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Uma megaoperação da Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou para um esquema de exploração e extração ilegal de minérios de ferro na Serra do Curral, ao Sul de Belo Horizonte. Na ocasião, foi apreendida uma série de documentos e decretado um sequestro de bens dos envolvidos no total de R$ 832 milhões.
A investigação revelou que, além do esquema ilegal que utilizava um plano de recuperação ambiental como fachada, também há indícios de o empresário Lucas Kallas — dono da Cedro Participações — estaria esquematizando uma parceria com a Vale para tentar a aquisição da Bamin, empresa responsável pelas obras do trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
De acordo com a Veja, além disso, há suspeitas de servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) receberam propinas milionárias para favorecer a Empabra, responsável pela Mina Granja Corumi, onde teriam ocorrido a atividade ilegal até 2018, apesar de a prática estar proibida na região desde 1990, quando a serra foi tombada como patrimônio histórico do município.
A Empabra explorou a mina legalmente de 1958 até o tombamento. Em 2008, os donos da empresa, Juarez de Oliveira Rabello, João Henrique Pereira e André Maurício Ferreira, fizeram um Plano de Recuperação da Área Degradada (PRAD), que lhes permitia retirar o minério já extraído e estocado na mina, com o compromisso de recuperar a região.
Em 2012, três empresários entraram no negócio: Lucas Prado Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques. No final de 2013, os donos antigos da mina e os novos sócios começaram a discordar. Em depoimentos à PF, Rabello e Pereira disseram que Kallas e Franceschini “queriam que houvesse retirada de maior quantidade de minério, em desacordo com o PRAD”.
A PF confirmou que, a partir de 2014, “análises periciais e de auditorias confirmam integralmente os fatos narrados”. Meses antes, em dezembro, a Cedro também havia vencido a concessão para construir uma malha ferroviária que liga Minas Gerais a esse porto por R$ 1,5 bilhão.
Sobressai das investigações que as irregularidades apontadas pelos trabalhos periciais coincidem com o período em que Lucas Kallas, Bruno Luciano e Franceschini assumem a Mina Corumi”, diz trecho da decisão judicial que autorizou a recente operação de busca, apreensão e sequestro de bens dos envolvidos.
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