Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 08/10/2025, às 12h27 - Atualizado às 13h29
Um caso de trabalho análogo à escravidão foi descoberto a cerca de 240 metros da sede da Polícia Civil da Bahia, no bairro Dois de Julho. O local funciona como depósito de carrinhos de camelôs e abrigo para funcionários sem registro formal.
O espaço pertence a Laurencio Rios, empresário que aparece na nova lista do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de empregadores que mantêm pessoas em condições degradantes, semelhantes à escravidão. Em maio deste ano, cinco trabalhadores foram resgatados do local, que continua funcionando normalmente.
A lista, divulgada na última terça-feira (7) pelo governo federal, inclui 159 nomes de todo o país. Na Bahia, foram registrados 12 novos empregadores, sendo Laurencio o único em Salvador que ainda permanece em atividade.
Segundo a reportagem do Correio, o depósito continua operando em condições precárias. Ele abriga os carrinhos usados por ambulantes para vender água de coco, churrasco, pipoca, bebidas alcoólicas e outros produtos.
Os trabalhadores também residem no local e são responsáveis por levar os carrinhos até os pontos de venda e recolhê-los ao final do dia. O pagamento médio é de R$ 200 por mês, cerca de 13% do salário mínimo. Laurencio ainda recebe dos ambulantes uma taxa pelo armazenamento dos materiais.
Inspeção ao local
O auditor fiscal do trabalho Mário Diniz esteve na inspeção feita no local em maio. "Trata-se de um local extremamente precário para qualquer tipo de atividade. Constatamos o que chamamos de condições degradantes, em que é estabelecida uma condição de trabalho abaixo do mínimo necessário para a dignidade humana", disse a reportagem do Correio.
Os alimentos vendidos pelos ambulantes eram preparados em locais sem higiene, dentro do depósito. "As pessoas dormiam em cima de carrinhos, sem alojamento, comiam qualquer coisa e recebiam uma gratificação pelo trabalho realizado", ressalta Mário Diniz. "Não havia sanitário, mas um buraco onde as pessoas faziam todo tipo de necessidade. Um filme de terror", complementou o auditor.
O que disse o dono
Laurencio Rios dos Santos, dono do depósito, negou as acusações, mas confirmou que o estabelecimento foi alvo de uma auditoria do Ministério do Trabalho à reportagem. Ele negou que mantinha os funcionários em condição degradante.
"O pessoal do Ministério do Trabalho esteve aqui e fez uma operação ridícula, dizendo que aqui tinha trabalho análogo à escravidão. É uma coisa fantasiosa. Eles viram que tudo era livre aqui", disse o empresário ao Correio. "Trabalho escravo existe, sim, mas não aqui. Eles [auditores] deveriam ir onde existe", completou Laurencio à reportagem.
A Polícia Civil foi procurada, mas não localizou registro de denúncia contra Laurencio Rios dos Santos por trabalho análogo à escravidão. Já o Ministério Público do Trabalho da Bahia informou que não passou informações sobre o andamento do processo contra Laurencio, que diz aguardar ser chamado para assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), caso seja necessário.
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