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Turista baiano é agredido em bar de Balneário Camboriú

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O contador Alexandre Souza, de 35 anos, diz que foi coagido e agredido após aplicativo de pagamento travar  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Davi Lemos

por Davi Lemos

davi.lemos@bnews.com.br

Publicado em 12/01/2026, às 22h26



O baiano Alexandre Souza, 35 anos, que há dois meses vive na cidade de Navegantes (SC), afirma ter sido vítima de agressão e humilhação no badalado Bar Lê Mentor, em Balneário Camboriú, também em Santa Catarina. No sábado (10), ele foi conhecer um dos bares mais badalados da Avenida Atlântica, mas relata que foi levado à força para um banheiro, cercado por quatro homens, após enfrentar problemas técnicos com o aplicativo do banco e efetuar o pagamento da conta no Lê Mentor. A forma como foi abordado e agredido fazem presumir ainda caso da racismo institucional.

Em conversa com o BNEWS nesta segunda-feira (12), Alexandre, que é contador e analista de licitações, disse que foi, na noite de sábado (10), ao SESC na Avenida Atlântica para ver o show do grupo Samba das Pretas. Terminado o show, foi conhecer o Lê Mentor, um sonho antigo dele. “Conversei com a moça na porta, ela explicou que devia pagar o couvert e a consumação. Entrei e tratei todo mundo bem, como sempre faço. Falei com funcionários, com clientes, me comportei normalmente”, relembra.

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Os problemas começaram a acontecer quando foi a hora de pagar a conta. A Face ID do celular não funcionou, a senha não foi reconhecida e o aplicativo do banco travou. Nervoso, Alexandre tentou diversas vezes, mas sem sucesso. “Expliquei que o app travou, que eu só precisava de um minuto. Eles não quiseram esperar. Também não quiseram deixar eu pagar no outro dia. Para eles, foi mais conveniente me agredir”, relatou. Alexandre chegou a pagar R$ 50 em dinheiro e propôs pagar o restante do dia seguinte, quando conseguisse desbloquear o aplicativo do banco.

"Na hora, eu bipei. Parei de funcionar", disse o contador ao descrever o nervosismo no momento em que foi cercado por quatro homens, no banheiro do bar. Após Alexandre não conseguir acessar o aplicativo do banco, ele disse que passou a ser coagido e chegaram a propor que ele deixasse o celular empenhado. Com a pressão psicológica, Alexandre diz que ficou ainda mais nervoso e não conseguia nem trocar a senha do banco.

Após as ameaças, vieram as agressões. “Depois de ameaçar por vários minutos, eles chegaram à conclusão de que era melhor me bater. Então foi isso que fizeram. Me seguraram e me espancaram dentro do banheiro. Do lado de fora, tinha outro homem, que nem era funcionário, que também me agrediu”, contou Alexandre. Em conversa com o BNEWS, ele disse que registrou boletim de ocorrência e que, na quarta-feira (14), retornará à delegacia para reconhecer os agressores por meio de imagens de câmeras de segurança. Alexandre disse que realizou exame de corpo de delito.

Alexandre é negro e, questionado se percebeu racismo na abordagem, respondeu: "não conheço pessoas que passaram pelo que passei por não terem conseguido realizar um pagamento". "Me jogaram na rua. Caí, arranhei o nariz, a cabeça, a mão, os dedos. Nunca imaginei ser agredido por um problema de acesso ao celular”, afirma. O baiano registra que nunca passou por nada parecido: “Eu nunca fui agredido por nada, muito menos dentro de um estabelecimento privado. Isso me deixou abismado”. O contador baiano mostrou ao BNEWS que realizou o pagamento de R$ 326,40 restantes no dia seguinte, quando conseguiu acessar o aplicativo do banco.

A advogada e doutora em Economia do Trabalho pela Unicamp, Paula Freitas, aponta que o caso apresenta todos os elementos de racismo institucional: presunção automática de culpa, uso de força sem justificativa, isolamento da vítima em local fechado, coação e ameaças, violência física desproporcional, expulsão humilhante para a rua e desconsideração total da palavra da vítima. “Quatro homens brancos espancando um homem negro por causa de um aplicativo travado não é coincidência”, afirma a especialista.

“Quero Justiça. Não posso aceitar que me batam, me humilhem e ainda tentem inverter a culpa. Eu estava tentando pagar. O que fizeram foi crime”, afirma a vítima.

O BNEWS entrou em contato com o Bar Lê Mentor, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Classificação Indicativa: Livre

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