Geral

País europeu cria estrada a 400 metros de profundidade; saiba mais

Foto / Reprodução
Desde 2018, o país constrói um túnel rodoviário que foi escavado a quase 400 metros abaixo do nível do mar  |   Bnews - Divulgação Foto / Reprodução
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 18/02/2026, às 17h54



As inovações tecnológicas têm dado novas soluções de infraestrutura. Desde 2018, a Noruega constrói um túnel rodoviário chamado de Rogfast, que foi escavado a quase 400 metros abaixo do nível do mar, onde motoristas vão dirigir sob a pressão direta do oceano.

O túnel passa sob o Boknafjord, na costa oeste do país, e vai ter 27 quilômetros de extensão. Quando for concluído, previsto para 2033, vai ligar regiões hoje separadas por longas travessias de balsa. A obra promete reduzir o tempo de deslocamento, aumentar a segurança e ainda estabelecer um recorde mundial como o túnel rodoviário submarino mais longo e profundo já construído.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Uma estrada no fundo do mar

Dirigir centenas de metros abaixo do mar pode assustar, mas para a Noruega é a solução ideal. A costa oeste do país é cortada por fiordes, que são braços de mar estreitos cercados por rochas e montanhas, que tornam o transporte dependente de balsas lentas, caras e afetadas pelo clima. O Rogfast é a principal aposta do plano “E39 sem balsas”, que visa conectar todo o litoral por meio de túneis e pontes.

Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube

Atualmente, percorrer toda a estrada E39 leva cerca de 21 horas, com sete travessias por mar. Quando o projeto completo estiver finalizado, algo que deve ocorrer depois de 2050, essa viagem será muito mais rápida. No caso específico do Rogfast, o trajeto entre Stavanger e Haugesund será encurtado em cerca de 40 minutos.

Engenharia de precisão extrema

Construir um túnel a quase meio quilômetro de profundidade exige tecnologia de ponta. As escavações acontecem simultaneamente nos dois extremos, e o encontro dos túneis precisa acontecer com um desvio máximo de apenas cinco centímetros, um feito de precisão impressionante.

Para alcançar esse nível, os engenheiros usam scanners a laser capazes de registrar milhões de pontos de medição por segundo. Essas informações alimentam um modelo digital em tempo real, como um “gêmeo virtual” da obra, que permite corrigir qualquer desvio imediatamente.

Outro desafio é enfrentar a enorme pressão da água salgada. Para evitar vazamentos, as equipes aplicam injeções de cimento que selam as fissuras da rocha e mantêm o ambiente seguro.

Segurança em primeiro lugar

Todo o projeto foi desenhado com foco na segurança. O Rogfast terá dois túneis paralelos, cada um com duas faixas, o que facilita o controle do tráfego e reduz riscos. A cada 250 metros, passagens de emergência conectam as galerias, funcionando como rotas de fuga.

A ventilação também é planejada milimetricamente: combina fluxo longitudinal com poços de ventilação até a ilha de Kvitsøy, o menor município da Noruega, que será acessível por uma rotatória subterrânea a 260 metros de profundidade.

Sistemas automatizados com câmeras, sensores e radares vão monitorar o trânsito em tempo real, identificando veículos parados, colisões ou fumaça. Estima-se que o custo total da obra chegue a 25 bilhões de coroas norueguesas, o equivalente a cerca de R$ 12,5 bilhões.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)