Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 20/05/2025, às 14h02 - Atualizado às 15h18
Uma nova tendência vem ganhando espaço no mercado de trabalho: o chronoworking, modelo que propõe alinhar a jornada profissional ao ritmo biológico de cada colaborador. Diferente do expediente tradicional, o chronoworking permite que os funcionários desempenhem suas funções nos horários em que se sentem mais produtivos, respeitando seus picos naturais de energia e atenção.
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O conceito, criado pela jornalista britânica Ellen C. Scott em 2024, parte do princípio de que cada pessoa possui um relógio biológico próprio, responsável por regular funções como sono, fome e disposição. Assim, enquanto alguns rendem melhor pela manhã, outros alcançam seu auge de produtividade à tarde ou à noite. O objetivo é flexibilizar a rotina para que cada profissional possa entregar melhores resultados e, ao mesmo tempo, cuidar da saúde mental e do bem-estar.
Especialistas apontam que o chronoworking pode trazer diversos benefícios, como:
Empresas que já adotam práticas flexíveis, como Spotify e Atlassian, relatam ganhos em lealdade, reputação e performance sustentável.
Apesar das vantagens, a implementação do chronoworking exige organização, autonomia e diálogo, especialmente para alinhar horários entre equipes e garantir a entrega das demandas. Especialistas recomendam que a transição seja gradual e acompanhada de orientações sobre sono e saúde, para evitar possíveis impactos negativos. O chronoworking representa um novo olhar sobre a gestão do tempo, colocando o colaborador no centro das decisões e promovendo uma relação mais saudável e produtiva com o trabalho.
Na Everymind, empresa que já adota o sistema “Anywhere Office” — formato em que os profissionais podem trabalhar de qualquer lugar do mundo — a prática já é realidade para a maior parte da equipe.
Segundo Eduardo Nunes, vice-presidente de pessoas e cultura na Everymind, em entrevista ao G1, os colaboradores têm liberdade para definir o horário de trabalho que consideram mais conveniente. No entanto, ele ressalta a importância de alinhar os horários com a liderança, a equipe e de compreender a agenda dos clientes, garantindo o bom funcionamento das operações.
Atualmente, mais de 90% dos mais de 500 funcionários da empresa contam com essa flexibilidade, apontada como um dos principais fatores de satisfação nas pesquisas internas realizadas há mais de cinco anos.
Apesar dos benefícios, o chronoworking ainda não possui regulamentação específica no Brasil. Por isso, é fundamental observar as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que estabelece jornada de 8 horas diárias e até 44 horas semanais, com possibilidade de até duas horas extras por dia. Para quem trabalha entre 22h e 5h, há direito a um adicional noturno de 20% sobre o valor da hora diurna.
A advogada Márcia Cleide Ribeiro, especialista em direito do trabalho, explica que o limite de horas serve para proteger o trabalhador. “Não há impedimento para trabalhar menos, tudo depende da categoria e dos acordos feitos em convenções coletivas”, afirma ao G1. Ela também destaca que o adicional noturno só é devido pelas horas efetivamente trabalhadas no período entre 22h e 5h.
Outro ponto importante é o respeito ao intervalo interjornada, que deve ser de ao menos 11 horas consecutivas entre o fim de um expediente e o início do outro. Assim, por exemplo, não é permitido trabalhar até as 22h e retomar as atividades às 7h do dia seguinte.
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