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Saiba qual comportamento em apps de namoro tem afetado autoestima e conexões reais, segundo especialistas

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Um novo levantamento revelou qual comportamento está cada vez mais comum nesse tipo de interação  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Freepik
Leonardo Oliveira

por Leonardo Oliveira

Publicado em 19/08/2025, às 11h04



Um novo levantamento de um app que conecta pessoas com base em encontros da vida real, happn, revelou qual comportamento está cada vez mais comum nesse tipo de interação. Trata-se do ego-scrolling, prática que busca validar emocionalmente através do acúmulo de curtidas e interações, sem o objetivo de criar vínculos reais.

87% dos entrevistados afirmaram nunca terem escutado esse termo, 51% admitiu ter esse tipo de atitude, de forma consciente ou não. Além disso, 54% afirmaram já ter identificado essa prática em potenciais matches e 32% afirmaram que isso os afastou.

De acordo com especialistas, esse tipo de atitude que pode parecer inofensivo, impacta negativamente no bem-estar emocional. “Buscar validação inflando o ego com curtidas superficiais pode levar a uma autoestima instável, alimentar frustração e tornar o uso dos apps compulsivo e desconectado de vínculos reais”, alerta a psiquiatra Renata Abdalla, professora da Faculdade São Leopoldo Mandic.

Causas do ego-scrooling

De acordo com a pesquisa, as principais causas são:

  • Baixa autoestima;
  • Tédio;
  • Vício em recompensas imediatas;
  • Incerteza sobre o que se buscar;

Segundo a Dra. Renata, jovens, pessoas em processo de luto amoroso, com ansiedade social ou traços de dependência emocional estão entre os mais propensos a desenvolver esse padrão.

Esse prazer que se gera através das curtidas está conectado com a liberação de dopamina. 25% dos usuários relatam se sentir mais confiantes quando recebem várias interações; 21% dizem que isso melhora sua autoestima, enquanto 18% simplesmente acham divertido. No entanto, um alerta é feito pelo psiquiatra Celso Garcia Jr., professor da São Leopoldo Mandic:

“Embora gere prazer momentâneo, esse comportamento pode reforçar comparações, inseguranças e a dependência de aprovação externa, comprometendo a autoestima a longo prazo”.

31% dos entrevistados afirmaram se sentir inseguros quando não recebem interações de curtidas ou mensagens, colaborando com a fadiga emocional cada vez mais associada ao uso de apps de relacionamento. Para 35% dos usuários, o ego-scrolling prejudica diretamente a experiência, por alimentar falsas expectativas e superficialidade nas interações.

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Como melhorar isso?

O Dr. Celso oferece algumas dicas para se ter uma relação mais saudável com esses aplicativos:

  • Refletir sobre os seus objetivos no app;
  • Estabelecer limites de tempo de uso;
  • Evitar a associação do valor pessoal com a quantidade de curtidas;
  • Priorizar conexões verdadeiras;
  • Realizar pausas sempre que se sentir desgastado emocionalmente.

A CEO e presidente do happn, Karima Ben Abdelmalek, enfatiza que o ego-scrolling, embora pouco conhecido pelo nome, é um comportamento cada vez mais recorrente.

“É natural buscar validação dos outros, mas é importante perceber o impacto que isso pode ter na saúde mental e nos relacionamentos. O ego-scrolling é uma prática muito comum que enfraquece as conexões reais”, afirma.

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