com o processo, a peça deixa de ser um falso Diego Rivera para se transformar em um original de Gabriel de la Mora.
E que melhor forma de certificar a originalidade de uma obra do que com o próprio DNA ou informação genética do artista?", provoca.
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