Geral
por Bruna Rocha
Publicado em 27/06/2025, às 13h06
A Bahia é o estado brasileiro com a maior perda populacional por migração, segundo dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, o estado perdeu mais de 3,3 milhões de pessoas nascidas na Bahia que se mudaram para outros estados do país. Esse número representa um saldo migratório negativo de cerca de 2,4 milhões de pessoas — o maior do Brasil.
Segundo o IBGE, a perda desses baianos corresponde a 17,1% da população do estado. A taxa líquida de migração da Bahia em 2022 foi de -0,29%, o que indica que houve mais pessoas saindo do estado do que entrando. Em comparação a 2010, a perda populacional era de -1,69%, ou seja, a quantidade dessa perda diminuiu 82,5% na última década.
O instituto realizou um recorte entre julho de 2017 e julho de 2022, que detectou que cerca de 327 mil pessoas deixaram a Bahia, enquanto 285 mil estrangeiros — nascidos em outras unidades federativas ou países — vieram viver no estado. No fim, segundo o censo, o saldo é negativo é de 41,5 mil pessoas. Com isso, a Bahia passou a ocupar a 9ª posição entre os estados que mais perderam população no Brasil.
O maior destino dos baianos tem sido a terra da garoa. Conforme o censo, em 2022, São Paulo é o estado que mais recebeu a população baiana, sendo a unidade federativa com a maior quantidade de baianos fora da Bahia, totalizando 1,8 milhão de pessoas. As mulheres são as que mais deixam o estado, representando 53,2% do total de baianos que se mudaram. Esse número equivale a mais da metade de todos os baianos que vivem fora do estado.
Na sequência aparecem:
Juntos, esses cinco estados concentram 78,5% dos migrantes baianos. Em relação à população estrangeira que migra para o estado da Bahia, ela ainda é pequena, mas aumentou ao longo dos anos. Em 2022, a Bahia registrou um total de 16,7 mil pessoas de outros países vivendo no estado, o que corresponde a apenas 0,1% da população total. Esse montante representa um crescimento superior a 20% desde 2010, sendo o menor crescimento percentual entre os estados da federação.
Em 2022, a Bahia contava com 16.651 estrangeiros, um aumento de 26%, ou seja, mais 3.433 pessoas em comparação à última década, quando o total era de 13.218. Contudo, esse crescimento percentual foi o menor entre os estados, superando apenas a queda registrada no Rio de Janeiro, que teve uma redução de 22,3%. Em contraste, entre 2010 e 2022, destacam-se os crescimentos de Rondônia (+2.883,5%), Amazonas (+479,5%) e Santa Catarina (+375,0%).
De acordo com o censo, em 2022, o perfil dos estrangeiros residentes na Bahia era predominantemente masculino, com 6 em cada 10 sendo homens, totalizando 10.466 pessoas, o que corresponde a 62,9%. Desses homens, 3 em cada 10 eram idosos, com 60 anos ou mais, somando 5.221 pessoas, ou seja, 31,4%. Ambas as proporções eram significativamente maiores do que as observadas na população baiana como um todo, onde os homens representavam 48,3% e os idosos apenas 15,3%.
Ainda em 2022, 3 em cada 10 estrangeiros que residiam na Bahia estavam em Salvador, que concentrava 5.456 estrangeiros, ou seja, 32,8% do total do estado. Em seguida, estavam os municípios de Porto Seguro, com 1.244; Feira de Santana, com 778; Ilhéus, com 708; e Lauro de Freitas, com 657 residentes.
Juntas, essas cinco cidades reuniam pouco mais da metade da população estrangeira na Bahia, totalizando 53,1%, ou seja, 8.843 pessoas. Por outro lado, não havia nenhum estrangeiro em 248 dos 417 municípios baianos.
O censo também aponta que, durante o período analisado, a maior entrada de estrangeiros na Bahia era de pessoas vindas da Argentina (788, ou 10,1% do total de imigrantes), quase idêntica à de pessoas vindas da Venezuela (787, ou 10,0% dos imigrantes no período). A Bolívia ficou em terceiro lugar, com 572 imigrantes (7,3%). Os países de origem dos maiores contingentes de imigrantes para o estado mudaram em relação a 2010, quando Estados Unidos, Portugal e Itália lideravam as estatísticas.
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