Meio Ambiente

Confira os cinco pontos importantes sobre economia circular e coleta seletiva em ano de COP30

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Especialista pontua importância de ações coletivas para agenda climática global da COP30  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Pixabay
Verônica Macedo

por Verônica Macedo

veronica.macedo@bnews.com.br

Publicado em 16/09/2025, às 08h30 - Atualizado às 08h42



Em ano de Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP, que tem a sua trigésima edição correndo no Brasil, entre 10 e 21 de novembro, a economia circular e a coleta seletiva ganham destaque como estratégias que unem benefícios ambientais, sociais e econômicos.

O evento vai ser realizado em Belém, no Pará, e ocorrerá pela primeira vez na Amazônia, onde soluções práticas para a efetividade urgente da sustentabilidade vão ser debatidas por delegações de todo o mundo.

Atualmente, o país gera cerca de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, mas recicla apenas 8% deste volume , de acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos de 2024. Embora 75% da população declare separar o lixo em casa, grande parte desse material ainda não chega efetivamente ao processo de reciclagem — reflexo da falta de infraestrutura e da desigualdade no acesso à coleta seletiva. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, em 2024, 60,5% dos municípios brasileiros oferecem coleta seletiva, mas a cobertura é desigual: no Sul, a taxa chega a 81,9%, enquanto no Norte não passa de 33,5%.

Imersa nesse contexto e impulsionada pelo lema “Sonhar, criar e fazer acontecer”, a SOLOS - startup nordestina de impacto socioambiental -  criou a iniciativa RODA –  reciclagem na sua porta, que une tecnologia, mobilidade limpa e inclusão social. Através de uma parceria com Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (SECIS) e o programa internacional Urban Ocean, da Resilient Cities Network. lançou um sistema inédito que faz agendamento online e coleta seletiva com veículos elétricos, sem emissão de carbono, operados por catadores formalmente contratados, garantindo impacto ambiental e social positivo. 

Além do RODA, a startup desenvolve sistemas inteligentes para Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), ecopontos e centrais de reciclagem, promove programas de micrologística e aceleração de cooperativas, ações educativas e também já implantou modelos de gestão de resíduos em grandes eventos.

O cenário brasileiro mostra a relevância do debate. Para ajudar a entender o tema, Saville Alves, líder de impacto e cofundadora da SOLOS, elenca cinco pontos essenciais sobre o assunto. 

Menos poluição, mais impacto positivo

A destinação correta de recicláveis não apenas reduz a contaminação do solo, da água e do ar, mas também transforma materiais que seriam descartados em recursos valiosos para a indústria, gerando retorno econômico e ambiental. Além disso, contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa, tema central da agenda climática da COP 30. No Brasil, ampliar esse impacto é urgente, já que a taxa de reciclagem segue muito abaixo do potencial.

Facilidade aumenta a adesão

Quando a coleta seletiva é prática e acessível, a participação da população cresce. Iniciativas como coleta porta a porta, agendamento online e pontos de entrega estratégicos aumentam a quantidade e a qualidade dos materiais recicláveis, fortalecendo o ciclo e gerando maior retorno econômico e ambiental para cidades, indústrias e cooperativas de catadores. 

Valorização dos catadores é fundamental

Reconhecer o trabalho dos catadores e garantir remuneração justa e condições adequadas fortalece toda a cadeia de reciclagem. Quando valorizados, esses trabalhadores tornam a coleta seletiva mais eficiente, ampliam a reinserção de materiais na cadeia produtiva e fortalecem os impactos sociais e econômicos da economia circular.

Retorno ambiental e econômico

Além dos benefícios ambientais, a coleta seletiva movimenta a economia: gera empregos, reduz custos de gestão de resíduos para as cidades e oferece matéria-prima para a indústria, criando um ciclo sustentável para o lixo que é responsabilidade de todos e de cada um. Um estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), divulgado este ano (2025), projeta que a economia circular pode criar até sete milhões de empregos no Brasil até 2030, mostrando que sustentabilidade é também motor de desenvolvimento.

Coleta seletiva: porta de entrada para a economia circular

Separar os resíduos é o primeiro passo para que materiais retornem ao ciclo produtivo, transformando aquilo que seria descartado em recursos valiosos. Essa prática não apenas evita que toneladas de recicláveis acabem em aterros, como também fornece matéria-prima para a indústria, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais. Além disso, quando a população participa ativamente, o impacto se multiplica, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais para toda a cidade. Afinal, a economia criativa impulsiona a economia circular. 

"Este ano, com a COP 30 sendo realizada no Brasil, a atenção global se volta para soluções práticas e acessíveis de combate às mudanças climáticas. A coleta seletiva e a economia circular mostram que a sustentabilidade é para todos, gerando valor social, econômico e ambiental para a sociedade e fortalecendo o papel das instituições e de cada cidadão nessa transformação”, finaliza Saville. 

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