Geral
por Alex Torres
Publicado em 06/06/2025, às 15h22 - Atualizado às 15h43
Autor de um dos modelos de dicionários mais famosos da lingua portuguesa, que leva o seu próprio nome, Aurélio Buarque de Holanda tinha suas palavras favoritas. O lexicógrafo nascido em 1910, e falecido em 1989, deixou um importante legado na ciência que estuda das palavras.
Durante entrevista concedida em 1976, jornalista Araken Távora para a TV Educação, um ano após o lançamento do dicionário, Aurélio falou sobre uma das palavras que considera mais bonitas: 'libélula'.
"É um voo, uma coisa alada, de uma poesia imensa [...] A libélula que é uma coisa tão grácil, tão cheia de poesia, tem um sinônimo pesado, o lava bunda. É lamentável, mas a língua é cheia dessas coisas mesmo", explicou Aurélio.
Dentre as outras favoritas, Aurélio também lembrou de 'murucututu', que é o nome dado para uma espécie de coruja: "Cinco sílabas seguidas, todas terminadas em ‘u’. Me parece uma coisa maravilhosa". Em seguida, ele citou 'alvorada', a qual definiu como "uma clarinada de palavra".
Mesmo com as preferências, Aurélio fez questão de deixar claro que a beleza das palavras é algo relativo. Até mesmo aquelas palavras consideradas sujas, como as que compõem o vocabulário escatológico, podem conter beleza.
Aurélio fez parte da Academia Brasileira de Letras (ABL) de 1961 até o ano de sua morte. O dicionário, que acabou sendo batizado com o seu nome, foi lançado como 'Novo dicionário da língua portuguesa', sendo um dos maiores fenômenos editoriais do Brasil, com 15 milhões de unidades vendidas.
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