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O presidente do Sindlimp-BA, Luís Carlos Suíca, em conversa com o BNEWS na noite desta terça-feira (16), confirmou a greve nacional de garis e margaridas que deve também atingir, por tempo indeterminado, a coleta de lixo em Salvador. Segundo o sindicalista, a paralisação está mantida para o próximo dia 22 de junho e faz parte de uma mobilização nacional da categoria para pressionar o Senado Federal a votar o Projeto de Lei 4.146/2020, conhecido como PL dos Garis e Margaridas.
“Acabei de sair agora da reunião nacional. A paralisação foi no dia 15 de maio e estamos construindo esse caminho de conversa com o Senado. A categoria apontou greve no dia 22 de junho. Essa decisão agora foi ratificada e vamos ter reuniões na quinta-feira de novo. O edital deve estar saindo na quinta”, afirmou Suíca, ao detalhar o avanço das negociações e a confirmação do movimento paredista.
“A culpa é única e exclusiva dele, do [presidente do Senado, Davi] Alcolumbre”, disse Suíca. O sindicalista e ex-vereador de Salvador afirmou ainda que algumas cidades dos 15 estados representados na reunião nacional poderão interromper os serviços antes mesmo da data prevista nacionalmente. “A greve é por tempo indeterminado: pode acabar em um dia, mas pode também levar tempo”, comentou. Sobre a situação da capital baiana, ele alertou: “A cidade de Salvador já está com a coleta deficitária e não é nem por conta de greve”.
Em nota pública, o Sindlimp-BA afirmou que a greve nacional tem como objetivo pressionar o Senado a pautar o PL dos Garis e Margaridas, já aprovado pela Câmara dos Deputados. Apesar de contar com apoio de 60 senadores e senadoras que assinaram pedido de urgência, o projeto segue sem previsão de votação, gerando insatisfação entre trabalhadores da limpeza urbana em todo o país.
“O PL dos Garis e Margaridas permanece travado no Senado, enquanto milhares de trabalhadores seguem sem reconhecimento e sem garantias mínimas para o exercício de uma atividade essencial à saúde pública”, diz um trecho da nota. Segundo o sindicato, a mobilização não tem relação com prefeituras nem motivação partidária, mas sim com a luta por direitos trabalhistas e reconhecimento profissional.
O projeto prevê regulamentação da profissão dos trabalhadores da limpeza urbana, incluindo garis e margaridas responsáveis pela varrição, coleta e destinação de resíduos. Entre os principais pontos estão a criação de piso salarial nacional de R$ 3.036, jornada de 36 horas semanais para atividades de coleta e varrição, adicional de insalubridade de 40% e aposentadoria especial após 25 anos de serviço.
Para o Sindlimp-BA, a aprovação da proposta representa uma reparação histórica para uma categoria que atua em serviços essenciais, mas enfrenta baixos salários e exposição constante a riscos. “A greve nacional é um instrumento legítimo de pressão para que o Senado Federal cumpra seu papel e avance com a votação de um projeto que garante dignidade, segurança e direitos a uma categoria fundamental para o funcionamento das cidades”, conclui outro trecho da nota.
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