Geral
por Leonardo Oliveira
Publicado em 02/12/2025, às 08h53 - Atualizado às 12h53
A Oxford University Press elegeu a Palavra do Ano de 2025. Segundo o levantamento, “rage bait” ("isca de raiva", em tradução direta) foi a escolhida. O termo é definido como “conteúdo online deliberadamente criado para provocar raiva ou indignação, sendo frustrante, provocativo ou ofensivo”.
“Rage bait” triunfou sobre ideias mais otimistas, como “biohack” (tentativas de melhorar ou otimizar o desempenho físico ou mental, a saúde, a longevidade ou o bem-estar) e “aura farming” (cultivo de uma persona ou personalidade impressionante, atraente ou carismática).
O termo "rage bait" remonta a 2002, quando apareceu em um grupo de discussão da Usenet para descrever a reação de um motorista quanto outro piscava os faróis para ultrapassá-lo. O termo triplicou seu uso no último ano, se tornando uma gíria cada vez mais comum para um comportamento online de busca de atenção.
A palavra é composta de duas sílabas que têm um impacto direto e contundente. Ela também provoca um “eureka” imediato. “Mesmo que as pessoas nunca tenham ouvido falar dela antes, imediatamente sabem o que significa”, disse Casper Grathwohl, presidente da Oxford Languages, em entrevista. “E querem falar sobre o assunto.”
A expressão "isca para provocar raiva" apareceu nas manchetes no início de novembro, após a atriz Jennifer Lawrence confessar ter criado um perfil anônimo no TikTok para poder discutir com fãs de cinema online.
É algo que até lexicógrafos, profissionais responsáveis por organizar vocabulários e criar dicionários e outros tipos de glossários, já foram acusados de promover. Em 2015, quando Oxford escolheu o emoji de lágrimas de alegria, alguns lexicógrafos da velha guarda não ficaram nada felizes.
"As pessoas têm uma relação tão apaixonada que é impossível não provocar raiva em uma parcela do público amante das palavras", disse Grathwohl. "Não importa o que escolhamos, muita gente vai se exaltar online."
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Palavra do Ano
A Palavra do Ano da Oxford, que começou em 2004, baseia-se em evidências de uso extraídas de seu corpus continuamente atualizado de cerca de 30 bilhões de palavras, compilado a partir de fontes de notícias de todo o mundo de língua inglesa. A ideia é identificar palavras novas ou emergentes com significado social e cultural, com base em dados.
Os especialistas da Oxford escolheram uma lista restrita e, em seguida, convidaram o público a dar sua opinião, prática que vem acontecendo nos últimos anos. Em 2025, as palavras foram transformadas em candidatos personificados, que se promoveram em vídeos verticais modernos produzidos pelo estúdio criativo Uncommon.
O vencedor foi escolhido pelo comitê de Oxford com base na votação que teve participação de mais de 30 mil pessoas, em conversas públicas e na análise de dados.
“O objetivo da Palavra do Ano é incentivar as pessoas a refletirem sobre onde estamos como cultura, quem somos no momento, através da lente das palavras que usamos”, disse Grathwohl. “O objetivo principal é gerar conversa.”
Ao longo dos anos, os vencedores incluem “selfie” (2013), “pós-verdade” (2016), “tóxico” (2018) e “vacina” (2021). Nos últimos anos, eles têm tido um apelo nitidamente da Geração Z, muito ligado à internet. Alguns vencedores, como “rizz” (abreviação de “charisma”) de 2023, dão um nome novo e vibrante a algo familiar. “Às vezes, trata-se do prazer intangível de dizer e pronunciar uma palavra”, disse Grathwohl.
Os finalistas deste ano, disse Grathwohl, refletem as maneiras pelas quais 2025 foi definido por “questionamentos sobre quem realmente somos, tanto online quanto offline”, e as formas como a internet nos manipula emocionalmente e nos permite manipular os outros.
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