Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 30/06/2025, às 12h05 - Atualizado às 13h31
Um novo e sofisticado golpe tem preocupado autoridades e especialistas em segurança. Conhecido como clonagem de veículos "no papel", ele vai além da velha troca de placas: criminosos conseguem transferir a propriedade de um carro sem sequer tocá-lo fisicamente.
E não são apenas motoristas comuns entre as vítimas. Grandes frotas — de locadoras e até montadoras como Volkswagen, Fiat, Jeep e Toyota — estão na mira dos golpistas.
Como o golpe funciona?
Segundo o advogado Francisco Gomes Junior, especialista em fraudes e presidente da Associação de Defesa dos Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), em entrevista ao Uol, o segredo do golpe está no vazamento de dados de sistemas públicos, principalmente os ligados aos Detrans e ao Contran.
"Os criminosos acessam dados completos dos veículos, como número do chassi e informações do proprietário, e transferem o carro digitalmente para outro nome — sem vistoria e sem apresentar o veículo", explicou.
Essas transferências fraudulentas são facilitadas por brechas nos sistemas digitais do governo e pela ação de infiltrados que vendem dados na dark web, onde é possível operar anonimamente.
Quem são os criminosos?
O esquema é operado tanto por grandes quadrilhas quanto por estelionatários independentes:
Quadrilhas organizadas usam os carros para lavagem de dinheiro, registrando milhares de veículos em nome de empresas de fachada para justificar movimentações ilícitas.
Já os estelionatários autônomos utilizam os veículos como garantia para obter empréstimos fraudulentos.
"É uma forma eficiente de lavar dinheiro sem levantar suspeitas imediatas", afirma Francisco Gomes Junior.
Alvos ideais dos golpistas
As quadrilhas preferem atacar frotas internas de montadoras, que muitas vezes são utilizadas por jornalistas e influenciadores em ações promocionais. A exposição das placas e dados nas redes sociais facilita o golpe.
"Em grandes frotas, a clonagem pode passar despercebida por mais tempo. Os criminosos costumam replicar uma parte significativa dos veículos da mesma empresa", alerta o especialista.
Montadoras como Toyota, Fiat e Jeep confirmaram ter sido vítimas.
“Descobrimos as clonagens ao receber multas de locais onde os carros não circularam ou ao notar transferências irregulares”, relatou Jorge Mussi, gerente de pós-vendas da Toyota, ao UOL Carros. A Stellantis (controladora da Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën) também reconheceu casos de fraude.
Como se proteger se for vítima desse tipo de golpe:
Francisco Gomes Junior destaca que a maior fragilidade está no próprio sistema público:
"A LGPD foi criada para proteger os dados do consumidor, mas os maiores vazamentos ainda vêm dos órgãos públicos. Enquanto isso não mudar, casos como esse vão continuar se multiplicando."
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