Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 28/05/2025, às 17h00
Um sonho ambicioso de liberdade plena levou o milionário lituano-americano Michael Oliver a tentar criar um novo país no meio do oceano. Em 1972, Oliver lançou um projeto ousado: construir uma ilha artificial no Pacífico Sul e fundar a República de Minerva, uma nação sem impostos, sem regulamentações e livre de qualquer intervenção estatal.
O local escolhido foi o Recife Minerva, um banco de areia em águas internacionais entre Tonga e Fiji, fora da jurisdição clara de qualquer país. Para tornar o projeto viável, Oliver e sua equipe transportaram toneladas de areia da Austrália, formando uma plataforma habitável sobre os recifes — criando terra firme onde antes só havia mar.
Com a nova terra, o grupo hasteou sua própria bandeira, cunhou uma moeda e declarou o nascimento da República de Minerva, adotando o esperanto como idioma oficial, símbolo do espírito universalista do projeto. A constituição defendia um governo mínimo, com o máximo de liberdade para moradores e empresários.
A iniciativa foi financiada e apoiada pela Phoenix Foundation, organização criada por Oliver para promover enclaves libertários pelo mundo, onde pessoas pudessem viver e negociar sem interferência estatal.
O projeto rapidamente chamou a atenção de defensores do libertarianismo, mas também gerou preocupação entre governos da região. Poucas semanas após a proclamação da independência, o Reino de Tonga, com apoio do Fórum do Pacífico Sul, enviou uma expedição ao local, reivindicou soberania sobre os recifes e desalojou os ocupantes. Em junho de 1972, tropas tonganesas tomaram a ilha artificial, hastearam sua bandeira e encerraram a experiência da República de Minerva.
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A estrutura foi abandonada e, com o tempo, foi engolida pelo mar. Em 1982, outro grupo tentou reocupar o local, mas também foi rapidamente expulso. Apesar do fracasso, a breve existência da República de Minerva permanece como um caso emblemático entre as chamadas micronações, levantando debates sobre soberania, jurisdição internacional e propriedade de territórios em águas internacionais. O episódio é citado em livros como Adventure Capitalism, sendo considerado um dos exemplos mais radicais de tentativa de secessão territorial por motivos ideológicos e econômicos.
Hoje, os recifes de Minerva seguem desabitados, visíveis apenas na maré baixa, como testemunho silencioso de uma das experiências mais ousadas e inusitadas da história moderna — e um lembrete dos limites entre território, soberania e liberdade.
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