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ONG oferece apoio para mulheres em situação de violência; veja como funciona

Divulgação / ONG Tamo Juntas
A ONG atua em Salvador e tem realizado um trabalho contínuo de acolhimento e assistência a mulheres  |   Bnews - Divulgação Divulgação / ONG Tamo Juntas
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 08/01/2026, às 15h13



A violência contra a mulher continua sendo uma realidade alarmante na Bahia e no Brasil. Em 2025, o estado registrou 97 casos de feminicídio, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA). Salvador liderou as ocorrências, seguida de cidades como Feira de Santana e Camaçari.

São quase 400 medidas protetivas de urgência, um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior, segundo dados da Defensoria Pública da Bahia. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher revelou que 88% das brasileiras já sofreram violência psicológica, e as denúncias ao 180 cresceram 33% em 2025, mostrando que mais vítimas estão buscando ajuda.

O BNews também reforça a importância de ONGs, coletivos feministas, casas de acolhimento e redes de apoio, que oferecem suporte psicológico, jurídico e social para mulheres em situação de violência. E esse é o caso da ONG Tamo Juntas, que oferece apoio jurídico e encaminhamento a abrigos para mulheres em situação de violência.

A ONG atua em Salvador e tem realizado um trabalho contínuo de acolhimento e assistência a mulheres em situação de violência doméstica. A organização oferece serviços de advocacia, orientação jurídica e encaminhamento para abrigos e outros equipamentos da rede de proteção, auxiliando vítimas que, muitas vezes, não sabem como acessar ajuda de forma segura.

Histórico

A Tamo Juntas nasceu em Salvador em 2016, fundada pela Advogada Feminista Laina Crisóstomo, com o objetivo de atender mulheres em situação de violência de forma gratuita.

 “Hoje a Tamo Juntas tem voluntárias em Salvador, mas também em outras regiões do Brasil, fazendo um trabalho de acolhimento, orientação e fortalecimento de mulheres que estão em situação de violência, mas também em vulnerabilidade socioeconômica, elemento muito presente nos casos de violência doméstica e familiar contra mulheres e que se torna também  um obstáculo para romper esse ciclo”, explica Roseli de Oliveira Barbosa, assistente social e atual presidenta da ONG.

“O trabalho da Tamo Juntas tem uma relevância social muito importante. O nosso objetivo não é só oferecer um trabalho multidisciplinar social, jurídico e psicológico, mas fazer isso de forma que as mulheres sintam-se acolhidas e respeitadas a partir de uma escuta sensível e sem o julgamento e a culpabilização que, muitas vezes, elas já enfrentam lá fora”, explica Roseli. 

Ela explica que os caminhos para sair do processo de violência perpassa também pelo fortalecimento, o cuidado com a saúde mental possibilitando que as mulheres entendam que elas não estão sozinhas nessa caminhada nem tampouco são elas as principais culpadas por estar em situação de violência. “Quando uma mulher sofre violência a principal culpada é a pessoa que agride”, alerta.

Serviço que faz a diferença

A atuação da ONG ocorre de forma multidisciplinar com equipe formada por assistentes sociais, advogadas e psicólogas. “Atendemos e orientamos as mulheres no primeiro momento que elas nos procuram trazendo suas demandas, mas há também o pós-atendimento a partir dos encaminhamentos que emergem da primeira escuta", explica a diretora.

Nesse sentido, as mulheres são acompanhadas nos serviços quando necessário, inclusive nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), nas audiências, nas varas da violência e família, solicitamos e acompanhamos as Medidas Protetivas de Urgência (MPU). “Orientamos a inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e informamos sobre os benefícios de proteção social que há em vigência”, explica.

“Nós percebemos que muitas mulheres ao buscarem a Tamo Juntas e que inclusive, já passaram por outros serviços, demandam ainda de muitas informações que são relevantes e necessárias a respeito de direitos que elas podem acessar. Entretanto, o não acesso a informação para todas as pessoas de forma democrática acaba agravando a vulnerabilidade desse público e torna a quebra do ciclo da violência ainda mais distante e solitária”, complementa.

Dessa forma, a escuta descaracterizada de julgamento, orientação e o acompanhamento dessas mulheres faz diferença no cotidiano e as fortalece diante um contexto complexo de violência. 

São atendidas anualmente cerca de 200 a 250 mulheres considerando os atendimentos diretos, os atendimento nos mutirões (atividades que são realizadas nas comunidades), além das orientações através dos nossos canais site, Instagram e WhatsApp.

Aprendemos todos os dias. Cada caso, cada escuta, cada orientação é um aprendizado novo. A Tamo Juntas nos ensina que a coletividade feminista é o combustível que as mulheres precisam para enfrentar os desafios do patriarcado. Somos nós as mulheres, sobretudo as mulheres negras, público majoritário da Tamo Juntas, que são as maiores vítimas de violência e feminicídio no Brasil e também na Bahia, consequência portanto, de uma estrutura histórica patriarcal e racista que subjuga, invisibiliza, violenta e mata mulheres”, enfatiza Roseli.

Desafios

A diretora explica que um dos maiores desafios está no âmbito da legislação e da atuação do Estado. Questiona-se a efetividade devida para que as mulheres sejam de fato protegidas.

“Mesmo estando em um país em que temos um marco regulatório imenso de proteção às mulheres como a Lei 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, a Lei 13.104/2015 – Lei do Feminicídio e a mais rescente, Lei 14.994/2024 – Pacote Antifeminicídio, nos questionamos o tempo todo se essas legislação estão tendo a efetividade devida para que as mulheres sejam de fato protegidas ou se, nos casos das duas últimas leis, os agressores estão sendo responsabilizados de fato”, afirma.

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Para ela, os agressores têm certeza da impunidade e isso é o que legitima a ação de cometer a violência, sendo necessário que o Estado precise dar respostas eficazes para o enfrentamento a violência contra as mulheres com foco na proteção.

“Isso começa na efetivação concreta das políticas públicas vigentes de proteção às mulheres, mas também nas demais políticas como educação, assistência social, emprego e renda, saúde”, conta.

“Somos uma organização da sociedade civil, fazemos o trabalho com as mulheres e sabemos que o resultado do nosso trabalho é importante, mas também esbarramos nos obstáculos promovidos pelas falhas do Estado em garantir a efetividade plena das políticas públicas de proteção às mulheres, inclusive porque há também um limite na nossa atuação justamente em razão dos serviços serem provenientes das políticas públicas que é de responsabilidade do Estado efetivar”, finaliza.

Para buscar ajuda e acessar os serviços, é necessário que entrem em contato no site, instagram @tamojuntas e WhatsApp com telefone 71 99237-0657.

Violência contra a mulher é crime. Feminicídio é crime. O silêncio também mata.

COMO AGIR

- Emergência imediata → Ligue 190
- Denúncia e orientação → Ligue 180
- Registro de ocorrência → Procure uma DEAM ou ligue 197
- Denúncia anônima → Use o Disque Denúncia Bahia – 181
- Apoio especializado →  Busque a Casa da Mulher Brasileira (71 3202-7390) ou a Defensoria Pública da Bahia (71 3117-9178 / 3117-9179)

Classificação Indicativa: Livre

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