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Moisés gravando selfie? Jesus no TikTok? Entenda a febre dos vídeos bíblicos com IA que virou negócio

Reprodução / Tiktok
Se você tem rolado o feed do TikTok ou Instagram ultimamente, é quase impossível não ter esbarrado nos vídeos bíblicos  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Tiktok
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 01/07/2025, às 15h10



Se você tem rolado o feed do TikTok ou Instagram ultimamente, é quase impossível não ter esbarrado neles: vídeos ultrarrealistas de personagens bíblicos, como Moisés ou Adão, falando gírias e contando suas histórias em formato de selfie, como se fossem influenciadores digitais. É o "Vlog Bíblico", uma tendência que explodiu e está gerando milhões de visualizações, dinheiro e muita discussão.

Por trás de uma das maiores páginas do gênero, o Vlog Bíblico, está o editor de vídeo Klelvem Barcelos, de 30 anos. Em menos de um mês, ele viu seu projeto saltar de uma ideia para um fenômeno com quase 46 milhões de visualizações no TikTok e mais de 8 milhões no Instagram.

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O sucesso foi tanto que já rendeu publicidade e impulsionou uma nova onda: a venda de cursos e mentorias para ensinar outros a fazerem o mesmo.

De uma ideia antiga a um negócio lucrativo

Klelvem, que não segue uma religião hoje mas vem de família evangélica, falou à reportagem da Folha que a ideia de recontar as histórias da Bíblia de um jeito pop é antiga. Ele já teve um canal no YouTube sobre o tema, mas que nunca decolou. A virada de chave veio com o lançamento das novas ferramentas de Inteligência Artificial que geram vídeos.

Com um investimento que pode chegar a R$ 1.200 por mês para usar as plataformas de IA, Klelvem une seu talento de cinco anos como editor à tecnologia para criar as cenas. E não é só apertar um botão.

Ele precisa dar instruções precisas de ângulo e luz, gerar várias "tomadas" até conseguir a cena perfeita e depois editar tudo, adicionando sons e detalhes que a IA ainda não consegue criar. O resultado são vídeos que cativam pela linguagem moderna e pela qualidade visual.

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Mas por que isso faz tanto sucesso?

Para a pesquisadora Magali Cunha, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), o sucesso tem uma explicação clara. Primeiro, a curiosidade natural de ver personagens tão conhecidos ganhando vida de uma forma completamente nova. Segundo, em um país tão cristão como o Brasil, existe uma visão de que usar todos os recursos disponíveis — inclusive a IA — é uma forma de espalhar a mensagem da fé.

"Com isso, dar audiência a esses produtos é fazer com que ele chegue a mais pessoas", explica a pesquisadora à Folha.

Nem tudo são flores: a polêmica por trás dos vídeos

Apesar do sucesso, a tendência não agrada a todos. A abordagem humorística e o uso de gírias para personagens sagrados geram críticas. "Brincar com coisas de Deus seria uma ofensa a Deus na visão dos críticos", afirma Cunha.

Além da questão religiosa, há duas grandes preocupações que a tecnologia traz:

O reforço de estereótipos

A IA aprende com o que já existe na internet. E o que temos são séculos de arte retratando Jesus, anjos e profetas com feições europeias. O resultado? A tecnologia acaba repetindo e reforçando essa imagem de um "Jesus branco", ignorando as origens hebraicas dos personagens.

O risco da desinformação

Para a pesquisadora Beatriz Farrugia, da Agência Lupa, o perigo é real. Mesmo que a intenção seja apenas fazer uma paródia, esses vídeos ultrarrealistas têm um "potencial enorme para desinformar". A tecnologia está evoluindo tão rápido que fica cada vez mais difícil para o olho humano distinguir o que é real do que foi criado por IA. 

"Antigamente, a gente conferia os detalhes ou distorções, mas a tecnologia vai evoluindo e os vídeos vão ficando cada vez mais ultrarrealistas", alerta à reportagem da Folha.

Classificação Indicativa: Livre

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