Geral
por Alex Torres
Publicado em 28/09/2026, às 08h03
Uma idosa de 87 anos, identificada como Maricarmen Abascal, teve que deixar onde morava há 70 anos, no centro da cidade de Madri, na Espanha. O despejo aconteceu na última quarta-feira (23), após uma disputa judicial sobre o contrato de aluguel.
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Centenas de pessoas se mobilizaram em frente ao prédio com a finalidade de tentar evitar a situação. Maricarmen possui dificuldade para andar e precisou deixar o local de ambulância para o hospital antes de seguir para a casa de familiares.
A residência fica localizada no bairro do Retiro, considerado um dos mais valorizados na cidade espanhola. Em 1956, o pai de Maricarmen alugou o imóvel de 92 m² e a esposa assumiu o contrato após sua morte. Desde 2005, a idosa estava responsável pelo aluguel do apartamento.
De acordo com o jornal Expresso, Maricarmen pagava 500 euros pelo imóvel, cerca de R$ 3 mil na cotação atual. A situação mudou após a venda do edifício, em 2018, quando a empresa chegou a oferecer o apartamento à inquilina por cerca de 47 mil euros, aproximadamente R$ 1,5 milhão, mas a idosa disse que não tinha condições de pagar.
Em 2020, o imóvel foi vendido para a imobiliária Urbagestión, que passou a cobrar 2.650 euros mensais de aluguel, cerca de R$ 15,6 mil. Posteriormente, o aluguei ainda chegou a ser reduzido para 1.650 euros, cerca de R$ 9,7 mil. No entanto, Maricarmen recebia apenas 1.350 euros de aposentadoria.
A idosa seguiu morando no local e continuou pagando os mesmos 500 euros previstos no contrato anterior, mesmo com a empresa argumentando que o mesmo já havia terminado. O caso foi parar na Justiça e, após anos de disputa, a Urbagestión acabou tendo decisão favorável.
O despejo aconteceu depois de quatro tentativas. Pessoas chegaram a tentar evitar a execução, chegando a passar a noite no edifícil, além de bloquear as entradas e escadas para impedir a ação. A polícia retirou os manifestantes, que denunciaram violência e o uso de spray de pimenta pelos oficiais. No entanto, o governo local informou que os agentes estavam apenas cumprindo a ordem judicial.
Maricarmen deixou o local de maca e foi levada para o hospital Gregorio Marañón. Ela recusou uma moradia temporária oferecida pela Comunidade de Madri e foi para a casa de familiares. O despejo provocou críticas na ONU, onde o relator especial de direito à moradia adequada, Koldo Casla, chegou a afirmar que a ação representava uma violação dos direitos humanos.
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