Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 31/07/2026, às 21h59
Um novo golpe que circula em aplicativos de mensagens e redes sociais tem usado fotos de visualização única como isca para extorquir vítimas por meio de intimidação psicológica. A fraude não mira invadir o celular, mas provocar medo, vergonha e urgência para pressionar a pessoa a pagar ou entregar dados pessoais, de acordo com a especialista em cibersegurança Nathalia Carmo, COO da IAM Brasil.
Como o golpe funciona
Em uma das versões mais comuns, a vítima recebe uma mensagem de um número desconhecido com frases como “É você nessa foto?”, “Olha o que estão falando de você” ou “Você precisa ver isso urgente”. A conversa vem acompanhada de uma foto de visualização única, que muitas vezes não tem nenhuma relação com a vítima. O objetivo, segundo especialistas, é apenas fazer a pessoa responder e manter o diálogo aberto para a aplicação do golpe.
Nos casos mais agressivos, os criminosos enviam imagens com conteúdo sexual explícito ou que aparentam envolver algo criminoso. Em seguida, passam a ameaçar a vítima dizendo que ela foi “identificada” acessando aquele material e que teriam acesso a supostos registros do celular, histórico de navegação ou provas digitais.
Depois disso, vêm as ameaças de denúncia à polícia, exposição para familiares, aviso ao empregador e até divulgação do conteúdo nas redes sociais. Para evitar a suposta exposição, os golpistas exigem um pagamento imediato.
Na prática, abrir uma foto enviada por outra pessoa não significa que o celular foi invadido nem comprova qualquer comportamento ilegal. A especialista afirma que a maior parte das ameaças é baseada em engenharia social, técnica que explora medo, culpa e vergonha para induzir decisões precipitadas.
De acordo com os especialistas, visualizar uma imagem de visualização única em um aplicativo legítimo não instala vírus, não invade o aparelho e não libera acesso automático aos dados pessoais. O risco, portanto, está no impacto emocional da abordagem, que faz a vítima acreditar que está sendo monitorada.
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Como se proteger
Entre as principais medidas para se proteger desse golpe estão em desconfiar de mensagens que criem sensação de urgência; evitar responder números desconhecidos; nunca informar dados pessoais ou bancários; não fazer pagamentos sob pressão; não ativar a autenticação em duas etapas nos aplicativos e manter o celular e os aplicativos atualizados.
Se a pessoa for extorquida após abrir uma foto, a recomendação é não pagar, não negociar com os criminosos e guardar todas as provas da conversa. Também é importante fazer capturas de tela das mensagens e dos números usados, bloquear o contato depois de reunir as evidências e registrar boletim de ocorrência.
Caso a imagem recebida tenha conteúdo potencialmente criminoso, a orientação é não compartilhar nem encaminhar o arquivo, preservando apenas o necessário para comunicar o caso às autoridades. O golpe mostra, segundo especialistas, que a principal arma dos criminosos nem sempre é a tecnologia, mas a manipulação emocional.
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