Bahia

Prefeito de Urandi reclama que Guanambi sobrecarrega Hospital Regional

[Prefeito de Urandi reclama que Guanambi sobrecarrega Hospital Regional]
28 de Maio de 2019 às 09:40 Por: Reprodução / Google Street View Por: Adelia Felix 0comentários

O presidente do Consórcio Público Interfederativo de Saúde do Alto Sertão e prefeito de Urandi, Dorival Barbosa do Carmo (PP), denunciou, em entrevista ao BNews, supostas irregularidades que acontecem no Hospital Regional de Guanambi (HRG), no centro-sul baiano.

O consórcio, formado por 22 municípios baianos, é responsável por administrar a policlínica de múltiplas especialidades médicas, em Guanambi. A manutenção da unidade que recebe pacientes de baixa e média complexidade é compartilhada entre o Governo do Estado, que financia 40% dos custos, e também pelos municípios consorciados, que cobrem os 60% restantes, proporcionalmente à sua população. 

À reportagem, Dorival afirmou que os atendimentos prestados à população na policlínica são eficientes, no entanto, os prefeitos estão insatisfeitos com a gestão do hospital, que deveria receber apenas casos de alta complexidade médica. Segundo o presidente do consórcio, sem Hospital Municipal, a cidade de Guanambi sobrecarrega a unidade de saúde. 

“O hospital funciona muito mais para atender uma demanda de Guanambi do que dos outros municípios. Guanambi representa 18% da população dos municípios que estão no consórcio, mas ocupa 60% dos leitos do hospital. As outras cidades têm dificuldade. Tem paciente morrendo porque as vagas estão sendo ocupadas por Guanambi que usa o Hospital Regional como Hospital Municipal”, reclama. 

De acordo com Dorival, a situação já foi discutida com o secretário da Saúde do Estado Fábio Vilas-Boas, no início do ano. “Não temos acesso ao hospital. O secretário não percebe isso. Ele não entende a problemática, quando acontece algo, os munícipes procuram o prefeito. Encaminhamos uma pauta para o governador Rui Costa e estamos esperando há mais de 15 dias o retorno dele. Nós não queremos conversar com Fábio, ele não entendeu e não resolveu o problema. Guanambi não tem onde internar um paciente com pneumonia, usa a infraestrutura do estado para resolver o problema deles”, dispara. 

Outra reclamação do presidente do consórcio é a demora para realização de cirurgias ortopédicas. “Tem paciente que fica esperando até 50 dias pelo procedimento. Pai de família que quebra a perna e fica 50 dias esperando a cirurgia. Nós não temos onde operar. Quando conseguimos, o Município tem que pagar pela cirurgia porque o Estado não está conseguindo resolver o problema”, pontua.

O prefeito também denuncia que há interferência política no sistema estadual de regulação. “Além do problema de a vaga demorar de surgir para um paciente nosso, por amizade, por interferência de político da região, conseguem dar um jeitinho e transferem o paciente. A vaga sai por intermédio político. Nós, os municípios, não estamos conseguindo transferir pela via normal”, denuncia. Ao ser questionado sobre quem seriam os envolvidos, o gestor afirma que não vai revelar nomes. “Não vale a pena falar”.

O gestor também pediu a nomeação de um nome técnico para direção do Hospital Regional. “Foi uma indicação política. A gente quer que os problemas sejam discutidos com o consórcio, que se coloque uma diretora que seja técnica, que tenha respaldo de todos os prefeitos. Enviamos uma pauta para antiga diretora, mas não tivemos resposta”, diz.

Recentemente, a direção do HRG passou por mudanças. Após Maria das Graças Costa Cotrim pedir exoneração do cargo de diretora-geral, no fim do último mês, o Governo do Estado nomeou Paula Luísa Lima Melo para o cargo. O ex-diretor administrativo Dorisvaldo Lobo também pediu exoneração, depois de uma visita do secretário da Saúde. No último dia 15, Humberto Carvalho Júnior foi nomeado para a vaga.

Outro lado
Procurada, a assessoria da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que não procede a informação de que haja desassistência aos pacientes no Hospital Regional de Guanambi. Acrescentou ainda que todos são acolhidos e classificados de acordo com o risco, utilizando critérios internacionalmente estabelecidos. 

A Sesab também disse que não há interferência política na unidade, visto que todas as internações são controladas pela Central Estadual de Regulação. Além disso, a secretaria explicou que Guanambi é o maior município da região de saúde, com cerca de 20% da população, sendo natural, portanto, que a maior parcela do atendimento seja do município-sede.

Leia a nota na íntegra:
Não procede a informação de que haja desassistência aos pacientes no Hospital Regional de Guanambi. Todos  são acolhidos e classificados de acordo com o risco, utilizando critérios internacionalmente estabelecidos (protocolo de Manchester). Também não há interferência política na unidade, visto que todas as internações são controladas pela Central Estadual de Regulação, que possui um complexo regulador regional em Vitória da Conquista. Nos casos excedentes ou de maior complexidade, os pacientes são transferidos para Vitória da Conquista, Ilhéus ou Salvador. Também não há pacientes internados com o referido tempo de espera.

Ademais, similar ao que ocorre em outras localidades, a exemplo de Salvador, Guanambi é o maior município da região de saúde, com cerca de 20% da população, sendo natural, portanto, que a maior parcela do atendimento seja do município-sede. O secretário da saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, esteve no município há menos de 30 dias e iniciou mudanças, com a substituição do diretor geral e do administrativo. Na oportunidade, também anunciou a duplicação do número de salas cirúrgicas, passando de três para seis, o que possibilitará dobrar o número de cirurgias. Além disso, será licitada a construção de dez novos leitos de UTI Neonatal e um novo centro obstétrico. Também foi anunciado o envio de novos equipamentos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e emergência, além da implantação de contratos por produtividade ao invés de remunerações fixas.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Saúde de Guanambi, no início do mês, e até a publicação da matéria não teve resposta.
 

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