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Publicado em 22/12/2024, às 17h29 Victória Valentina
Um médico identificado como Octávio Milton Saquicela Siquenza, de 65 anos, foi denunciado por importunar sexualmente uma enfermeira e pacientes durante consulta. Segundo denúncia do Metrópoles, o profissional que atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) 5 do Gama, no Distrito Federal, tem fama de facilitar encaminhamentos para seus alvos.
A primeira denúncia veio à tona no dia 13 de dezembro, quando servidores realizaram um protesto para denunciar os casos de assédio sexual e moral. Segundo o grupo, a administração ficou sabendo dos relatos, mas não tomou atitudes.
O médico teria abusado sexualmente de duas colegas de trabalho, sendo que uma delas levou a denúncia à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e acabou sendo afastada. A decisão fez com que o grupo temesse possíveis retaliações.
Segundo relato das vítimas ao Metrópoles, Octávio é um servidor antigo da unidade, atuando lá desde 2006. Ele nega as acusações.
Em um dos casos, o médico teria arrancado a blusa de uma enfermeira e, em outra ocasião, a puxado de forma brusca pelo braço enquanto ela andava por um corredor.
"Em uma ocasião, enquanto estava deitada na maca da sala que trabalho devido a uma gripe forte, ele se aproveitou do momento para levantar minha blusa sem minha permissão, expondo-me de forma constrangedora e invasiva. Posteriormente, ele relatou o ocorrido para outros servidores. Um deles, inclusive, me procurou para comentar que o doutor teria me apalpado, o que me causou ainda mais temor e constrangimento", relembrou a profissional.
Neste domingo (22), uma paciente relatou que teve os seios apalpados pelo médico de forma indevida, enquanto era examidada com um estetoscópio. "O tempo todo me elogiava, me chamava de linda. Quando voltei com os exames, eu o repreendi repreendi e disse que não gostava daquilo. E o comportamento dele mudou completamente”, disse a vítima.
Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria de Saúde do DF informou, em nota, que "não compactua com nenhuma forma de assédio. O caso em apuração envolve uma enfermeira e um médico de uma mesma equipe de uma unidade básica de saúde do Gama. Inicialmente, o fato foi reportado como conflito interpessoal entre servidores. Foram feitas tentativas de mediação de conflito com ambos, sem sucesso. Dias depois, foi apresentada pela servidora uma denúncia que envolveu acusação de assédio."
"A gestão imediatamente levou o caso para apuração pelas unidades competentes, no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde do DF, em processo sigiloso. Em comum acordo com a servidora, foi iniciado um processo para a movimentação da mesma para outra região de saúde. Quanto ao médico envolvido, que encontra-se em afastamento legal, foi realizada uma movimentação temporária para uma unidade de saúde no Gama, até que se conclua a investigação dos fatos narrados, pelos órgãos competentes", completou a pasta.
O Conselho Regional de Medicina (CRM-DF), por sua vez, disse que "investiga todas as denúncias recebidas diretamente pelo Conselho, assim como notícias de fato divulgadas na imprensa, por meio da instauração de sindicâncias. Caso sejam constatados indícios de infração ética, poderá resultar em processo ético-profissional. Ressaltamos que todos os procedimentos tramitam sob sigilo processual, conforme determina a legislação vigente".
Também procurado pelo Metrópoles, o médico Octávio Milton Saquicela Siquenza afirmou que conhece a enfermeira envolvida há 6 anos e que tem um bom relacionamento de trabalho com ela.
"E por algum motivo ela começou a falar mal de mim, começou a me atacar e começou a pedir que pacientes falassem mal de mim. Como tínhamos um bom relacionamento, nós íamos a lojas, eu a comprava presentes, a convidava a festas, mandei arrumar o carro dela. Um dia a gerência da unidade de saúde perguntou se ela já foi cantada por mim e ela respondeu que nunca. Mas que ela começou a me atacar porque há dois meses foi afastada da unidade e porque ela me devia dinheiro. Então ela inventou essas mentiras pois o assédio sexual é a forma mais grave para manchar a moral de um homem. A enfermeira em questão tem um grande histórico de brigas, tem muitos processos contra ela. Eu conheço a moral dessa enfermeira, conheço a minha moral e posso dizer que todos esses fatos se tratam de mentiras", escreveu o profissional de saúde.
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